Lutero alerta os alemães • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 02 de dezembro de 2005

Lutero alerta os alemães

Estocado em Divino preconceito · Documentos · História

Dos panfletos que Martinho Lutero escreveu contra os judeus o Shem Hamphoras talvez seja o mais virulento. Estou pensando em traduzir, com fins históricos e educativos e em doses homeopáticas, pelo menos parte dele. A minha é uma tradução da tradução literal de Gerhard Falk, que por sua vez trabalhou a partir do truncado original alemão: Von Schem Hamphoras und vom Geschlecht Christi – Do Nome Oculto e das Gerações de Cristo.

Antes que passe pela sua cabeça que concordo com o que está sendo dito aqui, leia todas as advertências em A solução final de Lutero.

Lutero não tinha como estar pensando nos nazistas quando escreveu 400 anos antes deles, mas não há como saber: talvez os nazistas estivessem pensando em Lutero quando colocaram-no em prática 400 anos depois.


“Não é minha opinião que eu possa escrever aos judeus na esperança de convertê-los.”

1. No meu último panfleto (Sobre os Judeus e Suas Mentiras) anunciei que irei de agora em diante ignorar aquilo que os ferozes e miseráveis judeus mentem a respeito do seu Shem Hamphoras1, conforme descrito por Purchetus em seu livro Victoria.

Isso tenho feito em honra da nossa fé e em oposição às mentiras diabólicas dos judeus, de modo que aqueles que querem tornar-se judeus possam ver em que espécie de dogmas “magníficos” deverão acreditar e terão de observar entre os malditos judeus.

“Um coração de judeu é duro como pedra, e não pode ser movido por quaisquer meios.”

Pois, conforme estipulei claramente naquele panfleto, não é minha opinião que eu possa escrever aos judeus na esperança de convertê-los. Eis porque não dei àquele panfleto o nome de Contra os Judeus, mas Contra os Judeus e Suas Mentiras, para que os alemães possam conhecer através da evidência histórica o que é um judeu, de modo a poderem alertar nossos cristãos contra eles da mesma forma que os alertamos contra o próprio Diabo, a fim de fortalecermos e honrarmos nossa crença; não para converter os judeus, o que seria quase tão impossível quanto converter o Diabo.

2. Pois da mesma forma que devemos ensinar e escrever a respeito do Diabo, do inferno e da morte e do pecado, o que eles são e o que podem ser, assim escrevo sobre os judeus para que possamos nos guardar de todos esses. Não que possamos fazer do Diabo um anjo, do inferno um céu, da morte vida, ou, do pecado, santidade. Todas essas coisas são impossíveis.

“Ainda que os judeus fossem punidos da forma mais cruenta, de modo que as ruas se enchessem do seu sangue e seus mortos não pudessem ser contados, não na ordem de milhares mas na de milhões.”

Um judeu ou um coração de judeu é duro como pedra e como ferro, e não pode ser movido por quaisquer meios. Mesmo se Moisés e os profetas viessem e fizessem todas as suas maravilhosas obras diante dos seus olhos, como fizeram Cristo e os apóstolos, para que abandonassem a sua insensatez, seria ainda assim inútil.

Ainda que eles fossem punidos da forma mais cruenta, de modo que as ruas se enchessem do seu sangue e seus mortos não pudessem ser contados, não na ordem de milhares mas na de milhões, como aconteceu sob Vespasiano em Jerusalém e para pior sob Adriano, ainda assim afirmariam estarem certos, mesmo se depois desses 1.500 anos vivessem em miséria por outros 1.500. Ainda assim Deus é mentiroso e eles estão certos.

Em suma, são eles filhos do Diabo condenados ao inferno; se, no entanto, algo de humano restar ainda neles, talvez este ensaio possa lhes ser útil e gerar algum bem. Alguns, que têm essa inclinação, podem esperar o melhor de toda essa corja, da forma como desejam. Eu não vejo mais ali qualquer esperança, e não conheço qualquer escritura que fale a respeito dessa esperança. Não conseguimos nem ao menos converter a maioria dos cristãos, sendo obrigados a nos satisfazermos com um pequeno número; muito mais impossível, portanto, será converter os filhos do Diabo. Embora haja muitos que derivem, a partir do décimo-primeiro capítulo da epístola aos Romanos, a insana noção de que todos os judeus forçosamente se converterão, na verdade não é assim. São Paulo falava de algo bem diferente.

Março de 1543, Doutor Martinho Lutero
Falk, Gerhard, The Jews in Christian Theology: Martin Luther’s Anti-Jewish “Vom Shem Hamphoras” (Jefferson, N. C. and London: McFarland & Company, 1992)

1 Shem Hamphoras – hebraico para “nome oculto” ou “nome impronunciável”: o nome secreto de Deus. Lutero escreveu este panfleto motivado pelo conteúdo do livro de Purchetus, que acusava os judeus de alegarem que Jesus usou o nome secreto de Deus, em conjunção com artes mágicas, para realizar os seus milagres.

Veja também:

A solução final de Lutero

Visualizando o outro: Representações de judeus na Alemanha Nazista

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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