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	<title>A Bacia das Almas</title>
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	<description>ONDE AS IDÉIAS NÃO DESCANSAM</description>
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		<title>A graça dos vasos comunicantes</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Aug 2010 15:56:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuscritos]]></category>
		<category><![CDATA[reino de deus]]></category>

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		<description><![CDATA[Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho lhe dou.

&#160;
Viver é administrar critérios, e critérios correspondem, grosso modo, às distâncias que estendemos entre nós mesmos e os demais. Num sentido muito profundo, sentimos que somos definidos pelos nossos critérios; efetivamente cremos que somos a soma das distâncias que estabelecemos entre nós e cada outro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><small>Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho lhe dou.<br />
</small></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Viver é administrar critérios, e critérios correspondem, grosso modo, às distâncias que estendemos entre nós mesmos e os demais. Num sentido muito profundo, sentimos que somos definidos pelos nossos critérios; efetivamente cremos que somos a soma das distâncias que estabelecemos entre nós e cada outro que povoa o nosso universo.</p>
<p>E não se trata apenas aquilo que sentimos que somos. Os critérios não apenas nos definem e nos protegem; na prática, tudo que acumulamos, realizamos e &#8220;construímos&#8221; ao longo da vida é fruto direto de nossa habilidade de gerenciar, articular e manipular as distâncias que nos distinguem dos demais.</p>
<p>Desde a infância somos ensinados não apenas a celebrar essas distâncias, mas a usá-las continuamente em nosso favor. Os mais jovens são ensinados a usar sua juventude contra os mais velhos, e os velhos sua experiência contra os mais novos; os talentosos usam seus talentos de modo a invalidar os medíocres, e os medíocres imitam com sucesso o talento quando percebem o quanto é fácil vender a mediocridade.</p>
<p>Os livros que prometem &#8220;Como ficar rico em pouco tempo&#8221; limitam-se a ensinar descaradamente o que todos fazemos em oculto: comece com uma pequena distância, um pequeno diferencial que o distinga da massa, e use/manipule os critérios dos outros de modo a transformá-la numa grande distância. Enriquecer e fazer fama não são outra coisa que consolidar a distância entre nós mesmos e os outros, e o mundo não faz outra coisa senão dizer que isso é uma coisa boa e desejável.</p>
<p>O mundo dos homens está finamente equilibrado sobre essas colunas de sensatez, mas de vez em quando caminham entre nossas pernas gigantes incômodos que invalidam por completo nossos critérios, e fazem isso basicamente ignorando-os. São gente minúscula e, segundo os critérios deste mundo, desprezível &#8211; mas em sua gentil insubmissão são inteiramente capaz de derrubar-nos dos terraços que construímos para nossas pretensões.</p>
<p>Sócrates foi um desses e Gandhi foi um desses, mas de modo geral gigantes desse porte não deixam herança, e essa sua infertilidade representa a tranquilidade do mundo e nossa paz. Nesse sentido, a singularidade do Filho do Homem e sua espada residem em ter colocado em movimento um reino vivo e sem fronteiras, habitado por gente comum, definido precisamente pela disciplina da inclusão. O avanço sem impedimentos desse movimento representaria a ruína do mundo como o conhecemos, porque a disciplina da inclusão está fundamentada no completo abandono daquilo que o mundo toma por absolutamente fundamental: nossos critérios, e com eles as distâncias reais e imaginárias que representam.</p>
<p>Pedro e João, incrivelmente, são agora portadores dessa contaminação e representantes dessa ameaça. Sua missão não é, como a de todos os homens, a de acentuar as distâncias e diferenças entre si mesmos e os outros, mas precisamente o oposto.</p>
<p>Os colonos do reino são eliminadores de distâncias, e isso retêm em comum com o seu Desbravador. É por isso que sua primeira medida prática, como vimos, foi diluir num esforço distributivo radical as falsas distinções projetadas pela riqueza. Agora, muito claramente o dinheiro não tem como se interpor no caminho da sua missão. &#8220;Não tenho prata nem ouro&#8221;, eles professam &#8211; e é absolutamente afortunado que seja assim, porque o dinheiro é a coisa mais barata que se pode dar a qualquer um.</p>
<p>Se fosse diferente &#8211; se Pedro e João de fato tivessem prata e ouro para consolar a sua consciência e a necessidade do homem na porta do templo, nenhuma distância estaria sendo eliminada. Ao contrário, o espaço imaginário que os distinguia/separava daquele homem só teria sido acentuado, como acontece conosco quando pensamos que há verdadeira generosidade em estender uma moeda a quem quer que seja.</p>
<p>Os habitantes do reino, no entanto, estão inteiramente preparados a ter nada a perder, de modo a terem constantemente tudo a oferecer. Quando estendem a mão ao homem necessitado, Pedro e João estão sem exagero dando tudo que tem e que são. De fato, &#8220;o que tenho lhe dou&#8221;: completa aceitação, completa fraternidade, completo equilíbrio de recursos e de forças. A comunhão de que desfrutam entre si, dois homens estendem sem reservas a um terceiro. Tomam-lhe pela mão e com isso lhe dizem: &#8220;você não é um homem que vive de esmolas; a distância que os outros estabeleceram para proteger-se da sua condição é uma farsa. Você é um ser humano; você é um de nós&#8221;.</p>
<p>E ficará provado que, uma vez que deixamos de fazer a distinção, ela deixa simplesmente de existir. A graça da inclusão se comunica sem critério de um vaso a outro, e onde todos estão cheios não há distância a ser coberta.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug026.gif"></p>
<div class='series_toc'><h3>Rastros dos apóstolos</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/como-perder-jesus-de-vista-no-livro-de-atos/' title='Como perder Jesus de vista no livro de Atos'>Como perder Jesus de vista no livro de Atos</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/ascensao-sem-tregua-das-testemunhas/' title='Ascensão sem trégua das testemunhas'>Ascensão sem trégua das testemunhas</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/a-escassez-seletiva-selecionar-e-interpretar/' title='A escassez seletiva: selecionar é interpretar'>A escassez seletiva: selecionar é interpretar</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/o-jesus-terreno-e-o-cristo-extraterrestre/' title='O Jesus terreno e o Cristo extraterrestre'>O Jesus terreno e o Cristo extraterrestre</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/com-as-mulheres/' title='Com as mulheres'>Com as mulheres</a></li><li><a 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fermentação da morte</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-incubacao-do-espirito/' title='A incubação do espírito'>A incubação do espírito</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/formato-minimo/' title='Formato mínimo'>Formato mínimo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/o-que-se-diz-e-o-que-nao-se-diz/' title='O que se diz é o que não se diz'>O que se diz é o que não se diz</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-linhagem-do-batismo/' title='A linhagem do batismo'>A linhagem do batismo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/as-transgressoes-do-ceu/' title='As transgressões do céu'>As transgressões do céu</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/um-mundo-alem-do-perdao/' title='Um mundo além do perdão'>Um mundo além do perdão</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/breve-historia-do-arrependimento/' title='Breve história do arrependimento'>Breve história do arrependimento</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/arrepender-se-e-mudar-o-mundo/' title='Arrepender-se é mudar o mundo'>Arrepender-se é mudar o mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/as-possibilidades-do-futuro/' title='As possibilidades do futuro'>As possibilidades do futuro</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/pecar-e-omitir-se/' title='Pecar é omitir-se'>Pecar é omitir-se</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-escandalo-da-hospitalidade/' title='O escândalo da hospitalidade'>O escândalo da hospitalidade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-invencao-do-nao-condicionado/' title='A invenção do não-condicionado'>A invenção do não-condicionado</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-fim-do-mundo/' title='O fim do mundo'>O fim do mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-recursos-necessarios/' title='Os recursos necessários'>Os recursos necessários</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-que-havia-sido-usurpado/' title='O que havia sido usurpado'>O que havia sido usurpado</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-fim-de-todos-os-governos/' title='O fim de todos os governos'>O fim de todos os governos</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-mesa-universal-e-as-redentoras-transgressoes/' title='A mesa universal e as redentoras transgressões'>A mesa universal e as redentoras transgressões</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-ceu-e-inferno/' title='Os discursos ausentes: céu e inferno'>Os discursos ausentes: céu e inferno</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-jesus-morreu-em-seu-lugar-1/' title='Os discursos ausentes: Jesus morreu em seu lugar [1]'>Os discursos ausentes: Jesus morreu em seu lugar [1]</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-jesus-morreu-em-seu-lugar-2/' title='Os discursos ausentes: Jesus morreu em seu lugar [2]'>Os discursos ausentes: Jesus morreu em seu lugar [2]</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-jesus-vai-voltar/' title='Os discursos ausentes: Jesus vai voltar'>Os discursos ausentes: Jesus vai voltar</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-prosperidade/' title='Os discursos ausentes: prosperidade'>Os discursos ausentes: prosperidade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-jesus-te-ama/' title='Os discursos ausentes: Jesus te ama'>Os discursos ausentes: Jesus te ama</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-palavra-presente/' title='A Palavra presente'>A Palavra presente</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-disciplina-da-inclusao/' title='A disciplina da inclusão'>A disciplina da inclusão</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-acaso-e-o-heroi/' title='O acaso e o herói'>O acaso e o herói</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-divina-soltura/' title='A divina soltura'>A divina soltura</a></li><li>A graça dos vasos comunicantes</li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Communio Sanctorum</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Aug 2010 12:39:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na <a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/communio-sanctorum">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p><center><object height="81" width="100%"><param name="movie" value="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fsoundcloud.com%2Fpaulobrabo%2Fcommunio-sanctorum&#038;secret_url=false"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param> <embed allowscriptaccess="always" height="81" src="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fsoundcloud.com%2Fpaulobrabo%2Fcommunio-sanctorum&#038;secret_url=false" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"></embed></object></center></p>
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		<title>Via del mezzo</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Aug 2010 12:48:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<title>Gatos da Garfagnana</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2010 09:34:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
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		<title>A divina soltura</title>
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		<pubDate>Mon, 23 Aug 2010 03:34:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuscritos]]></category>
		<category><![CDATA[reino de deus]]></category>

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		<description><![CDATA[E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse:
&#8211; Olha para nós.
E ele os olhava atentamente, esperando receber deles alguma coisa.

&#160;
Deus apareceu em forma humana a Hagar, e deixou-lhe entre os dedos uma esperança; comeu pães sem fermento, bezerro e queijo fresco à sombra da árvore de Abraão, que não sabia com quem estava sendo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;"><small>E Pedro, com João, fitando os olhos nele, disse:<br />
&#8211; Olha para nós.<br />
E ele os olhava atentamente, esperando receber deles alguma coisa.<br />
</small></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Deus apareceu em forma humana a Hagar, e deixou-lhe entre os dedos uma esperança; comeu pães sem fermento, bezerro e queijo fresco à sombra da árvore de Abraão, que não sabia com quem estava sendo generoso; engalfinhou-se com Jacó e não partiu sem machucá-lo e abençoá-lo para sempre, sem deixar claro se havia uma diferença; sentou-se debaixo do carvalho e conversou com Gideão, passando por gente comum até que seu cajado tocasse e consumisse os sacrifícios; incógnito, recusou o pão da mesa de Manoá e de sua esposa, mas subiu espetacularmente ao céu com o fogo de suas ofertas.</p>
<p>A porção mais remota da Bíblia fala de um Deus que, mesmo depois de assumir as complicações da sua transgressão, passeava pelo mundo em forma de gente &#8211; precisamente como o monarca das fábulas que andava de vez em quando, disfarçado mas ainda assim notável, entre os plebeus.</p>
<p>Esse hábito divino de caminhar entre os homens sem ser reconhecido ocasiona na narrativa aquilo que James L. Kugel chama de &#8220;momento de confusão&#8221; &#8211; o instante em que gente comum percebe que está diante de uma figura de algum modo formidável, mas antes de entender que está diante de uma divina aparição. É o instante em que Josué, desnorteado pelo homem de espada desembainhada que ameaça no horizonte, vai até ele e pergunta: &#8220;Quem vem lá? É um dos nossos, ou um dos nossos inimigos?&#8221; &#8211; sem saber que no momento seguinte estará prostrado em adoração diante dele.</p>
<p>Porque, quando finalmente reconhecem a identidade desse &#8220;anjo do Senhor&#8221;, os protagonistas dessas histórias tratam-no como se ele fosse o próprio Deus, e não algum mensageiro seu &#8211; e é frequentemente como Deus, e não em nome dele, que a aparição fala de si mesma.</p>
<p>Em alguns casos, como no de Abraão e Jacó, essas divinas aparições nem ao menos são chamadas de anjos: são, mesmo para a narrativa, &#8220;um homem&#8221; &#8211; misterioso, promissor e incômodo como qualquer outro que se coloca no nosso caminho. A reviravolta está em que o que parecem ser meros homens se mostrarão Deus.</p>
<p>Como observa Kugel, a ênfase dos narradores bíblicos nesse momento de confusão não tem como ser casual. Ela serve não apenas para pontuar que Deus de vez em quando interfere na realidade do dia-a-dia, mas para demonstrar que a própria realidade pode ser algo bem diferente do que aparenta: &#8220;não há dois domínios, um temporal e um espiritual [...] O espiritual não é algo distinto, uma outra ordem de existência&#8221;.</p>
<p>O momento de confusão do protagonista está ali para nos ensinar que se não somos capazes de enxergar Deus no cotidiano isso pode muito bem ser falha da nossa percepção, e não daquilo que cremos ser uma divina ausência.</p>
<p>Com o passar das páginas e dos séculos, no entanto, essa divindade que costumava aparecer em forma  corpórea vai assumindo um recato cada vez mais acentuado. Deus deixa de se disfarçar de ser humano e de ser visto entre os homens, e vai adotando uma reputação e um caráter cada vez mais espiritual: invisível, inacessível e inteiramente distinto da experiência cotidiana.</p>
<p>Pela metade do Antigo Testamento, Deus já deixou há muito de sentar-se debaixo de árvores, de envolver-se em brigas com fugitivos e de aceitar convites para jantar. É uma divindade cada vez mais incorpórea, e quando finalmente levantam-se os profetas, Deus resumiu-se efetivamente a uma voz &#8211; uma voz que nem mesmo fala através de si mesma, mas pela garganta de intermediários. Ao final do Antigo Testamento, &#8220;E a Palavra do Senhor veio a [tal profeta]&#8221; é aparentemente tudo o que resta da corporeidade de Deus.</p>
<p>Então, sem qualquer aviso e sem um verdadeiro precedente, Jesus pisa o chão descalço da Judeia, e a corporeidade de Deus parece ter sido esplendidamente restituída. Não apenas isso: ao contrário das aparições divinas no Antigo Testamento, Jesus não é apenas o divino assumindo uma sombra ilusória e temporária de humanidade. Antes, ele é declaradamente o Filho do Homem, inteiramente entranhado nas complicações da carne e comprometido com a busca de soluções para elas. Em Jesus, Deus não se recusará a sentar-se à mesa e não fugirá para ao céu diante da mínima ameaça de ser reconhecido. Jesus é um Deus que cospe, que caminha, que chora, que se cansa, que sangra, que tem fome, que tem sede &#8211; mas não só isso: é também um Deus que abraça, que cura, que perdoa, que acompanha, que elogia, que surpreende, que consola, que conversa, que toca feridas que todos recusam-se a olhar, que toma entre as suas mãos imperfeitas, que aceita carinho e não o nega.</p>
<p>Esse Deus insuportavelmente humano se mostra intolerável para uma humanidade corrompida, que não quer que ninguém lhe traga à memória a sua vocação à gentileza. Tratam logo de silenciá-lo, lançando-o no poço da morte, porque sabem que o clamor dos mortos não é capaz de iluminar a cegueira dos vivos.</p>
<p>Morto Jesus, de modo tão prematuro e imperdoável, o plano divino de amolecer a humanidade pela gentileza da sua presença parece ter sido frustrado definitivamente. Na morte de Jesus, o diabo mostra a Deus quem é que manda aqui embaixo, e esfrega-lhe na face a absoluta lealdade dos homens à perversidade e à mesquinhez.</p>
<p>Mas, então, impensavelmente, a semente que morreu lança do seio da terra as primeiras folhas de uma exuberância jamais vista. A gentileza de um único homem, fica demonstrado além de qualquer dúvida, havia bastado para amolecer no caldo do espírito o coração de mais de cem. No Pentecostes fica claro não apenas que a voz divina ninguém pode calar, mas também que <em>o corpo divino</em> ninguém pode deter.</p>
<p>A comunidade do reino é a multiplicação de Cristo e sua restituição ao mundo. Nesses vasos de carne que transbordam do espírito, Deus volta a andar pela terra em forma de gente.</p>
<p>Na comunidade do reino, Deus deixa de estar confinado ao céu, mas desfruta da graça e das responsabilidades de uma definitiva soltura. Deus deixa de estar confinado a um único corpo que pode ser eliminado, mas passa a transtornar o mundo mediante uma infinidade de mãos e de pés. Deus deixa de estar confinado ao templo, mas passa a caminhar em todos os lugares onde repousam os excluídos e os marginais, do lado de fora de todas as Portas Formosas.</p>
<p>As portas do templo não prevalecerão contra essa igreja, porque o mundo exterior e o interior de cada homem, cada aspecto da experiência física e espiritual, está destinada a ser transtornada em reino de Deus.</p>
<p>Paulo, uma vez banhado nessa realidade, não hesitará em chamar a igreja de Corpo de Cristo &#8211; descrição que seria blasfema se não fosse absolutamente precisa. A igreja é igreja quando é Jesus: um corpo lidando com corpos.</p>
<p>Agora Pedro e João olham com olhos de carne para um homem de carne, e logo lhe tomarão pela mão, a mão direita.</p>
<p>Deus está agora à solta, e salve-se quem puder.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug026.gif"></p>
<div class='series_toc'><h3>Rastros dos apóstolos</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/como-perder-jesus-de-vista-no-livro-de-atos/' title='Como perder Jesus de vista no livro de Atos'>Como perder Jesus de vista no livro de Atos</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/ascensao-sem-tregua-das-testemunhas/' title='Ascensão sem trégua das testemunhas'>Ascensão sem trégua das testemunhas</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/a-escassez-seletiva-selecionar-e-interpretar/' title='A escassez seletiva: selecionar é interpretar'>A escassez seletiva: selecionar é interpretar</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/o-jesus-terreno-e-o-cristo-extraterrestre/' title='O Jesus terreno e o Cristo extraterrestre'>O Jesus terreno e o Cristo extraterrestre</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/com-as-mulheres/' title='Com as mulheres'>Com as mulheres</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/como-reconhecer-entre-dois-discipulos-um-apostolo/' title='Como reconhecer, entre dois discípulos, um apóstolo'>Como reconhecer, entre dois discípulos, um apóstolo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/a-plenitude-dos-tempos/' title='A plenitude dos tempos'>A plenitude dos tempos</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/a-verdadeira-mensagem/' title='A verdadeira mensagem'>A verdadeira mensagem</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-lucidez-profetica/' title='A lucidez profética'>A lucidez profética</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-vexacao-de-satanas/' title='A vexação de Satanás'>A vexação de Satanás</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-volta-ao-que-poderia-ter-sido/' title='A volta ao que poderia ter sido'>A volta ao que poderia ter sido</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-fermentacao-da-morte/' title='A fermentação da morte'>A fermentação da morte</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-incubacao-do-espirito/' title='A incubação do espírito'>A incubação do espírito</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/formato-minimo/' title='Formato mínimo'>Formato mínimo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/o-que-se-diz-e-o-que-nao-se-diz/' title='O que se diz é o que não se diz'>O que se diz é o que não se diz</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-linhagem-do-batismo/' title='A linhagem do batismo'>A linhagem do batismo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/as-transgressoes-do-ceu/' title='As transgressões do céu'>As transgressões do céu</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/um-mundo-alem-do-perdao/' title='Um mundo além do perdão'>Um mundo além do perdão</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/breve-historia-do-arrependimento/' title='Breve história do arrependimento'>Breve história do arrependimento</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/arrepender-se-e-mudar-o-mundo/' title='Arrepender-se é mudar o mundo'>Arrepender-se é mudar o mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/as-possibilidades-do-futuro/' title='As possibilidades do futuro'>As possibilidades do futuro</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/pecar-e-omitir-se/' title='Pecar é omitir-se'>Pecar é omitir-se</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-escandalo-da-hospitalidade/' title='O escândalo da hospitalidade'>O escândalo da hospitalidade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-invencao-do-nao-condicionado/' title='A invenção do não-condicionado'>A invenção do não-condicionado</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-fim-do-mundo/' title='O fim do mundo'>O fim do mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-recursos-necessarios/' title='Os recursos necessários'>Os recursos necessários</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-que-havia-sido-usurpado/' title='O que havia sido usurpado'>O que havia sido usurpado</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-fim-de-todos-os-governos/' title='O fim de todos os governos'>O fim de todos os governos</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-mesa-universal-e-as-redentoras-transgressoes/' title='A mesa universal e as redentoras transgressões'>A mesa universal e as redentoras transgressões</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-ceu-e-inferno/' title='Os discursos ausentes: céu e inferno'>Os discursos ausentes: céu e inferno</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-jesus-morreu-em-seu-lugar-1/' title='Os discursos ausentes: Jesus morreu em seu lugar [1]'>Os discursos ausentes: Jesus morreu em seu lugar [1]</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-jesus-morreu-em-seu-lugar-2/' title='Os discursos ausentes: Jesus morreu em seu lugar [2]'>Os discursos ausentes: Jesus morreu em seu lugar [2]</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-jesus-vai-voltar/' title='Os discursos ausentes: Jesus vai voltar'>Os discursos ausentes: Jesus vai voltar</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-prosperidade/' title='Os discursos ausentes: prosperidade'>Os discursos ausentes: prosperidade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-jesus-te-ama/' title='Os discursos ausentes: Jesus te ama'>Os discursos ausentes: Jesus te ama</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-palavra-presente/' title='A Palavra presente'>A Palavra presente</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-disciplina-da-inclusao/' title='A disciplina da inclusão'>A disciplina da inclusão</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-acaso-e-o-heroi/' title='O acaso e o herói'>O acaso e o herói</a></li><li>A divina soltura</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-graca-dos-vasos-comunicantes/' title='A graça dos vasos comunicantes'>A graça dos vasos comunicantes</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Una confesión necesaria</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Aug 2010 05:02:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuscritos]]></category>
		<category><![CDATA[The Net]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>

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		<description><![CDATA[El otro día un cristiano, alterado por la precariedad de mi profesión de fe, me llevó a un rincón y me pidió que admitiera de una vez por todas si creo en el cielo y el infierno, la resurrección y la naturaleza dual, en el cielo y en el lago fuego, en la divinidad de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>El otro día un cristiano, alterado por la precariedad de mi profesión de fe, me llevó a un rincón y me pidió que admitiera de una vez por todas si creo en el cielo y el infierno, la resurrección y la naturaleza dual, en el cielo y en el lago fuego, en la divinidad de Cristo y el nacimiento virginal, en la Trinidad y la creación en siete días, en el regreso de Cristo en las nubes y el Armagedón, en el Anticristo y los cuatro jinetes, en los milagros de Jesús y las plagas de Egipto, en el juicio y la vida eterna.</p>
<p>La respuesta ya la tenía lista, y no se asombre de verme usándola nuevamente:</p>
<p>&#8211; Conozco gente mucho mejor que yo &#8211; dije &#8211; que cree en cosas mucho peores.</p>
<p align="right"><small><a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/uma-confissao-necessaria/">Este meu texto</a>,<br />
vertido por <a href="http://sospechandorumbos.blogspot.com/2010/08/pero-crees-en.html">Héctor Moreno</a></small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug027.gif"></p>
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		<title>Quando prêmios bons acontecem a pessoas ruins</title>
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		<comments>http://www.baciadasalmas.com/2010/quando-premios-bons-acontecem-a-pessoas-ruins/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 20 Aug 2010 13:10:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pormenor]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[os livros da bacia]]></category>

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		<description><![CDATA[Algumas pessoas que são pagas para ler livros acharam por bem associar o meu nome a uma premiação. E aparentemente cometeram o engano mais de uma vez:
Paulo Brabo contra o Prêmio Areté
&#160;
Também aqui.
E aqui.
E aqui.
* * *
Prêmio Areté 2010
Associação dos Editores Cristãos
Melhor livro de vida cristã aplicada
Em 6 passos o que faria Jesus
Melhor livro de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Algumas pessoas que são pagas para ler livros acharam por bem associar o meu nome a uma premiação. E aparentemente cometeram o engano mais de uma vez:</p>
<p><center><strong><a href="http://www.creio.com.br/2008/noticias01.asp?noticia=10030">Paulo Brabo contra o Prêmio Areté</a></strong></center></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Também <a href="http://yfrog.com/b99gijj">aqui</a>.</p>
<p>E <a href="http://garimpoeditorial.blogspot.com/2010/08/um-ano-de-vida-na-primeira-semana-de.html">aqui</a>.</p>
<p>E <a href="http://www.mundocristao.com.br/noticiasdet.asp?cod_not=254">aqui</a>.</p>
<h5>* * *</h5>
<p><strong>Prêmio Areté 2010</strong><br />
<em>Associação dos Editores Cristãos</em></p>
<p><small><strong>Melhor livro de vida cristã aplicada</strong></small><br />
<a href="http://www.garimpoeditorial.com.br/hotsite_em6passos/index.html">Em 6 passos o que faria Jesus</a></p>
<p><small><strong>Melhor livro de contos e crônicas</strong></small><br />
<a href="http://www.mundocristao.com.br/produtosdet.asp?cod_produto=10721&#038;cod_categoria=150">A bacia das almas</a></p>
<p><small><strong>Melhor autor nacional</strong></small><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/livros/">Paulo Brabo</a></p>
<p><small><strong>Livro do ano</strong></small><br />
<a href="http://www.mundocristao.com.br/produtosdet.asp?cod_produto=10721&#038;cod_categoria=150">A bacia das almas</a></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug028.gif"></p>
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		<title>A arte de ser simples</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 05:43:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[jung]]></category>

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		<description><![CDATA[As coisas simples são sempre as mais difíceis. 
A arte de ser simples é a mais elevada, e do mesmo modo aceitar-se a si mesmo é a essência do problema moral e o cerne de toda uma visão de mundo. Que eu alimente um mendigo, que perdoe uma ofensa, que ame um inimigo em nome [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As coisas simples são sempre as mais difíceis. </p>
<p>A arte de ser simples é a mais elevada, e do mesmo modo aceitar-se a si mesmo é a essência do problema moral e o cerne de toda uma visão de mundo. Que eu alimente um mendigo, que perdoe uma ofensa, que ame um inimigo em nome de Cristo, são todas sem dúvida grandes virtudes. Aquilo que faço ao menor de meus irmãos estou fazendo a Cristo.</p>
<p>Mas e se eu acabar descobrindo que o menor de todos, o mais pobre dos mendigos, o mais acusado de todos os ofensores e o próprio grande adversário residem dentro de mim, e que eu mesmo careço de minha própria bondade? Que sou eu mesmo o inimigo que deve ser amado? E então?</p>
<p>Portanto, regra geral, toda a verdade do cristianismo é revertida, e não se aplica qualquer discurso de amor e longanimidade. Dizemos ao irmão dentro de nós: &#8220;Raca!&#8221; e infligimos condenação e fúria sobre nós mesmos. Escondemos do mundo o irmão interior, negamos ter jamais conhecido esse menor dos menores dentro de nós, e se o próprio Deus se aproximasse de nós nessa forma desprezível &#8211; a nossa forma &#8211; teríamo-lo negado mil vezes antes que cantasse um único galo.</p>
<p align="right"><small><strong>Carl Jung</strong><br />
em <em>Psicoterapeutas ou o clero</em></small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug029.gif"></p>
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		<title>Exeunt</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Aug 2010 08:48:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[MP3]]></category>
		<category><![CDATA[software]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na página da Bacia na internet.
 
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na <a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/exeunt">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p><center><object height="81" width="100%"><param name="movie" value="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fsoundcloud.com%2Fpaulobrabo%2Fexeunt&#038;secret_url=false"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param> <embed allowscriptaccess="always" height="81" src="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fsoundcloud.com%2Fpaulobrabo%2Fexeunt&#038;secret_url=false" type="application/x-shockwave-flash" width="100%"></embed></object></center></p>
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		<title>Mcluhaniana</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Aug 2010 12:22:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>

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		<description><![CDATA[   

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/5914152"><br />
   <img src="http://www.23hq.com/23666/5914152_fa88059e5973d1dafa6ec7dce4b03bbd_standard.jpg" height="345" width="460" /><br />
</a></center></p>
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		<title>Una legenda</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Aug 2010 03:01:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>

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		<description><![CDATA[&#160;

[Visite a Bacia para ouvir o áudio]
Existe uma lenda romana
Ligada a esta antiga fonte
Segundo a qual se você coloca uma moedinha
Constrange o destino a lhe fazer retornar
&#160;
&#160;

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<p><span id="more-2333"></span></p>
<p><center>[Visite a Bacia para ouvir o áudio]</center></p>
<p>Existe uma lenda romana<br />
Ligada a esta antiga fonte<br />
Segundo a qual se você coloca uma moedinha<br />
Constrange o destino a lhe fazer retornar</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2010/destino.jpg" alt="" /></p>
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		<title>Entra neste jovem movimento</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Aug 2010 08:05:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[1970s]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>

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		<description><![CDATA[
Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na página da Bacia na internet.
[Visite a Bacia para ouvir o áudio]
]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><center><img src="http://www.23hq.com/23666/5894821_8464af9a1ef66efeb3ef291592ebd63a_large.jpg"></center></p>
<p><span id="more-2338"></span></p>
<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na <a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/entra-neste-jovem-movimento">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p><center>[Visite a Bacia para ouvir o áudio]</center></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Só a dúvida brilhará</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2010/so-a-duvida-brilhara/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 Aug 2010 03:12:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>

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		<description><![CDATA[Príncipes, poderosos, espíritos imortais, sede bem-vindos!
Eis os motivos da festa que hoje pretendo realizar convosco: Fausto, um atrevido mortal, que como nós contesta o Eterno e, pela força de seu espírito, quer tornar-se digno de morar conosco no inferno, descobriu a arte de multiplicar com facilidade milhares e milhares de vezes os livros, esse perigoso [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Príncipes, poderosos, espíritos imortais, sede bem-vindos!</p>
<p>Eis os motivos da festa que hoje pretendo realizar convosco: Fausto, um atrevido mortal, que como nós contesta o Eterno e, pela força de seu espírito, quer tornar-se digno de morar conosco no inferno, descobriu a arte de multiplicar com facilidade milhares e milhares de vezes os livros, esse perigoso entretenimento dos homens, propagadores da demência, dos enganos, das mentiras e do terror, fonte do orgulho e mãe da trágica dúvida.</p>
<p>Até aqui, devido a seu elevado preço, eles haviam sido privilégio dos ricos, enchendo-os de vaidade e afastando-os da simplicidade e humildade exigidas pelo Eterno, que colocara esses sentimentos em seu coração para sua felicidade. Triunfo! Em breve, o perigoso veneno da sabedoria e da ciência contaminará a todos! Loucura, dúvida e intranquilidade e novas necessidades alastrar-se-ão, e eu duvido que meu terrível reino possa abarcar todos aqueles <span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">Sua fantasia inflamar-se-á para criar milhares de novas necessidades.</span>que serão contaminados por esse veneno sedutor.</p>
<p>Essa seria, por enquanto, apenas uma pequena vitória em comparação com o que prevejo para um futuro remoto, que para nós representa apenas uma volta dos ponteiros. </p>
<p>Aproxima-se o tempo em que os pensamentos e opiniões de ousados renovadores e críticos do antigo sejam contagiados pela descoberta de Fausto como a peste. Surgirão pretensos reformadores do céu e da terra, cujos ensinamentos, pela facilidade de comunicação, atingirão até a choça do mendigo. Eles pensarão estar prestando serviço à humanidade e evitando que sua mensagem de salvação e esperança seja mal interpretada; mas quando e por quanto tempo é o homem capaz de praticar o bem? O homem é tentado mais facilmente a praticar abusos e más ações em nome de suas mais puras aspirações do que pelo pecado propriamente dito. </p>
<p>O povo escolhido, que o Todo-Poderoso quis salvar para sempre do inferno, através de um terrível milagre, se baterá em guerras sangrentas por ideias que ninguém entende e dilacerar-se-á como os animais selvagens. Horrores que superam qualquer loucura que os homens tenham cometido devastarão a Europa. Acolheremos criminosos carregados de culpas que nem sequer se enquadram nos castigamos que aplicamos até agora.</p>
<p>Os pilares da religião, tão temida por nós, se desmoronam, e, se o Eterno não socorrer a estrutura decadente através de novos milagres, ela desaparecerá da face da Terra, e nós seremos novamente idolatrados nos templos como deuses. Até que ponto chegará o espírito do homem, quando ele começar a refletir sobre o que até agora tivera por sagrado? Ele dançará sobre o túmulo do tirano diante do qual tremera ainda ontem; arrasará o altar no qual fizera sacrifícios no momento em que procurar, à sua maneira, o caminho da felicidade.</p>
<p>Quem poderá algemar o seu espírito irrequieto por milhares de anos? Poderá o Criador impedir que um único homem se aproxime muito mais do nosso reino do que do seu, só porque o criou? O homem abusa de tudo, da força de seu espírito e de seu corpo; de tudo que ele vê, ouve, prova, sente ou pensa, daquilo com que se diverte ou daquilo com que se ocupa seriamente. Não satisfeito em destruir e desfigurar aquilo que está a seu alcance, deixa-se levar pelas asas da fantasia a mundos desconhecidos, desfigurando-os em sua imaginação. O homem é capaz de trocar até mesmo a liberdade, seu mais precioso bem, que lhe custou rios de sangue, por ouro, prazeres e ilusões, quando mal chegou a conhecê-la. </p>
<p>Fatigado de crimes e guerras sangrentas, descansará por um momento, e seu ódio se manifestará apenas secretamente. Alguns valer-se-ão desse ódio para, em nome da verdade, se vingarem daqueles que discordem da sua fé, queimando-os em fogueiras. Outros procurarão desvendar os mistérios e enigmas indecifráveis, e os filhos das trevas lutarão ousadamente pela busca da luz.</p>
<p>Sua fantasia inflamar-se-á para criar milhares de novas necessidades. Para escrever um livro que lhes traga fama e ouro, não hesitarão em pisotear a verdade, a simplicidade e a religião. Escrever livros tornar-se-á um ofício vulgar, através do qual gênios e charlatões procurarão glória e riqueza, sem preocupar-se com a confusão que irão causar na mente de seus irmãos e o germe de ódio que irão incutir nos inocentes.</p>
<p>O céu, a terra e Aquele que tememos, as forças ocultas da natureza, os motivos obscuros de seus fenômenos, o poder que determina o rumo dos astros e dos cometas, o tempo incomensurável, tudo o que é visível e invisível os homens pretenderão provar, medir e compreender, inventar palavras e números para as coisas inexplicáveis, acumular sistema sobre sistema, até que tenham conseguido atrair as trevas para a Terra, onde só a dúvida brilhará, como o fogo-fátuo que atrai o peregrino para o pântano. Só então pensarão estar vendo a luz, e nesse momento estarei à sua espera! Quando se tiverem descartado da religião, como se fosse lixo, e forem obrigados a criar dos restos uma nova e monstruosa mistura de sabedoria e superstição, então estarei à sua espera! Podereis então abrir as portas do inferno para receber o gênero humano! Durante séculos derramarão sangue sobre a face da Terra em nome Daquele que tememos, e assim o inferno derrotará Aquele que nos jogou aqui, valendo-se de seus próprios favoritos.</p>
<p>Era isso, poderosos, o que eu tinha a dizer-vos. Festejai comigo esse maravilhoso dia e desfrutai antecipadamente a vitória que posso prometer-vos, porque conheço os homens. Viva Fausto!</p>
<p align="right"><small><strong>Friedrich Maximilian Klinger</strong><br />
O discurso de Satã em <em>A Vida de Fausto</em> (1791)</small></p>
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		<title>Es ist das höchste der Gefühle</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Aug 2010 03:01:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Recomendações]]></category>
		<category><![CDATA[vídeos]]></category>

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		<title>Uma beleza que revolta</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Aug 2010 10:02:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[jesus]]></category>
		<category><![CDATA[reino de deus]]></category>

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		<description><![CDATA[Um belo dia abracei a religião cristã.
Para falar a verdade, eu não era bom naquilo. Religião não é pra mim, e por algum tempo fiquei me sentindo um completo fracasso. Alguns religiosos me condenaram (e ainda condenam) ao fogo eterno, mas com o tempo passei a ver meu fracasso religioso como uma tremenda benção.
Porque, quando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Um belo dia abracei a religião cristã.</p>
<p>Para falar a verdade, eu não era bom naquilo. Religião não é pra mim, e por algum tempo fiquei me sentindo um completo fracasso. Alguns religiosos me condenaram (e ainda condenam) ao fogo eterno, mas com o tempo passei a ver meu fracasso religioso como uma tremenda benção.</p>
<p>Porque, quando perdi minha religião, encontrei uma linda revolução.</p>
<p>Isso talvez ofenda ou surpreenda você, mas Jesus não é o fundador da religião cristã. É verdade, séculos depois dele levantou-se uma religião chamada &#8220;cristã&#8221; &#8211; mas, como você vai descobrir neste livro, em muitos sentidos essa religião representava o oposto de tudo que Jesus representava. Na verdade, como você vai também descobrir neste livro, o próprio conceito de uma &#8220;religião cristã&#8221; tem muito de mito quando entendido à luz do que Jesus representava.</p>
<p>Porque a mensagem essencial de Jesus não tem nada a ver com ser religioso. Basta ler os evangelhos: ele festava com os maiores pecadores e ultrajava os religiosos, e por isso foi crucificado.</p>
<p>O que Jesus representava era o início de uma revolução, revolução à qual ele deu o nome de &#8220;reino de Deus&#8221;.</p>
<p>O centro dessa revolução não é fazer com que as pessoas acreditem em determinadas crenças religiosas e adotem determinados comportamentos religiosos, embora essas coisas possam ser importantes, genuínas e úteis. Essa revolução também não está centrada na tentativa de consertar o mundo pela defesa das causas políticas &#8220;certas&#8221; e pela promoção das políticas nacionais &#8220;certas&#8221;, embora essas coisas possam ser nobres, bem-intencionadas e eficazes.</p>
<p>Não: o reino de Deus estabelecido por Jesus está centrado em uma coisa e apenas nessa coisa: manifestar a beleza do caráter de Deus e, em conformidade com isso, revoltar-se contra tudo que é inconsistente com essa beleza. O reino está centrado na manifestação de uma beleza que revolta.</p>
<p>O reino é, em resumo, uma linda revolução.</p>
<p>Tudo em Jesus manifestava esse reino belo e &#8220;revoltante&#8221;; podemos vê-lo de forma mais profunda quando que Jesus deixou-se crucificar. No Calvário Jesus exibe a beleza da decisão de Deus de sofrer pelos seus inimigos &#8211; em vez de usar seu poder onipotente para derrotá-los de forma violenta. No Calvário vemos também a revolta divina contra nossa escravidão à violência e tudo que nos mantém alienados de Deus e uns dos outros. O próprio diabo é confrontado e vencido pela cruz de Jesus Cristo.</p>
<p>A morte de Jesus resume o tema de sua vida inteira. Cada aspecto de sua vida, seu ensino e ministério colocava em exibição a beleza do reino de Deus e revoltava-se contra algum aspecto da cultura que contradizia esse reino.</p>
<p>O chamado essencial de todos que entregam sua vida a Cristo é unir-se a essa linda revolução e, portanto, viver e amar <em>dessa forma</em>. &#8220;Quem diz viver nele&#8221;, afirma João, &#8220;deve viver como ele viveu&#8221; (1 João 2:6). Devemos manifestar a beleza de Deus amando sacrificialmente nossos inimigos, servindo os pobres, alimentando os famintos, libertando os oprimidos, acolhendo os excluídos, abraçando os maiores pecadores e curando os doentes, como Jesus fez. E não existe como fazer isso sem ao mesmo tempo nos revoltarmos contra tudo em nossa vida que nos mantém autocentrados, gananciosos e apáticos diante das necessidades dos outros. Também não há como fazer isso sem revoltar-se contra tudo na sociedade &#8211; e, como veremos, no âmbito espiritual &#8211; que mantém as pessoas oprimidas fisicamente, socialmente e espiritualmente.</p>
<p>Você então vê que o reino não tem nada a ver com religião &#8211; quer seja &#8220;cristã&#8221; ou não. Tem a ver com seguir o exemplo de Jesus, manifestando a beleza do reinado de Deus ao mesmo tempo em que nos revoltamos contra tudo que é feio.</p>
<p>É uma linda revolução a que somos todos convidados a aderir. Mas para fazer isso será preciso abrir mão da religião.</p>
<p align="right"><small><strong><a href="http://www.gregboyd.org/">Gregory A. Boyd</a></strong><br />
em <em>The Myth of Christian Religion</em><br />
(O mito da religião cristã)</small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug013.gif"></p>
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		<title>O acaso e o herói</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2010/o-acaso-e-o-heroi/</link>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2010 11:28:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuscritos]]></category>
		<category><![CDATA[joseph campbell]]></category>
		<category><![CDATA[reino de deus]]></category>

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		<description><![CDATA[Pedro e João estavam indo ao templo na hora da oração, às três da tarde, enquanto era carregado um homem, coxo de nascença, o qual todos os dias punham à porta do templo, conhecida como Formosa, para pedir esmolas aos que entravam. Quando viu Pedro e João, que iam entrando no templo, pediu que lhe [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;"><small>Pedro e João estavam indo ao templo na hora da oração, às três da tarde, enquanto era carregado um homem, coxo de nascença, o qual todos os dias punham à porta do templo, conhecida como Formosa, para pedir esmolas aos que entravam. Quando viu Pedro e João, que iam entrando no templo, pediu que lhe dessem uma esmola.</small></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Diante de nós estão todas as histórias, e todas contam a mesma história: heróis são gente que venceu a morte e demonstrou (ou encontrou) nisso o seu valor. Ao voltar ao mundo pela porta da ressurreição literal (ou, dependendo da história que está sendo contada, metafórica), o herói encontrará um novo mundo, que é o mesmo da experiência cotidiana mas que será para ele inteiramente diverso, porque o herói venceu o medo e o desejo que paralisam e condicionam os demais seres humanos. Nesta vida que é a nossa ele habitará o fim do mundo, e trará consigo o elixir com o qual será capaz de estender agora mesmo, aos que ainda não morreram e ressurgiram como ele, os dons miraculosos que recebeu. Fazendo com que se identifiquem com sua morte e sua ressurreição (isto é, com que reconheçam e participem da sua vitória), distribuirá entre meros mortais o fim do mundo e seu elixir.</p>
<p>Esses, que são traços essenciais da vitória do herói universal <a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/joseph-campbell-e-o-monomito/">segundo Joseph Campbell</a>, são também os argumentos do discurso de Pedro no Pentecostes<sup>1</sup> em favor do caráter universal da vitória de Jesus. E são esses mesmo os elementos que explicam o conteúdo metafórico dos conceitos neotestamentários de batismo, fim do mundo e Espírito Santo.</p>
<p>O batismo, que em comum como a morte só acontece uma vez, representa a morte do eu para o medo e o desejo, que juntos limitam e oprimem todos os homens. O fim do mundo aponta na verdade para o começo de outro; é o novo nascimento para um domínio ou reino em que as novas liberdades adquiridas e seus respectivos desafios &#8211; o dom divino de &#8220;fazer novas todas as coisas&#8221; no reino de Deus &#8211; entrarão em choque com aquilo que sempre existiu. E o Espírito Santo é o elixir da cura, do rejuvenescimento e da transformação, que é derramado pelo herói vitorioso sobre todos que abraçam a sua vitória; é o potencial e a chama de um novo mundo e do incêndio do reino de Deus.</p>
<p>A história da igreja começa, portanto, onde as histórias terminam, com a vitória irresistível do herói e a distribuição de seu elixir.</p>
<p>E começa assim: Pedro e João, que eram homens comuns e pescadores, mergulharam na morte de seu amado campeão e sentiram no peito o sopro vertiginoso de seu elixir, e são agora heróis e gigantes. Caminham pelo mundo da vida cotidiana como deuses que palmilham uma herdade outrora perdida. É o velho mundo de sempre e nele algumas coisas não mudaram &#8211; seguem juntos para o mesmo templo para a mesma oração vespertina &#8211; mas não são mais quem eram, e portanto nada mais será como era. </p>
<p>São ainda meros homens, mas sabem-se agora habitantes do fim do mundo e portadores do divino elixir. Como mudaram por dentro, a realidade transformou-se em favor deles, e nisso alcançaram uma nova mobilidade e uma formidável libertação. Olharam nos olhos a morte e foram beijados pela vida. Nada têm a perder, pelo que nada pode se colocar no seu caminho.</p>
<p>Mas se o batismo e a apropriação espetacular do Espírito são os demarcadores visíveis da nova condição desses precursores do reino, não devemos perder de vista que o que patrocinou a sua transformação interior &#8211; a sua conversão &#8211; foi o toque invisível, inesperado e divino do perdão dos pecados e a admissão na comunidade do reino.</p>
<p>***</p>
<p>Tolkien <a href="http://www.baciadasalmas.com/2004/a-comprovacao-da-arte/">sustentava</a> que o evangelho é um conto de fadas que tem a particularidade de ser também uma história real. Para ele era muito natural encontrar ecos da boa nova nas narrativas e lendas de todas as culturas e tradições, e era ainda mais natural que o evangelho a todas refletisse e sobrepujasse. Embora não encontre como discordar de Tolkien neste e em outros aspectos, tomo por evidente uma grande diferença de envergadura e de aspiração literária entre o evangelho e as fábulas, mesmo sem que saíamos para fora da narrativa a fim de medir a sua conformidade com a realidade.</p>
<p>Porque nas lendas basta que o herói (e, em alguns casos, algum companheiro seu) alcancem a vitória sobre a morte e o acesso ao divino elixir; mesmo quando toda a comunidade é beneficiada pela vitória, permanece muito clara a distinção entre o herói, o notável, e os indistintos mortais que não compartilharam da sua aventura e de seus méritos. Muito mais ambicioso em termos literários e morais, o evangelho postula uma vitória que ocasione a transformação em heróis de todos dentro da comunidade, bem como a distribuição universal e igualitária do divino elixir. Em grande parte, a boa nova consiste precisamente nisso: a anunciação de um reino em que todos se tomem por igualmente merecedores da aceitação de todos e da identificação completa com o herói original. <em>Para que todos sejam um.</em></p>
<p>Que Jesus tenha trilhado exemplarmente a trajetória do herói é relativamente fácil de demonstrar; que os doze tenham sido transformados para sempre pelo seu exemplo é concebível; mas de que forma a narrativa espera que a vitória de Jesus se mostre transformadora para os que não terão a oportunidade de serem submetidos à sua influência como personagem de carne e osso? Como transformar, sem que experimentem o bafejo literal da morte e as cores da cruz, homens em testemunhas?</p>
<p>Esta é, claramente, uma das questões centrais do livro de Atos, e a essência da resposta está em duas provisões articulada pelo próprio Jesus: o anúncio do perdão dos pecados e a acolhida sem trâmites na comunidade do reino. </p>
<p>Primeiro há o perdão dos pecados, e do nosso posto no final de um corredor polonês de dois mil anos de pregação será difícil apreender quão formidável pareceu a notícia quando proferida pela primeira vez. Para seus primeiros ouvintes, o anúncio do perdão dos pecados como possibilidade independente do regime de sacrifícios representava essencialmente uma coisa: num único gesto gratuito e sem necessidade de repetição, <em>todos tornavam-se de repente aceitáveis diante de Deus</em>.</p>
<p>Nenhuma notícia era mais inesperada, nenhuma decisão mais graciosa e fortuita. Nada era mais escandaloso, nada mais revolucionário. O véu desfigurante da culpa podia ser levantado de todos os rostos, e todos podiam olhar-se no espelho como que pela primeira vez. Todos podiam perscrutar perplexos um horizonte em que nada estava determinado, um futuro em que nada estava de antemão interrompido ou irreversivelmente maculado pela nota promissória do pecado.</p>
<p>Era um mundo em que ninguém havia pisado desde Adão, mas Adão e Eva viviam sozinhos; ninguém sabia ainda antever o que representaria uma sociedade inteira de gente sem culpa, um reino vasto e igualitário de alforriados.</p>
<p>A absolvição dos pecados também colocava por terra a diferença de mérito entre uma pessoa e outra, e abria dessa forma espaço para o segundo grande escândalo, o da hospitalidade. Os precursores do reino apenas começavam a apreender as consequências da implantação no mundo real de uma comunidade irrestritamente inclusiva, mas &#8211; como dá conta o episódio do Pentecostes &#8211; todos os submetidos à sua influência iam sendo transtornados pelo vento da sua glória.</p>
<p>Essas duas coisas tomadas juntas &#8211; a absolvição das faltas tomada como fato consumado e o espírito de acolhida incondicional &#8211; de fato <em>são</em> o Espírito de Jesus agindo nos seus seguidores, em favor do mundo e em nome de Jesus. Juntas formam o divino e revolucionário elixir, o unguento com que os discípulos tratam o próprio coração e que estão continuamente prontos a administrar em favor do próximo.</p>
<p>***</p>
<p>Os discípulos são, por tudo isso, habitantes recém-chegados ao fim do mundo. E será preciso repetir: o fim do mundo é pintado nos evangelhos como evento terrível e calamitoso porque é um encontro irreversível com o REAL. Quem atravessou o limiar do batismo (o limiar da morte) se verá obrigado, dali em diante, a ver o mundo como ele é e a identidade pessoal como ela é.</p>
<p>Ao contrário do resto de nós, que enxerga o outro como uma ameaça e uma ruptura no tecido da integridade, os habitantes do reino verão o outro como uma extensão de si mesmos e de Deus.</p>
<p>Nós, homens naturais, somos treinados a enxergar no outro apenas a maçante infelicidade que representa para ele não ser nós mesmos; tudo que vemos no próximo é o infortúnio que deve ser para ele não compartilhar da nossa integridade e não fazer parte do nosso grupo. Pensamos &#8220;pobre aleijado&#8221;, &#8220;pobre mendigo&#8221;, &#8220;pobre menina rica&#8221;, e em tudo isso o que fazemos é apenas celebrar a nós mesmos e o que vemos de admirável em nossa condição. O que consegue efetuar essa <a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/de-como-nos-congratulamos-sem-cessar/">perversa compaixão</a> é apenas consolidar a barreira de segurança entre nós e os demais.</p>
<p>Os cidadãos do reino, em contraste, habitam uma realidade em que &#8220;quando o fizestes ao menor dos meus irmãos, a mim o fizestes&#8221;, um domínio em que é vital amar o próximo <em>como a si mesmo</em> &#8211; um mundo, portanto, em que a identidade pessoal só é consolidada, muito paradoxalmente, no abraço do outro. </p>
<p>Esses que conquistaram exemplarmente o medo e o desejo, segundo o trajeto aberto por um único precursor mas sob a égide de uma comunidade sempre crescente, representam uma nova estirpe de herói. Nunca estarão sozinhos, porque enxergam o mesmo espírito no espelho e nos olhos da sua comunidade. Nada os impedirá de amar o próximo com minucioso rigor, porque estão convictos de que no próximo está oculto o mestre que almejam servir. E, em conformidade com as luzes do seu mestre, o acaso nunca os pegará de surpresa, porque estarão incessantemente <a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/quinto-passo-permaneca-disponivel-para-o-momento/">disponíveis para o momento</a>.</p>
<p>A homens naturais o acaso apavora, porque ele denuncia o fato de que só estamos prontos para oferecer respostas condicionadas. Não temos espaço de manobra para as contingências e as tememos como ao diabo, porque sabemos que elas revelarão invariavelmente as nossas falhas. Os homens e mulheres do reino, no entanto, despiram-se das condutas acessórias e de tudo que pode afastá-los do Não-condicionado; nada tem a perder, pelo que nada pode colocar-se no seu caminho sem ser despedaçado pela sua integridade, ou ser irresistivelmente restaurado por ela.</p>
<p>E, enquanto dois deles entravam no templo (onde estiverem dois) estavam por acaso trazendo um aleijado que pedia esmolas junto a uma das portas.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug014.gif"></p>
<b><small>NOTAS</small></b><ol class="footnotes"><li id="footnote_0_2335" class="footnote">Atos 2:14-36.</li></ol><div class='series_toc'><h3>Rastros dos apóstolos</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/como-perder-jesus-de-vista-no-livro-de-atos/' title='Como perder Jesus de vista no livro de Atos'>Como perder Jesus de vista no livro de Atos</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2007/ascensao-sem-tregua-das-testemunhas/' title='Ascensão sem trégua das testemunhas'>Ascensão sem trégua das testemunhas</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/a-escassez-seletiva-selecionar-e-interpretar/' title='A escassez seletiva: selecionar é interpretar'>A escassez seletiva: selecionar é interpretar</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/o-jesus-terreno-e-o-cristo-extraterrestre/' title='O Jesus terreno e o Cristo extraterrestre'>O Jesus terreno e o Cristo extraterrestre</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/com-as-mulheres/' title='Com as mulheres'>Com as mulheres</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/como-reconhecer-entre-dois-discipulos-um-apostolo/' title='Como reconhecer, entre dois discípulos, um apóstolo'>Como reconhecer, entre dois discípulos, um apóstolo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/a-plenitude-dos-tempos/' title='A plenitude dos tempos'>A plenitude dos tempos</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2008/a-verdadeira-mensagem/' title='A verdadeira mensagem'>A verdadeira mensagem</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-lucidez-profetica/' title='A lucidez profética'>A lucidez profética</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-vexacao-de-satanas/' title='A vexação de Satanás'>A vexação de Satanás</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-volta-ao-que-poderia-ter-sido/' title='A volta ao que poderia ter sido'>A volta ao que poderia ter sido</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-fermentacao-da-morte/' title='A fermentação da morte'>A fermentação da morte</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-incubacao-do-espirito/' title='A incubação do espírito'>A incubação do espírito</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/formato-minimo/' title='Formato mínimo'>Formato mínimo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/o-que-se-diz-e-o-que-nao-se-diz/' title='O que se diz é o que não se diz'>O que se diz é o que não se diz</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/a-linhagem-do-batismo/' title='A linhagem do batismo'>A linhagem do batismo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/as-transgressoes-do-ceu/' title='As transgressões do céu'>As transgressões do céu</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/um-mundo-alem-do-perdao/' title='Um mundo além do perdão'>Um mundo além do perdão</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2009/breve-historia-do-arrependimento/' title='Breve história do arrependimento'>Breve história do arrependimento</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/arrepender-se-e-mudar-o-mundo/' title='Arrepender-se é mudar o mundo'>Arrepender-se é mudar o mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/as-possibilidades-do-futuro/' title='As possibilidades do futuro'>As possibilidades do futuro</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/pecar-e-omitir-se/' title='Pecar é omitir-se'>Pecar é omitir-se</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-escandalo-da-hospitalidade/' title='O escândalo da hospitalidade'>O escândalo da hospitalidade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-invencao-do-nao-condicionado/' title='A invenção do não-condicionado'>A invenção do não-condicionado</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-fim-do-mundo/' title='O fim do mundo'>O fim do mundo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-recursos-necessarios/' title='Os recursos necessários'>Os recursos necessários</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-que-havia-sido-usurpado/' title='O que havia sido usurpado'>O que havia sido usurpado</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-fim-de-todos-os-governos/' title='O fim de todos os governos'>O fim de todos os governos</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-mesa-universal-e-as-redentoras-transgressoes/' title='A mesa universal e as redentoras transgressões'>A mesa universal e as redentoras transgressões</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-ceu-e-inferno/' title='Os discursos ausentes: céu e inferno'>Os discursos ausentes: céu e inferno</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-jesus-morreu-em-seu-lugar-1/' title='Os discursos ausentes: Jesus morreu em seu lugar [1]'>Os discursos ausentes: Jesus morreu em seu lugar [1]</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-jesus-morreu-em-seu-lugar-2/' title='Os discursos ausentes: Jesus morreu em seu lugar [2]'>Os discursos ausentes: Jesus morreu em seu lugar [2]</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-jesus-vai-voltar/' title='Os discursos ausentes: Jesus vai voltar'>Os discursos ausentes: Jesus vai voltar</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-prosperidade/' title='Os discursos ausentes: prosperidade'>Os discursos ausentes: prosperidade</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/os-discursos-ausentes-jesus-te-ama/' title='Os discursos ausentes: Jesus te ama'>Os discursos ausentes: Jesus te ama</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-palavra-presente/' title='A Palavra presente'>A Palavra presente</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-disciplina-da-inclusao/' title='A disciplina da inclusão'>A disciplina da inclusão</a></li><li>O acaso e o herói</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-divina-soltura/' title='A divina soltura'>A divina soltura</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-graca-dos-vasos-comunicantes/' title='A graça dos vasos comunicantes'>A graça dos vasos comunicantes</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>I Want to Believe</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Aug 2010 10:19:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[horror]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://www.23hq.com/23666/5840302_bd28dd5b5e0d77a18bbb3f52e33a1a48_large.jpg" height="756" width="503" /></p>
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		<title>Proclamando a trindade: comunidade e sofrimento</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Aug 2010 09:44:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[poser or prophet]]></category>

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		<description><![CDATA[A doutrina da trindade é um dos elementos particulares da fé cristã histórica que é rapidamente abandonada em favor de uma proclamação mais palatável de Deus. Ao invés de se proclamar um Deus triúno, a unicidade de Deus é frequentemente enfatizada, a fim de se tornar Deus mais compreensível e, portanto, mais aceitável para uma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A doutrina da trindade é um dos elementos particulares da fé cristã histórica que é rapidamente abandonada em favor de uma proclamação mais palatável de Deus. Ao invés de se proclamar um Deus triúno, a unicidade de Deus é frequentemente enfatizada, a fim de se tornar Deus mais compreensível e, portanto, mais aceitável para uma sociedade secular. A doutrina da trindade, no entanto, é exclusiva do cristianismo, e merece atenção especial. Como afirma Moltmann:</p>
<blockquote><p>A redescoberta da doutrina da trindade começa quando a unilateralidade de um pensamento pragmático é superada, e quando a prática é libertada do ativismo, a fim de poder tornar-se uma prática livre do evangelho.</p></blockquote>
<p>Quando o pragmatismo equivocado (e essencialmente ineficaz) dos que tentam traduzir a natureza de Deus para a linguagem de Babel é superado, dois elementos essenciais do cristianismo vêm para o primeiro plano.</p>
<p>O primeiro é o elemento da comunidade. O deus triúno existe como comunidade. O Pai, o Filho e o Espírito Santo vivem num relacionamento de igualdade, coabitação mútua e amor altruísta. Quando Deus é entendido como três-em-um, a igreja deve também ser definida como uma comunidade de igualdade e amor desinteressado. Enquanto o monoteísmo mantem o poder de Deus absoluto, a teologia torna o amor de Deus absoluto. Portanto a igreja que proclama a trindade será uma igreja que critica as estruturas de poder fundamentadas na unicidade de Deus. A trindade confronta o monoteísmo político (um Deus, e portanto um imperador) e o monoteísmo clerical (um Deus, e portando um papa, um bispo ou pastor). A mensagem da trindade se tornará compreensível à sociedade quando a igreja existir como uma comunidade de iguais que amam uns aos outros altruisticamente.</p>
<p>O segundo elemento revelado pela trindade é o do sofrimento. É a doutrina da trindade que nos ajuda a começar a entender o que aconteceu na cruz. O reconhecimento da divindade de Jesus levou os primeiros cristãos não apenas a reexaminarem a natureza de Deus, mas a reavaliarem também a relação entre Deus e o sofrimento. Pois, como afirma Moltmann: &#8220;Entender Deus no Jesus crucificado, abandonado por Deus, exige uma &#8216;revolução no conceito de Deus&#8217;&#8221;. A doutrina da trindade revela um Deus que sofre com a sua criação e pela sua criação. Deus é revelado como um Deus de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pathos">pathos</a><em>/paixão</em>, e não de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Apatia">apatheia</a><em>/apatia</em>.</p>
<p>Portanto a igreja que está em Cristo participa da trindade. Isso quer dizer que a igreja proclama a trindade movendo-se em direção a um sofrimento ativo e experimentando o sofrimento de um amor apaixonado. É por isso que a cruz torna-se o teste de tudo que merece receber o nome de cristão. A igreja revela o Deus do amor sofredor posicionando-se em solidariedade com aqueles que são crucificados pela sociedade contemporânea. O mundo só chega a entender a natureza do Deus cristão quando o povo de Deus abraça a dor, penetra a morte e conhece a dor dos marginalizados. O mundo só chega a reconhecer o Deus crucificado através de uma igreja que fala (e geme) de sua posição nas margens.</p>
<p align="right"><small><strong>Daniel Oudshoorn</strong><br />
 <a href="http://poserorprophet.wordpress.com">Poser or Prophet</a></small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug015.gif"></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/o-beijo-do-todo-poderoso/">O beijo do todo-poderoso</a><br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/a-monarquia-de-deus/">A monarquia de Deus</a></p>
<div class='series_toc'><h3>Em meio a Babel</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/em-meio-a-babel/' title='Em meio a Babel'>Em meio a Babel</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-declinio-da-cristandade-e-o-fim-da-historia/' title='O declínio da cristandade e o fim da história'>O declínio da cristandade e o fim da história</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-subversao-do-cristianismo/' title='A subversão do cristianismo'>A subversão do cristianismo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-papel-das-narrativas-descartando-absolutos/' title='O papel das narrativas: descartando absolutos'>O papel das narrativas: descartando absolutos</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-retorno-a-babel/' title='O retorno a Babel'>O retorno a Babel</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/mantendo-crista-a-proclamacao-crista/' title='Mantendo cristã a proclamação cristã'>Mantendo cristã a proclamação cristã</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/proclamando-jesus-uma-narrativa-e-um-narrador-de-peso/' title='Proclamando Jesus: uma narrativa e um narrador de peso'>Proclamando Jesus: uma narrativa e um narrador de peso</a></li><li>Proclamando a trindade: comunidade e sofrimento</li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Minha máquina de escrever</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Aug 2010 09:49:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pormenor]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>
		<category><![CDATA[software]]></category>

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		<description><![CDATA[Minhas primeiras ferramentas de escrever foram caneta e caderno; mais tarde apropriei-me da Olivetti Studio 44 que a General Motors deixou que meu pai levasse para casa. 
Então, quando meu tio Carlos comprou o primeiro computador da família, ainda numa era pré-Windows, fui apresentado ao WordStar, depois ao brasileiro Fácil, que rodavam na tela escura [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Minhas primeiras ferramentas de escrever foram caneta e caderno; mais tarde apropriei-me da <a href="http://www.baciadasalmas.com/2007/piano-de-letras/">Olivetti Studio 44</a> que a General Motors deixou que meu pai levasse para casa. </p>
<p>Então, quando meu tio Carlos comprou o primeiro computador da família, ainda numa era pré-Windows, fui apresentado ao <a href="http://www.google.com.br/images?q=wordstar">WordStar</a>, depois ao brasileiro Fácil, que rodavam na tela escura do DOS. <a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/5396695"><img src="http://farm3.static.flickr.com/2751/4384184683_27a84751c2_m.jpg" class="alignright" /></a>Passei a visitar a casa do Carlos com maior frequência, e usava o WordStar para fazer de modo mais cômodo o que já fazia na máquina de escrever: reescrever um número limitado de páginas um número ilimitado de vezes.</p>
<p>E no dia em que o Windows passou a habitar minha própria casa, com suas paredes cobertas de hieróglifos que se chamavam ícones, sentei-me pela primeira vez diante do Microsoft Word.</p>
<p>Durante anos usei o Word para escrever. O MS Word (bem como seus concorrentes menos unânimes, como o WordPerfect da Corel e o gratuito Write da suíte OpenOffice) pertencem a uma categoria de programas aos quais os norte-americanos deram o nome de processadores de texto &#8211; <em>word processor</em>, um daqueles termos cujo poder deve ter se perdido por completo na tradução. Quem iria pensar que uma abstração como &#8220;processador de texto&#8221; serve para escrever?</p>
<p>E, na verdade, não serve. Com o tempo &#8211; muito tempo &#8211; acabei concluindo que os recursos do Word se interpunham no caminho da redação, ao invés de facilitá-la. Um programa como o Word brilha no que veio a ser conhecido como formatação, e é o ofício de deixar um texto visualmente agradável.</p>
<p>O problema do Word está em que enquanto você fica escolhendo a fonte para o seu título, definindo estilos para o corpo do texto, posicionando a numeração de páginas e estabelecendo a distância em milímetros entre o limite do texto e as notas de rodapé você simplesmente <em>não está escrevendo</em>. E o que você quer &#8211; pode ser necessário lembrar &#8211; é escrever; a formatação pode ficar para depois ou para outra pessoa.</p>
<p>O paradoxo, portanto, é esse: quem quer realmente escrever precisa de um programa com menos recursos, não mais. Precisa de um programa com poucas distrações, não muitas. Precisa de uma máquina de escrever.</p>
<p>Hoje em dia minha máquina de escrever é o <em>WriteMonkey</em>, um programa que não oferece nenhum recurso de formatação e que salva os arquivos no mais básico dos formatos &#8211; &#8220;somente texto&#8221;, ou txt. Em compensação, o <em>WriteMonkey</em> oferece uma tela em que você fica bem-aventuradamente sozinho com o seu texto &#8211; um ambiente que em inglês, língua que dá nome  a tudo, deu-se o nome de <em>distraction-free</em>, isto é, livre de distrações.</p>
<p>No <em>WriteMonkey</em> você escolhe a fonte, as margens e as cores (da tela e não da página), e só lhe resta escrever, amigo. Quase de volta ao bom e velho Wordstar.</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2010/wm1-b.gif"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2010/wm1.gif" title="Clique para ampliar" /></a></p>
<p>Em seu favor o <em>WriteMonkey</em> ainda:<br />
> pode salvar automaticamente o seu arquivo, inclusive quantas cópias de segurança você quiser, na pasta em que você quiser;<br />
> não precisa de instalação e pode ser levado num daqueles chaveiros USB;<br />
> pode também rodar numa janela, se você descobrir que fica com claustrofobia no modo tela cheia;</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2010/wm2-b.gif"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2010/wm2.gif" title="Clique para ampliar" /></a></p>
<p>> pode fazer barulho de máquina de escrever quando você escreve;<br />
> pode mostrar numa barra de status a informação que você escolher, coisas tipo a hora do dia e o número de palavras do seu texto;<br />
> pode ocultar automaticamente a barra de status quando você começa a escrever, no melhor estilo<em> distraction-free</em>;<br />
> é gratuito.</p>
<h5> * * * </h5>
<p>A página do <em>Writemonkey</em> na internet:<br />
<a href="http://writemonkey.com/">www.writemonkey.com</a></p>
<p>As limitações:<br />
> só roda em Windows;<br />
> requer o pacote .net framework 3.5, que você pode não ter instalado na sua máquina, mas pode baixar da Microsoft:<br />
<a href="http://msdn.microsoft.com/en-us/netframework/cc378097.aspx">.net framework 3.5</a></p>
<h5> * * * </h5>
<p><strong>Alternativa para o Mac:</strong><br />
<a href="http://www.hogbaysoftware.com/products/writeroom">Writeroom</a> (na verdade, o primeiro do gênero)</p>
<p><strong>Alternativa para o Linux:</strong><br />
<a href="http://pyroom.org/">Pyroom</a></p>
<p><strong>Outros programas parecidos para Windows:</strong><br />
• <a href="http://www.baara.com/q10/">Q10</a><br />
• <a href="http://they.misled.us/dark-room">Dark Room</a><br />
• <a href="http://gottcode.org/focuswriter/">Focus Writer</a></p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><a href="http://www.baciadasalmas.com/images/2010/wm3-b.gif"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2010/wm3.gif" title="Clique para ampliar" /></a></p>
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		<title>No bosque</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Jul 2010 14:33:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[biografia]]></category>

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		<description><![CDATA[   

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/5837850"><br />
   <img src="http://www.23hq.com/23666/5837850_e40f53529c8052a5aad258744c3da48b_large.jpg" height="756" width="503" /><br />
</a></p>
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		<title>Diante dos seus olhos</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Jul 2010 09:07:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[francesco]]></category>

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		<description><![CDATA[E, se você tiver feito isso, desejo saber da seguinte forma se você ama ao Senhor e a mim, servo dele e seu: que não exista no mundo irmão que tenha pecado &#8211; por mais que tenha pecado &#8211; que, depois de ter olhado nos seus olhos, possa partir sem a sua misericórdia, se estiver [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E, se você tiver feito isso, desejo saber da seguinte forma se você ama ao Senhor e a mim, servo dele e seu: que não exista no mundo irmão que tenha pecado &#8211; por mais que tenha pecado &#8211; que, depois de ter olhado nos seus olhos, possa partir sem a sua misericórdia, se estiver buscando misericórdia. Que, se não estiver buscando misericórdia, seja você a perguntar se ele quer misericórdia; se ele pecar mil vezes diante dos seus olhos, que você o ame mais do que a mim de modo a atrai-lo para o Senhor; e que você estenda sempre misericórdia a irmãos como esse.</p>
<p align="right"><small><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Assis">São Francisco</a> de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Assis_%28It%C3%A1lia%29">Assis</a>, <em>, Carta ao irmão N.</em> (1222)</small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug016.gif"></p>
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		<title>A</title>
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		<pubDate>Thu, 29 Jul 2010 20:52:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ilustração]]></category>
		<category><![CDATA[coreldraw]]></category>

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		<description><![CDATA[]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/2010/ragno-a.jpg" alt="aranha" /></p>
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		<title>Lampião no inferno &#124; O erro de Úlfilas</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2010/lampiao-no-inferno-o-erro-de-ulfilas/</link>
		<comments>http://www.baciadasalmas.com/2010/lampiao-no-inferno-o-erro-de-ulfilas/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 28 Jul 2010 09:23:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Manuscritos]]></category>
		<category><![CDATA[ficção]]></category>

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		<description><![CDATA[Depois de depor o Demo e impor uma nova ordem no inferno, Lampião manda chamar o mais letrado dentre os condenados e lhe trazem Dante, que a pedido do cangaceiro recapitula em versos toda a história da humanidade. Concluída a exposição, Lampião manda que tragam à sua presença os personagens que mais lhe irritaram ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>
<p style="padding-left:4em;padding-right:4em;"><small><strong>Depois de depor o Demo e impor uma nova ordem no inferno, Lampião manda chamar o mais letrado dentre os condenados e lhe trazem Dante, que a pedido do cangaceiro recapitula em versos toda a história da humanidade. Concluída a exposição, Lampião manda que tragam à sua presença os personagens que mais lhe irritaram ou mais chamaram a atenção; quando é impossível, como no caso de Úlfilas, sua indignação cresce e ele começa a esboçar o seu novo plano.</strong></small></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&#8211; Tenho intenção de ouvir mais sobre esse homem &#8211; exige Lampião, coçando o queixo e apontando com a lambedeira para o nome de Úlfilas nas notas manuscritas do florentino.</p>
<p>&#8211; Não há muito mais para contar &#8211; lamenta fingidamente o poeta, que está secretamente irritado porque ainda não entendeu os critérios de Lampião. Em seguida, dando um suspiro para arejar o cinismo, observa: &#8211; Não são todos os homens que encontram em vida ou depois dela o seu narrador. Outros, como Úlfilas, não desconhecem a notoriedade, mas tem sua história propositalmente obliterada. Suas biografias foram apagadas no fogo. Quase tudo que sabemos do apóstolo dos godos vem de um ou dois parágrafos de Filostórgio.</p>
<p>&#8211; Pois que se mande pescar esse Filostórgio da mundiça, e quando chegar lhe apertamos com um novo interrogatório!</p>
<p>O rei do cangaço faz um gesto exasperado aos seus mais carrancudos capangas, mas Dante os detém com uma mão magra.</p>
<p>&#8211; Filostórgio não está ao alcance nem mesmo do seu braço formidável, rei do inferno. Como Úlfilas, foi acolhido no Paraíso de onde nada pode tirá-los.</p>
<p>Lampião mergulha duas mãos furiosas no céu negro das regiões inferiores, um olho boiando ameaçador em direção ao poeta.</p>
<p>&#8211; Mas então não haverá neste inferno de Deus quem possa me trazer informação com maior carne sobre esse cristão?</p>
<p>Impassível, Dante começa a recolher suas notas, mas Lampião o impede com a ponta de uma alpercata. O poeta cede:</p>
<p>&#8211; Temos, em círculos remotos das regiões ínferas, algumas tribos remanescentes dos sangrentos godos, dentre eles os que confiscaram da Capadócia os ancestrais de Úlfilas; isso terá sido em meados do ano trezentos da graça. Mas trata-se de gente que não conheceu a luz desse apóstolo; todos os godos que viram a face de Úlfilas e poderiam prestar-lhe algum testemunho, rei do inferno, converteram-se ao cristianismo, foram batizados e recolhidos pela misericórdia de sua barbárie; contemplam hoje, face a face, as pétalas que ninguém pode contar da Rosa Imaculada das dores e da beleza.</p>
<p>&#8211; Arre! &#8211; resmunga Lampião, que não entende ele mesmo os critérios da graça divina. &#8211; E que pecado era o desse padre, que foi grande para queimarem tudo que se escreveu dele, e pequeno para não lhe fechar a porta arreganhada do céu?</p>
<p>&#8211; Seu pecado era o de Ário, que sustentava que Cristo não é co-eterno com Deus, mas seu unigênito e sua primeira criatura, segundo o salmo: &#8220;tu és meu Filho, hoje te gerei&#8221;. Sua heresia foi refutada na fé católica proferida em Nicéia, que explica que Pai o Filho compartilham da mesma substância desde antes das eras.</p>
<p>&#8211; Mas como se explica um descrente que negou a fé católica ser admitido na glória?</p>
<p>&#8211; Mas não de imediato &#8211; Dante ergue um dedo esguio. &#8211; Aprouve à sabedoria julgar que depois de mil e novecentas e sessenta e sete estações no purgatório todos os arianos sejam recebidos na luz eterna. Conta em favor desses heresiarcas que sua doutrina foi criada com a boa intenção de proteger o primeiro mandamento, no que afirma &#8220;não terás outros deuses diante de mim&#8221;.</p>
<p>O rei do inferno morde satisfeito o canto do próprio sorriso.</p>
<p>&#8211; Pois então Deus Nosso Senhor se enganou &#8211; ele declara. </p>
<p>&#8211; Não há erro maior do que sugerir um engano da divindade! &#8211; exige o poeta, sinceramente ofendido. &#8211; Sabia-o mesmo Satanás, que o precedeu no trono invertido. E que engano seria esse, que teria passado despercebido daquele diante de quem nada está oculto?</p>
<p>&#8211; E não foi há pouco &#8211; resenha o rei do inferno &#8211; que o poeta me contou que Úlfilas foi o primeiro vivente a traduzir a Bíblia para uma outra língua?</p>
<p>&#8211; Não foi o que eu disse &#8211; argui o florentino. &#8211; Naqueles dias, antes que Úlfilas vertesse a Escritura para a língua dos godos, já corriam pelo menos a primitiva tradução latina e versão em siríaco.</p>
<p>&#8211; Mas foi Úlfilas, segundo o que foi dito, o primeiro cristão a quem ocorreu traduzir a Bíblia para uma língua que nunca havia sido colocada por escrito.</p>
<p>&#8211; Está correto. Parece que os godos faziam algum uso de runas, mas Filostórgio declara que Úlfilas criou um alfabeto próprio a fim de empreender a sua tradução &#8211; aqui Dante consulta suas notas. &#8211; &#8220;Úlfilas inventou-lhes as letras do seu alfabeto, e traduziu todas as Escrituras no idioma deles, isto é, com exceção dos livros de Reis. Isso porque esses livros contém a história das guerras, e os godos, sendo amantes da guerra, precisavam de algo que os refreasse da paixão pela guerra, em vez de incentivá-la&#8221;.</p>
<p>&#8211; Filostórgio escreveu isso? &#8211; quer saber Lampião, divertidíssimo, e quando o poeta confirma o salão ecoa com sua mais temível gargalhada.</p>
<p>Dante permanece imóvel, e Lampião diverte-se ainda mais que ele não compartilhe da sua hilaridade.</p>
<p>&#8211; Não está vendo? &#8211; ele toca o ombro do florentino com um punho fechado. &#8211; Eis o seu deslize da divindade. Úlfilas acha que está fazendo uma coisa boa ao deixar sua tradução sem os livros de Reis; os padres de Nicéia acham que estão fazendo uma coisa boa ao condenar Úlfilas por pregar que o Cristo é criatura. O que todos deixam de enxergar é que o erro de Úlfilas é dar a entender, à sua e a todas as gerações, que é preciso inventar uma linguagem para transmitir o evangelho aos pagãos. Seu engano é dar a entender que a linguagem da vida e das atitudes não basta, e nisso seu testemunho contraria o de Vieira, o de São Francisco e o do próprio Nazareno. O deslize da divindade é coar o mosquito da heresia e engolir esse camelo.</p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug017.gif"></p>
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		<title>Gala</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 20:23:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ilustração]]></category>
		<category><![CDATA[coreldraw]]></category>

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		<description><![CDATA[   

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/5824795"><br />
   <img src="http://farm5.static.flickr.com/4107/4835009587_ee464889c1_z.jpg" title="Clique para ampliar" /><br />
</a></p>
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		<title>Proclamando Jesus: uma narrativa e um narrador de peso</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jul 2010 10:11:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[jesus]]></category>
		<category><![CDATA[poser or prophet]]></category>

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		<description><![CDATA[Se é para os cristãos redescobrirem sua identidade única e falarem uma linguagem que tenha a capacidade de transformar Babel, devem estar fundamentados naquilo que Mortimer Arias chama de &#8220;a lembrança subversiva de Jesus&#8221;. Jesus é o coração da fé cristã e por isso a narrativa de Jesus deve estar no centro da proclamação cristã. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Se é para os cristãos redescobrirem sua identidade única e falarem uma linguagem que tenha a capacidade de transformar Babel, devem estar fundamentados naquilo que Mortimer Arias chama de &#8220;a lembrança subversiva de Jesus&#8221;. Jesus é o coração da fé cristã e por isso a narrativa de Jesus deve estar no centro da proclamação cristã. Jesus representou o ponto alto de uma tradição profética, e foi mestre em usar a linguagem de modos inovadores. Ele era mestre em contar histórias, e a igreja deve observar o exemplo deixado por ele.</p>
<p>Jesus narrava constantemente a história de Israel; ele trazia à memória do povo de Deus a sua história, e ao contar essa história capacitava o povo a participar ativamente de sua própria história. Ele recontava a história de Israel de modo a demolir as visões de mundo de seus ouvintes e remoldá-las ao redor de si mesmo. Jesus tinha pouco interesse em expressar verdades eternas, mas contava histórias subversivas que exigiam ação imediata.</p>
<p>Porém, embora usasse uma linguagem que suas audiências tomariam por familiar, Jesus imprimia às palavras um novo sentido. Ele falava do perdão dos pecados, da vinda do reino de Deus e da volta de Iavé a Sião, mas proclamava que esses eventos estavam ocorrendo de modos inesperados. Ele narrava &#8220;histórias estranhamente familiares, mas com a lição de moral invertida&#8221;. Sendo assim, ele tomou os símbolos centrais da identidade judaica (a terra, a família, a Lei e o Templo) e submeteu-os a uma reformulação radical.</p>
<p>Por essa razão, as histórias e parábolas de Jesus só podem ser entendidas à luz do modo como ele vivia. Separada das suas atitudes, a mensagem de Jesus é incompreensível, aparentando ser um completo contra-senso. Jesus aceitou a afirmação de seus discípulos de que era o messias, mas imediatamente a seguir passou a falar de sofrimento, revelando um novo modo de se ser o messias. Jesus afirma que o reino de Deus é chegado, mas revela que ele veio para os pobres e marginalizados. São as curas e os episódios de mesa comunal que interpretam o que Jesus quer dizer quando fala da chegada radical do reino. São os atos de Jesus que confirmam e sinalizam a realidade de suas palavras. A existência inteira de Jesus está mesclada a essa proclamação; seu ensino não pode ser separado de suas ações.</p>
<p>Ao contar histórias subversivas e anunciar o perdão dos pecados, Jesus atrai inevitavelmente a ira das autoridades religiosas e estatais contra ele. Elas tem consciência de que se sua proclamação e modo de vida receberem continuidade, não apenas causarão a reforma do sistema, mas terminarão por invalidar o sistema como um todo. Jesus não apenas questiona os que controlam a moralidade, ele desafia as realidades econômico-políticas que jazem por trás da moralidade. Essencialmente, a mensagem de Jesus abolia tudo que justificava as desigualdades políticas e econômicas. Não é de admirar que ele falasse em parábolas e viajasse com tanta frequência; se tivesse falado claramente e permanecido dentro de Jerusalém, teria sido eliminado muito antes de formar uma comunidade ao redor de si.</p>
<p>Se deve seguir <a href="http://www.baciadasalmas.com/2006/1-viva-a-intolerancia/">os passos de Jesus</a>, a igreja deve estar firmemente enraizada nas histórias do evangelho e na narrativa mais ampla das interações de Deus com seu povo e com o mundo. A igreja deve proclamar a narrativa de Deus. Se vai chegar a conhecer sua verdadeira identidade, deve lembrar-se de onde veio. Isso quer dizer que os cristãos que fazem parte de igrejas comprometidas com a Cristandade formal ou com Babel devem aprender a contar a narrativa cristã de um modo que se mostre subversivo e incômodo, principalmente e em primeiro lugar, para o próprio povo de Deus. Da mesma forma que Jesus investiu contra marcas da identidade judaica como o sábado, as leis alimentares, a circuncisão e o dízimo, os cristãos dos nossos dias que são seguidores de Jesus devem aprender a atacar os emblemas de identidade que definem as igrejas ocidentais. Num mundo em que o mercado sequestrou os símbolos do cristianismo, a igreja deve descobrir maneiras de recapturar o poder de suas imagens.</p>
<p>Tony Campolo é exemplo de uma voz que tem tentado realizar isso. Num discurso <a href="http://marciorosa.wordpress.com/2009/09/26/um-grande-escandalo/">frequentemente citado</a>, Campolo fala sobre pobreza e em seguida lamenta o fato de que os cristãos &#8220;não façam merda nenhuma para mudar isso&#8221;. Ele prossegue explicando que o que o deixa realmente chateado é o fato de que a maior parte dos cristãos fica mais furiosa por ele ter dito &#8220;merda&#8221; do que diante de tudo que ele disse sobre pobreza. Campolo subverte aqui um dos emblemas da identidade cristã contemporânea (a convenção de não dizer palavrões) e conclama as igrejas ocidentais a voltarem a uma compreensão da fé fundamentada no evangelho. </p>
<p>Se tem esperança de engajar-se de modo missional com o mundo, a igreja deve contar a história de Jesus e deve encarnar a história de Jesus. Deve recordar a narrativa de Jesus de modo a ser mais uma vez capacitada a viver dentro dela.</p>
<p align="right"><small><strong>Daniel Oudshoorn</strong><br />
 <a href="http://poserorprophet.wordpress.com">Poser or Prophet</a></small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug018.gif"></p>
<div class='series_toc'><h3>Em meio a Babel</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/em-meio-a-babel/' title='Em meio a Babel'>Em meio a Babel</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-declinio-da-cristandade-e-o-fim-da-historia/' title='O declínio da cristandade e o fim da história'>O declínio da cristandade e o fim da história</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-subversao-do-cristianismo/' title='A subversão do cristianismo'>A subversão do cristianismo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-papel-das-narrativas-descartando-absolutos/' title='O papel das narrativas: descartando absolutos'>O papel das narrativas: descartando absolutos</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-retorno-a-babel/' title='O retorno a Babel'>O retorno a Babel</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/mantendo-crista-a-proclamacao-crista/' title='Mantendo cristã a proclamação cristã'>Mantendo cristã a proclamação cristã</a></li><li>Proclamando Jesus: uma narrativa e um narrador de peso</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/proclamando-a-trindade-comunidade-e-sofrimento/' title='Proclamando a trindade: comunidade e sofrimento'>Proclamando a trindade: comunidade e sofrimento</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>O rapaz da via Gluck</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Jul 2010 14:42:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Pense comigo]]></category>
		<category><![CDATA[ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[canções]]></category>

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		<description><![CDATA[Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na página da Bacia na internet.

Clique o triângulo para ouvir o clipe[Visite a Bacia para ouvir o áudio] Il ragazzo della via Gluck (1966), Adriano Celentano 
&#160;
Esta é a história
de um de nós
nascido ele também, por acaso, na via Gluck
numa casa fora da cidade,
gente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><span style="color:#B0B0A0"><small>Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na <a href="http://www.baciadasalmas.com">página da Bacia</a> na internet.</small></span></p>
<p>
<p style="text-align:center;"><span style="color:#DDD4C2;">Clique o triângulo para ouvir o clipe</span><br />[Visite a Bacia para ouvir o áudio]<br /><small> <strong>Il ragazzo della via Gluck</strong> (1966), Adriano Celentano </small></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Esta é a história<br />
de um de nós<br />
nascido ele também, por acaso, na via Gluck<br />
numa casa fora da cidade,<br />
gente tranquila, que trabalhava.<br />
Lá onde havia mato agora há<br />
uma cidade<br />
e aquela casa<br />
no meio do verde a essa altura,<br />
onde estará?</p>
<p>Esse rapaz da via Gluck<br />
se divertia brincando comigo,<br />
mas um dia disse:<br />
vou para a cidade,<br />
e enquanto o dizia chorava;<br />
eu lhe pergunto: amigo,<br />
não está feliz?<br />
Vai finalmente morar na cidade!<br />
Lá encontrará as coisas que não pôde ter aqui.<br />
Poderá lavar-se dentro de casa sem precisar<br />
sair para o quintal!</p>
<p>Meu caro amigo, ele disse,<br />
aqui nasci;<br />
nesta estrada<br />
agora deixo meu coração.<br />
Como é que você consegue não enxergar?<br />
É uma fortuna para vocês que ficam<br />
descalços brincando pelos campos<br />
enquanto lá no centro eu respiro cimento.<br />
Mas chegará o dia em que voltarei<br />
ainda pra cá,<br />
e ouvirei o amigo trem que<br />
assobia assim:<br />
&#8220;uau uau&#8221;!</p>
<p>Passam os anos,<br />
mas oito demoram;<br />
aquele rapaz acaba saindo-se muito bem,<br />
mas não se esquece da sua primeira casa;<br />
agora tem dinheiro para poder comprá-la.<br />
Volta e não encontra os amigos que tinha<br />
só casas sobre casas,<br />
alcatrão e cimento.</p>
<p>Lá onde havia mato agora há<br />
uma cidade<br />
e aquela casa<br />
no meio do verde a essa altura,<br />
onde estará?</p>
<p>[...]</p>
<p>Não sei, não sei<br />
Porque continuam<br />
a construir as casas<br />
e não deixam o verde<br />
não deixam o verde<br />
não deixam o verde<br />
não deixam o verde</p>
<p>É, não<br />
Se continuamos assim, quem sabe<br />
como é que vai ser<br />
quem sabe<br />
como é que vai ser</p>
<p align="right"><small>Il ragazzo della via Gluck (1966),<br />
de <strong>Adriano Celentano</strong>,<br />
nascido ele mesmo na <a href="http://maps.google.com/maps?hl=en&#038;safe=off&#038;q=milano+via+gluck&#038;ie=UTF8&#038;hq=&#038;hnear=Via+Cristoforo+Gluck,+20125+Milano,+Lombardia,+Italy&#038;ei=Ff9KTIWnB86luAf22KG-DQ&#038;ved=0CC8Q8gEwAA&#038;t=h&#038;z=16">via Gluck</a></small></p>
<h5>***</h5>
<p>Questa è la storia<br />
di uno di noi,<br />
anche lui nato per caso in via Gluck,<br />
in una casa, fuori città,<br />
gente tranquilla, che lavorava.<br />
Là dove c&#8217;era l&#8217;erba ora c&#8217;è<br />
una città,<br />
e quella casa<br />
in mezzo al verde ormai,<br />
dove sarà?</p>
<p>Questo ragazzo della via Gluck,<br />
si divertiva a giocare con me,<br />
ma un giorno disse,<br />
vado in città,<br />
e lo diceva mentre piangeva,<br />
io gli domando amico,<br />
non sei contento?<br />
Vai finalmente a stare in città.<br />
Là troverai le cose che non hai avuto qui,<br />
potrai lavarti in casa senza andar<br />
giù nel cortile!</p>
<p>Mio caro amico, disse,<br />
qui sono nato,<br />
in questa strada<br />
ora lascio il mio cuore.<br />
Ma come fai a non capire,<br />
è una fortuna, per voi che restate<br />
a piedi nudi a giocare nei prati,<br />
mentre là in centro respiro il cemento.<br />
Ma verrà un giorno che ritornerò<br />
ancora qui<br />
e sentirò l&#8217;amico treno<br />
che fischia così,<br />
&#8220;uau uau&#8221;!</p>
<p>Passano gli anni,<br />
ma otto son lunghi,<br />
però quel ragazzo ne ha fatta di strada,<br />
ma non si scorda la sua prima casa,<br />
ora coi soldi lui può comperarla<br />
torna e non trova gli amici che aveva,<br />
solo case su case,<br />
catrame e cemento.</p>
<p>Là dove c&#8217;era l&#8217;erba ora c&#8217;è<br />
una città,<br />
e quella casa in mezzo al verde ormai<br />
dove sarà.</p>
<p>Ehi, Ehi,</p>
<p>La la la&#8230; la la la la la&#8230;</p>
<p>Eh no,<br />
non so, non so perché,<br />
perché continuano<br />
a costruire, le case<br />
e non lasciano l&#8217;erba<br />
non lasciano l&#8217;erba<br />
non lasciano l&#8217;erba<br />
non lasciano l&#8217;erba</p>
<p>Eh no,<br />
se andiamo avanti così, chissà<br />
come si farà,<br />
chissà&#8230; </p>
]]></content:encoded>
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		<title>Por tão pouco</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2010 08:57:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[francesco]]></category>

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		<description><![CDATA[O Senhor ensina no evangelho: vigiai, permanecendo atentos contra toda malícia e cobiça. Guardai-vos de todas as ansiedades deste mundo e dos cuidados desta vida.
Portanto que nenhum dos irmãos, não importando para onde vá, leve consigo, receba ou tenha recebido qualquer forma de dinheiro ou de moeda, quer seja para vestuário, livros ou para o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Senhor ensina no evangelho: vigiai, permanecendo atentos contra toda malícia e cobiça. Guardai-vos de todas as ansiedades deste mundo e dos cuidados desta vida.</p>
<p>Portanto que nenhum dos irmãos, não importando para onde vá, leve consigo, receba ou tenha recebido qualquer forma de dinheiro ou de moeda, quer seja para vestuário, livros ou para o pagamento de qualquer trabalho &#8211; de fato, não por qualquer razão, a não ser por uma necessidade evidente de irmãos enfermos; porque não devemos de modo algum pensar que moeda ou dinheiro tenham utilidade maior do que pedras. O diabo quer cegar aqueles que desejam dinheiro e moedas ou consideram-nos melhores do que pedras. Nós, que abandonamos todas as coisas, tenhamos então cuidado para não perder o reino do céu por tão pouco.</p>
<p>Se encontrarmos moedas em algum lugar, não prestemos mais atenção a elas do que ao pó que pisamos com os pés, pois &#8220;vaidade das vaidades, e tudo é vaidade&#8221;. Se, por acaso e Deus não o permita, acontecer de algum irmão coletar ou carregar moeda ou dinheiro, a não ser pela supramencionada necessidade dos enfermos, que todos os irmãos passem a considerá-lo um irmão enganador, um apóstata, um ladrão, um assaltante e como aquele que levava a bolsa de dinheiro, a não ser que sinceramente se arrependa.</p>
<p>Que os irmãos de modo algum recebam, combinem de receber, coletem ou combinem de coletar dinheiro para colônias de leprosos ou moedas para qualquer outra casa ou lugar, e que não acompanhem ninguém que esteja pedindo dinheiro ou moedas para tal lugar. Porém os irmãos podem prestar para esses lugares outros serviços não contrários à nossa vida com a benção de Deus. Os irmãos podem pedir coisas que venham atender uma necessidade manifesta dos leprosos, mas devem tomar muito cuidado com o dinheiro. Semelhantemente, que todos os irmãos cuidem para não passar pelo mundo tendo como objetivo o sórdido lucro.</p>
<p align="right"><small><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_de_Assis">São Francisco</a> de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Assis_%28It%C3%A1lia%29">Assis</a>, <em>Regula non-bullata</em> (1221)</small></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug030.gif"></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2009/se-pedir-dinheiro/">Se pedir dinheiro</a></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Parcial de cerveja</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2010/parcial-de-cerveja/</link>
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		<pubDate>Wed, 21 Jul 2010 09:19:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ilustração]]></category>
		<category><![CDATA[coreldraw]]></category>
		<category><![CDATA[painter]]></category>

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		<description><![CDATA[   

]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="center"><a href="http://www.23hq.com/paulobrabo/photo/5805538"><br />
   <img src="http://www.23hq.com/23666/5805538_6f523fe1101dc4cc4b72a845ed7a17d6_standard.jpg" height="350" width="460" /><br />
</a></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Mantendo cristã a proclamação cristã</title>
		<link>http://www.baciadasalmas.com/2010/mantendo-crista-a-proclamacao-crista/</link>
		<comments>http://www.baciadasalmas.com/2010/mantendo-crista-a-proclamacao-crista/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 10:40:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Goiabas Roubadas]]></category>
		<category><![CDATA[cristianismo]]></category>
		<category><![CDATA[poser or prophet]]></category>
		<category><![CDATA[reino de deus]]></category>
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		<description><![CDATA[Tudo isso leva ao que Jurgen Moltmann chama de &#8220;dilema entre identidade e envolvimento&#8221;. A igreja cristã está enfrentando uma crise de identidade e uma crise de relevância. Quanto mais busca abraçar uma identidade distintamente cristã, menos relevante ela se torna. Quanto mais busca ser relevante, mais perde sua distintiva identidade cristã. Um ocasiona a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tudo isso leva ao que Jurgen Moltmann chama de &#8220;dilema entre identidade e envolvimento&#8221;. A igreja cristã está enfrentando uma crise de identidade e uma crise de relevância. Quanto mais busca abraçar uma identidade distintamente cristã, menos relevante ela se torna. Quanto mais busca ser relevante, mais perde sua distintiva identidade cristã. Um ocasiona a deterioração através de assimilação indiscriminada, <span style="float:right; text-align:right; width:35%; color:#7c836d; margin:12px 0 12px 12px; font-family: georgia, times new roman, serif; font-variant:small-caps; font-size:1.4em; line-height: 1.3em">São as atitudes da comunidade cristã que servem de intérprete para a mensagem cristã.</span> o outro ocasiona a deterioração através de um recolhimento sectário.</p>
<p>Na busca para resolver esse dilema, este artigo propõe que a igreja se recuse a comprometer ou adulterar o evangelho. Em meio a Babel, a igreja deve continuar a proclamar uma mensagem que seja distintivamente cristã. Convicções cristãs devem ser expressas em linguagem cristã. A igreja, no entanto, deve também habitar a narrativa cristã. É essa habitação e incorporação da narrativa cristã que a torna compreensível (e talvez até mesmo atraente) para a sociedade. São as atitudes da comunidade cristã que servem de intérprete para a mensagem cristã. Dizer que os cristãos acreditam em Deus se manterá &#8220;verdadeiro mas pouco interessante&#8221; até que a comunidade assuma uma forma que revele o caráter do Deus cristão. A igreja, portanto, deve continuar a falar a linguagem do cristianismo. Fundamentando-se na história bíblica e na tradição cristã, a igreja será capaz de engajar-se numa conversação genuína e de dar continuidade à narrativa cristã, pois o cristianismo não é uma série de dogmas, mas uma história a ser finalizada.</p>
<p>Histórias é que são particularmente eficazes na tarefa de subverter ou modificar outras histórias. Como escreve Tom Wright, &#8220;diga a uma pessoa para fazer alguma coisa e você muda a vida dela por um dia; conte a essa pessoa uma história, e você muda a vida dela por completo&#8221;. Portanto, proferir linguagem cristã e incorporar a narrativa cristã deve ser a resposta da igreja para a presente situação. Ao manter-se um corpo gerador de histórias ela ganhará liberdade do torvelinho de narrativas que saturam a sociedade. Os profetas hebreus, de Moisés a Jesus, entendiam o poder único da linguagem e das narrativas. A cultura de Babel procura destruir a linguagem porque entende também que as realidades sociais podem ser renovadas pelo poder da palavra. Ao proferir a Palavra que é Cristo e ao encarnar a Palavra vivendo em Cristo, a igreja faz mais do que meramente reformar Babel, e começa a demoli-la por completo. Por essa razão a igreja que vive de modo profético permanece &#8220;intensamente preocupada com questões linguísticas e epistemológicas&#8221;.</p>
<p>Há quatro elementos dessa linguagem e modo de vida cristãos que merecem ser examinados em maior detalhe. O primeiro é a pessoa de Jesus; conhecer a narrativa de Jesus deve ser o primeiro passo para qualquer coisa que seja genuinamente cristã. O segundo é a compreensão única de Deus revelada pela teologia trinitariana. O terceiro é o coração do cristianismo missional, encontrado no Reino de Deus, e o quarto é a anunciação do perdão dos pecados. Essa proclamação com quatro aspectos apresenta os elementos particularmente cristãos e teológicos que são rapidamente abandonados quando a igreja tenta falar a linguagem da cultura, passando a colocá-los numa posição central &#8211; de onde não deveriam ter saído.</p>
<p align="right"><small><strong>Daniel Oudshoorn</strong><br />
 <a href="http://poserorprophet.wordpress.com">Poser or Prophet</a></small></p>
<p>Leia também:<br />
<a href="http://www.baciadasalmas.com/2010/a-palavra-presente/">A Palavra presente</a></p>
<p align="center"><img src="http://www.baciadasalmas.com/images/bugs/bug020.gif"></p>
<div class='series_toc'><h3>Em meio a Babel</h3><ol><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/em-meio-a-babel/' title='Em meio a Babel'>Em meio a Babel</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-declinio-da-cristandade-e-o-fim-da-historia/' title='O declínio da cristandade e o fim da história'>O declínio da cristandade e o fim da história</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/a-subversao-do-cristianismo/' title='A subversão do cristianismo'>A subversão do cristianismo</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-papel-das-narrativas-descartando-absolutos/' title='O papel das narrativas: descartando absolutos'>O papel das narrativas: descartando absolutos</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/o-retorno-a-babel/' title='O retorno a Babel'>O retorno a Babel</a></li><li>Mantendo cristã a proclamação cristã</li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/proclamando-jesus-uma-narrativa-e-um-narrador-de-peso/' title='Proclamando Jesus: uma narrativa e um narrador de peso'>Proclamando Jesus: uma narrativa e um narrador de peso</a></li><li><a href='http://www.baciadasalmas.com/2010/proclamando-a-trindade-comunidade-e-sofrimento/' title='Proclamando a trindade: comunidade e sofrimento'>Proclamando a trindade: comunidade e sofrimento</a></li></ol></div>]]></content:encoded>
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		<title>Sbadabàm</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Jul 2010 10:40:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Paulo Brabo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ilustração]]></category>
		<category><![CDATA[painter]]></category>

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</a></p>
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