O custo da oportunidade • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 06 de agosto de 2014

O custo da oportunidade

Estocado em Manuscritos

Este relato é a parte 6 de 6 da série Entre a riqueza e a justiça

A primeira coisa é você não enganar a si mesmo; e ninguém você engana com mais facilidade do que a si mesmo.
Richard Feynman

 

Não entendemos a realidade diretamente, mas intermediada por discursos, preconcepções e filtros – óculos ideológicos que determinadas disciplinas chamam de modelos. Modelos conceituais explicam para nós a realidade mesmo quando não pensamos neles; na verdade, sua eficácia está ligada ao fato de que determinados modelos nos parecem tão naturais que não requerem reflexão. Cremos que estamos olhando o mundo diretamente, e esquecemos que estamos usando os óculos de determinada ideologia.

Como com outras ideologias antes dele, no capitalismo está embutido um modelo de interpretação da realidade – um modelo que nos vende uma determinada noção do que é natural no ser humano, do que é justo nas relações entre as pessoas e do que é desejável nesta vida.

O imperativo da oportunidade

O pressuposto mais fundamental do modelo capitalista é o imperativo da oportunidade, a dupla crença de que [1] nenhuma pessoa racional irá desperdiçar uma oportunidade que envolva uma recompensa, e de que [2] quando indivíduos não desperdiçam oportunidades legítimas a coletividade inteira sai ganhando.

O capitalismo delineou, com esse dogma, o projeto do homem econômico, que toma decisões livres e racionais com base num único item de fé: oportunidade é valor. Oportunidade é uma coisa inerentemente boa. Oportunidade é um imperativo categórico. A uma boa oportunidade não se diz não.

Para o capitalismo, o modo de operação mais fundamental do ser humano é a asserção: ser gente humana é dizer sim a toda boa oportunidade. Ser gente é procurar e adotar modos de maximizar os nossos retornos pessoais, e nisso se explica que gastemos tempo, organização e recursos de modo a aumentar a produtividade da nossa mão de obra e da dos nossos subordinados.

O modelo capitalista crê que o homem é livre, menos para deixar passar uma oportunidade.

Nessa visão de mundo não só o mundo está cheio de oportunidades, mas abrir mão delas é um enorme contrassenso. Se você tiver como aumentar a sua produtividade e por conseguinte os seus lucros, é isso o que você naturalmente vai querer fazer. Diante de ofertas de trabalho, você vai aceitar a que lhe der maior retorno pelo esforço empregado. Se puder consumir mais, você não vai querer consumir menos. Se puder ter legitimamente carros, amantes e bens, você não vai querer ser um monge franciscano. Se puder calçar couro alemão, não vai querer andar descalço. Se estiver de posse de um anel mágico que concede ao seu portador poderes ilimitados, não vai querer jogá-lo dentro do único vulcão na terra capaz de destruí-lo. Se puder morder o fruto da árvore que o deixará em pé de igualdade com Deus, não vai pedir em vez disso uma salada de rúcula com tofu.

O modelo capitalista crê que o homem é livre para escolher qualquer coisa, menos deixar passar uma oportunidade. Nesse modelo, oferta equivale a demanda: a pessoa que pode se beneficiar de uma determinada configuração de circunstâncias vai invariavelmente querer apropriar-se desses benefícios.

Como resultado, o capitalismo não tolera e não reserva espaço para o indivíduo que sabe por alguma razão abdicar de uma possibilidade legítima de multiplicar os seus retornos. No modelo capitalista quem resiste à oportunidade é um não-agente que não deixa qualquer marca na narrativa oficial. Esse indivíduo inadmissível não age racionalmente, pelo que não só não contribui e não se beneficia: é para todos os efeitos uma não-pessoa.

O homem não-econômico, que existe à margem do mercado, é desconsiderado pelo capitalismo e por isso o capitalismo pede que o desconsideremos por completo. Mesmo que exista como possibilidade, ele não é o cara que você vai querer ser. O fundamentalismo de oportunidade não tolera alternativas.

O modelo capitalista não exige apenas que você deixe de acreditar num modo de vida à margem do mercado. Ele pede que você acredite ativamente que o regime da oportunidade beneficia não apenas os indivíduos empreendedores, mas a sociedade como um todo – e, tudo somado, este é um salto de lógica e de fé muito maior.

Na história como contada pelo capitalismo, a coletividade inteira se beneficiará se nenhum indivíduo deixar passar uma oportunidade. Se você tirar vantagem, a vantagem se devolverá magicamente ao mundo. É um dogma improvável mas conveniente: nada é mais confortador do que imaginar que os outros se beneficiarão do meu egoísmo. Nesse modo de ver o mundo minha mesquinhez é normalizada. Sinto-me autorizado para tirar vantagem de quaisquer cenários: minha fé neutraliza a minha canalhice, confortando-me com a crença de que outros benefícios (alguns dos quais não saberei nem ao menos prever) brotarão espontaneamente sociedade afora. Pode parecer que estou pensando só em mim, mas de algum modo misterioso você está ganhando também.

É tudo uma lorota, evidentemente. Na prática o regime capitalista acentua as desigualdades em vez de distribuir a equidade, mas essas discrepâncias são escondidas debaixo do dogma da oportunidade. É revelador que o capitalismo prefira ser chamado de liberalismo econômico; ele quer estar associado não à desigualdade universal que ocasiona, mas à liberdade universal que apregoa. Na fantasia capitalista de um universo de agentes livres inteiramente cercados de oportunidades, ninguém além de você deve sentir-se responsável pela sua pobreza, pelo seu fracasso, pela sua inadequação. Não culpe o sistema, argumentam os defensores do sistema, porque as oportunidades estão aí.

Uma mentalidade penitenciária

O modelo do homem econômico-racional e a história de que a sociedade se beneficia do consumo contínuo de oportunidades têm alternativas e têm críticos. O modelo contrastante mais venerável é também um dos mais antigos, aquele da tradição cristã.

O cristianismo apresentou ao ocidente uma narrativa de homens livres que rejeitam a ideia convencional de que oportunidade é igual a valor. O cristianismo na verdade sugere o contrário: que o que chamamos de oportunidade pode esconder desfiguramento e escravidão, e que a coisa grande que gente livre pode fazer é abrir mão de perseguir sem pausa retornos que se provam sempre insatisfatórios, sempre vazios.

Na tradição cristã, como encapsulada nos evangelhos, aquilo que chamamos de oportunidade tende a desumanizar em vez de premiar. Antes de tudo, o modelo cristão não ignora que toda oportunidade tem um custo. Há um custo externo ao indivíduo, que é pago pela natureza ou pelo próximo, mas há um custo pessoal que é via de regra ainda maior. E, como entenderam tanto Jesus quanto Paulo, tanto Nietzsche quanto Derrida, o custo pessoal da oportunidade são culpa e neurose. De que vale ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?

Enxergar o mundo como um universo de oportunidades e de tesouros escondidos parece num primeiro momento uma coisa luminosa e boa. Jesus tratou de demolir essa ilusão em suas histórias e em seu modo de vida.

O grande problema está em que viver no regime das oportunidades requer uma mentalidade penitenciária. Exige não só que reduzamos o mundo a um sistema de punição e de recompensa: requer que punamos sem cessar a nós mesmos com as disciplinas motivadoras da culpa e da neurose.

Entendemos hoje, muito mais do que as pessoas no tempo de Jesus, a culpa de não perseguir adequadamente determinadas oportunidades (produza! maximize! potencialize!), mas as parábolas de Jesus denunciam os mesmos mecanismos psicológicos.

A culpa é o primeiro hábito das pessoas altamente eficazes.

A morte se esconde atrás da vida obcecada com a busca pela recompensa, porque no fim das contas pressupor a recompensa é pressupor o castigo. Quem deseja ser recompensado pela sua performance deseja que o próximo seja castigado na mesma medida pela sua imobilidade. Essa agressividade é internalizada de modos socialmente aceitáveis, isto é, transmuta-se em culpa dentro de cada um. A violência é introjetada, e o grande empreendedor é quem pune constantemente a si mesmo a fim de sujeitar-se à disciplina da oportunidade. A culpa, anote aí, é o primeiro hábito das pessoas altamente eficazes – e se lemos livros sobre como nos tornarmos pessoas mais eficazes é só para alimentarmos a culpa e nos refestelarmos nela.

Para Jesus, onde o modelo acumulador/capitalista finge que há liberdade há somente neurose. Isso fica ilustrado em histórias como a do fazendeiro rico cuja prosperidade se torna paradoxalmente um problema. “Não tenho mais onde armazenar os meus frutos”, ele lamenta, numa versão mundo antigo do que se tornariam First World Problems.

Tudo que ficamos conhecendo desse personagem, e tudo que precisamos saber dele, é o diálogo acentuadamente neurótico que ele tem consigo mesmo:

– Farei o seguinte: derrubarei os meus celeiros e edificarei outros maiores, e ali recolherei todos os meus cereais e os meus bens. E direi à minha alma: “Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe, regala-te.”

Para Jesus, o homem rico vive num mundo imaginário cercado por seguranças imaginárias. Ele crê que está dialogando com a sua prosperidade, mas está na verdade dialogando com o medo e com a culpa: está falando com a própria neurose.

A esse personagem fictício não ocorre a solução que Jesus propôs a um rico do mundo real: distribuir a sua propriedade e os seus bens entre os menos favorecidos do que ele. A um acumulador a solução distributiva não ocorre naturalmente porque, como a parábola do fazendeiro deixa explícito, acumular é em última instância cortejar a morte. É revelador que o protagonista se mostre pronto a destruir aquilo que tem (“derrubarei os meus celeiros e edificarei outros maiores”) a fim de preservar aquilo de que deseja desfrutar. Como explicou-me Judith Butler em sua análise de Melanie Klein: “a fantasia de destruir se torna inseparável do medo de perder aquilo de que nos tornamos absolutamente dependentes”.

Acumular é fingir que a vida requer constantes manutenção e intervenção; é fingir ainda que a vida é suscetível a gerenciamento e pode ser colocada em sujeição, e em todos esses sentidos é cortejar a morte.

O imperativo da oportunidade é obsessão com a morte porque nos faz viver em função não daquilo que temos ou daquilo que ganhamos, mas daquilo que temos medo de perder. E, como mapeado por Freud, o desejo/obsessão de morte pode ser feitor mais exigente e implacável do que o desejo de prazer.

O modelo capitalista insiste que ser livre é ser livre para acumular oportunidades e resultados; para Jesus, ser livre é ser livre para desapegar-se. Ser livre é não ter culpa alguma, débito nenhum e medo de nada. Foi essa a estirpe de liberdade que Jesus desejou para o discípulo cheio de virtudes (isto é, cheio de neuroses) que veio até ele pedir o caminho da salvação, e foi essa a liberdade que o jovem recusou porque era muito rico.

Para Jesus não há verdadeiro mérito na pobreza; o pobre no entanto tem a enorme vantagem de estar livre da riqueza. O pobre não tem medo de perder, e Jesus não entende como alguém poderia não desejar para si essa modalidade extrema de suficiência.

O imperativo da graça

Ninguém na história da cultura ocidental fez mais do que Jesus para demolir o homem econômico e a mentalidade penitenciária.

Há, para começar, o seu modo de vida. No modelo capitalista traçamos o nosso caminho pelas possibilidades vantajosas que se apresentam e não recusamos, e o capitalismo chama esse determinismo de liberdade. Em contraste, o Jesus dos evangelhos controla a sua própria narrativa desviando-se de modo contínuo e deliberado de armadilhas disfarçadas de oportunidades.

Meu amigo Ivan acerta em cheio quando me explica que buscamos líderes dos quais possamos nos servir. Os líderes mais aclamados são os que dão sinais claros de que se deixam mover pelo que move a todos: a ganância, o poder, o desejo de aprovação, o medo da competição.

Não é sem razão que a primeira coisa que vemos Jesus fazer em seu ministério é uma não-coisa: recolher-se para o deserto a fim de resistir a três tentações exemplares – três oportunidades de usar a sua singularidade de modo a moldar-se num líder de atração irresistível para as multidões. “Se você é filho de Deus” – convida vez após vez o diabo, ministrando o seu mais lubrificado workshop de coaching – “dê sinais da sua produtividade”. Ou: “se você tem todo esse potencial, faça alguma coisa com ele, e deixe-me demonstrar no processo que você se deixa conduzir como todos pela neurose, pela culpa e pela agressividade sublimada”.

Para um cara com a fibra Jesus ofertas dessa natureza são menos tentações do que oportunidades que não lhe interessam, mas inauguram a sua história porque são oportunidades que o acompanharão sempre. Estão ali para emblemar que Jesus irá recusar até o fim as enormes vantagens que lhe dariam ser coroado rei, ser reconhecido messias, afirmar polaridades políticas, associar-se a uma determinada elite, evitar ser visto com determinadas pessoas, formar um exército, condenar um inimigo estratégico comum. Ele desenhava a sua liberdade pelas oportunidades que, aos olhos de gente condicionada, continuamente desperdiçava.

A primeira preocupação de Jesus era, portanto, não desumanizar a si mesmo, e essa sua disciplina lhe dava cacife para não desumanizar a ninguém.

Pois era no seu trato com as pessoas que Jesus demonstrava operar à parte da mentalidade penitenciária que condicionava todos ao seu redor.

Sem darmos atenção a isso, classificamos naturalmente as pessoas entre as que merecem paparicação e as que merecem desprezo. Aos notáveis rendemos recompensa, os vis pagamos com hostilidade ou indiferença. De um modo ou de outro, essa lógica judiciária nos faz viver como juízes e algozes: pelas nuances do nosso tratamento colocamos cada pessoa no seu devido lugar, até mesmo nós mesmos, distribuindo punição e recompensa e tratando cada um em conformidade com o seu rótulo.

O Jesus dos evangelhos é um sujeito inteiramente livre desse condicionamento neurótico e neurotizante. Para perplexidade de todos, ele tratava todos como gente, sem oferecer descontos e sem controlar débitos. Para ele não fazia diferença se você era uma prostituta ou um rei, um religioso venerado por todos ou um leproso banido de todas as convivências, um sacerdote de ficha limpa ou um recolhedor corrupto de taxas governamentais. Todos ele tratava a partir não de créditos ou débitos, mas de um lastro de humanidade comum, sem barganhas e sem condescendência.

A condenação da mentalidade penitenciária é aspecto fundamental também do seu ensino, a começar do próprio Sermão do Monte. Não julguem é sua primeira e última palavra.

Porém Jesus não ignora que para deixar de julgar os outros é preciso que abandonemos as nossas próprias culpas e neuroses: é preciso que deixemos de julgar a nós mesmos, abandonando o papel de feitores da nossa própria servidão.

Este é o sentido da chegada anunciada do reino de Deus, um domínio de mudança de vida/metanoia porque nele todos os débitos que vigoravam anteriormente se veem miraculosamente perdoados. O resultado esperado do perdão universal dos débitos é uma vida de integral humanidade para todos os homens. Quem não deve nada a ninguém não precisa provar nada a si mesmo: pode viver finalmente livre dos demônios da culpa e da neurose.

Essa é uma vida tão nova que deve ser aprendida e inteiramente recolonizada. Será necessário olhar ao redor de modo a encontrar e assimilar novos modelos. Olhar as aves do céu, que não acumulam recursos e não perdem nada com isso. Deixar de chamar de rico a quem enterra tesouros, e passar a chamar de rico o vagabundo que passa a tarde sobre a relva ouvindo a música das flores. Deixar que passem boiando gordas oportunidades pelo rio da vida, e aprender a lamentar a sorte dos infelizes que vão querer pescá-las corrente abaixo. Deixar de pensar em termos de escassez, e passar a chamar Deus de Pai. Deixar de se preocupar com o dia de amanhã; não porque vai dar tudo certo, mas precisamente porque a preocupação nada garante e nada remedia: basta a cada dia o seu mal.

As parábolas de Jesus, praticamente todas elas, exploram aspectos dos desafios da vida no reino de Deus: uma vida de amor fruido e não condicionado, livre de desejo e de temor, livre de julgamentos e de neuras.

Das parábolas que revisam a lógica penitenciária tradicional, nenhuma é mais eloquente e cuidadosamente estruturada do que a história do Filho Pródigo.

O filho mais novo, que pede ao pai a sua parte da herança, encarna o aspecto externalizado da neurose da oportunidade: o rapaz tem pavor de perder o bonde da juventude, e não se envergonha de pedir um adiantamento que o permita desfrutá-la agora mesmo. Sua trajetória longe de casa, no entanto, é autodestrutiva e fortemente determinada pela culpa. Sua reflexão antes de voltar para casa reflete uma lógica rigorosamente penitenciária: ele sabe que colocou tudo a perder, por isso nada mais será como era. Ele é um sujeito que levou muito a sério o chamado da oportunidade, por isso quer ser visto como alguém pronto a prestar contas dos seus atos. Como para ele o dinheiro é muito importante, ele quer se mostrar uma pessoa contável, calculável, que entende que tudo tem um preço. Antes de ser punido pelo pai ele já está se penitenciando e colocando-se no seu devido lugar:

Levantar-me-ei, irei ter com meu pai e direi a ele: “Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados”.

Ele por certo não tinha como prever o amor revoltante do pai, que espera o seu retorno com os olhos na estrada, pronto para derramar-lhe nas costas não o peso de impensáveis débitos mas um abraço da mais incondicional aceitação. O pródigo que queria ser premiado com uma punição é esbofeteado com uma festa. E enquanto todos dançam o leitor reflete que ninguém neste mundo está preparado para uma mentalidade não-penitenciária, nem mesmo e em primeiro lugar os que são beneficiados por ela.

Mas a história não acabou, porque o filho mais velho volta de trabalhar no campo e é surpreendido por uma confluência de circunstâncias que ele não esperava ver juntas nesta vida: a volta do irmão rebelde e uma festa na casa do pai.

Quando o fazendeiro sai novamente de casa, desta vez para perguntar ao filho mais velho porque ele não vem juntar-se à celebração, o filho derrama:

Há tantos anos te sirvo, e nunca transgredi um mandamento teu; apesar disso nunca me deste um cabrito para eu festejar com os meus amigos.

A reviravolta reside nisso, que o filho que tomávamos por leal escolhera se definir ele mesmo pelas oportunidades que acreditava que estava perdendo. Em vez de externalizar a frustração e a agressividade, como tinha feito o irmão, o filho mais velho as tinha reprimido. A despeito da lealdade aparente ele mesmo operava sob a lógica penitenciária, crendo que sua vida inteira consistia numa punição.

Na narrativa o pai representa o Não-condicionado, inteiramente incapaz de reduzir a realidade a um universo judiciário de punição e de recompensa, de perdas e ganhos. Como não enxerga a vida como uma torrente de oportunidades que não convém perder, ele absolutamente não entende que alguma coisa tenha se perdido; não quando todos estão vivos, desfrutam de um mesmo patrimônio de humanidade e podem todos dançar debaixo de uma mesma festa.

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Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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