Happy New Year (1980)

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Nada é mais surreal, mais semelhante a vastas e lentíssimas cócegas cósmicas, do que experimentar a passagem do tempo.

A ideia de dividir o tempo, de forma semelhante ao que fazemos com o espaço, ocasiona toda espécie de dissonância cognitiva. É particularmente difícil apreender nossa relação com o passado. Para o futuro o espaço oferece uma metáfora mais ou menos adequada, já que o futuro é o que nos aguarda adiante, o que está além da próxima curva, no virar da esquina.

Pasta Jóia, We Dream

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Ontem pela manhã fui buscar o Corsa na João Hoffmann e enquanto terminavam o serviço fiquei em pé junto da entrada olhando para o dia friozinho e nublado do Bacacheri, pontuado por cinzas pétreos e verdes pungentes e coroado por uma garoa ralíssima. Eu vestia camiseta de manga comprida por baixo da camisa de flanela e uma grossa japona por cima, mas o vento gelado e fragrante tocou-me sem constrangimento o rosto – e percebi, numa epifania, que aquela brisa generosa tinha precisamente a mesma natureza, a mesma carga espiritual e sensorial

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Piano de letras

A Olivetti Studio 44 que me ensinou a escrever. Impossível contar as tardes que passei entre 1980 e 1986, no escritório ensolarado do nosso sobrado em Bauru, reescrevendo os capítulos de livros que nunca cheguei a terminar. Clique nas imagens para ampliar.

Deixo-vos, a título de curiosidade e impertinência, o primeiro parágrafo de um desses romances inacabados. De tudo que já escrevi, não há por certo conjunto de palavras que eu tenha reescrito obsessivamente mais do que este.

Eu e Mathias conduzimos o estranho pelo interior da casa até a presença de Ohimè e Erhard. Mathias mantinha a mão direita

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Hoje é um lugar que não existe

Passei a manhã de sábado em Curitiba, tirando fotos de Santa Felicidade para mostrar ao meu amigo italiano Paolo, e voltei inteiramente imbuído de uma impressão que sempre esteve comigo mas vai ficando a cada dia mais unânime: o presente não me interessa. Não encontrei o bairro que retinha na minha memória; esse foi substituído por uma paródia grotesca, superpopulosa e arquitetonicamente catastrófica do que antes havia por lá.

 
Harold Lloyd tentando fazer o tempo voltar atrás em Safety Last (1923).

Meu amigo Julian já opinou que sou obcecado pelo passado; dizer assim é recorrer a um understatement e a uma injustiça. Dito dessa forma parece que meu interesse

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O fim da fita

Currys, a maior rede de eletro-eletrônicos da Grã-Bretanha, anunciou hoje que vai parar de vender fitas cassettes – medida que soa como tiro de misericórdia para a fita de compilação, usada por toda uma geração de jovens apaixonados para seduzir suas namoradas.
telegraph.co.uk
7 de maio de 2007

Diretamente do arquivo de links da semana:
Cassette Jam – Você já teve uma

Gerador virtual de fita cassette – faça a sua:
Cassette Generator

Ainda:

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Партия Ленина

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Soyuz nerushimy respublik svobodnykh
Splotila naveki velikaya Rus’!
Da zdravstvuyet sozdanny voley narodov
Yediny, moguchy Sovetsky Soyuz!

Slavsya, Otechestvo nashe svobodnoye,
Druzhby narodov nadyozhny oplot,
Partiya Lenina – sila narodnaya
Nas k torzhestvu kommunizma vedyot!

Skvoz’ grozy siyalo nam solntse svobody,
I Lenin veliky nam put’ ozaril,
Na pravoye delo on podnyal narody,
Na trud i na podvigi nas vdokhnovil!

V pobede bessmertnykh idey kommunizmaMy vidim gryadushcheye nashey strany,I krasnomu znameni slavnoy otchizny<br

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Sonhos esquecidos: Leroy Anderson

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Permita-me reapresentá-lo a Leroy Anderson (1908-1975), ilustre desconhecido, compositor norte-americano cuja especialidade era música clássica ligeira – aquela facção pop da música de concerto caracterizada por ritmos imediatamente cativantes e melodias fáceis de digerir, e que existe a um perigoso passo da música de elevador.

Digo reapresentar porque você já conhece a música do sujeito se viu Jerry Lewis tocando seu concerto para máquina de escrever em Errado pra Cachorro (Who’s Minding the Store?, 1963).

[flv:http://baciadasalmas.s3.amazonaws.com/movies/2006-09-23-leroy-typewriter.flv

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