Sexo entre pares: o homem romântico e a era das relações igualitárias

Embora queiramos por vezes encontrá-lo ou enxertá-lo em épocas a que não pertence, o homem romântico é invenção relativamente recente e demorou séculos para ser aprimorado, tendo se fixado na forma como o conhecemos hoje a coisa de duzentos anos. Talvez seu primeiro inventor tenha sido de fato o apóstolo Paulo, quando sonhou há dois mil anos um homem que, embora permanecesse sendo cabeça da esposa (isto é, sem ter sua masculinidade ou sua primazia ameaçadas), teria sua relação com sua mulher caracterizada por amá-la ao ponto de entregar-se por ela. Nesse ?entregar-se?, como foi se desdobrando culturalmente Continue lendo →

Novo Testamento: a supremacia (e o caráter subversivo) do amor

No Novo Testamento a lógica do sexo como ritual de dominação é menos explícita, mas permanece sendo importante substrato (uma daquelas realidades sociais tão unânimes que permanecem ocultas, subindo poucas vezes à superfície da consciência ou do discurso) todas as vezes que o assunto é mencionado ou aludido. A questão é na verdade de importância fundamental para os autores do Novo Testamento, porque a mensagem de Jesus e sua boa nova são interpretadas por eles como representando um chamado universal ao abandono dos mecanismos de controle e manipulação que compõem o sistema deste mundo.

Sexo e poder

Que as três grandes ortodoxias que brotaram do tronco bíblico são sexualmente conservadoras não deve haver dúvida, mas às vezes penso que não gastamos tempo suficiente tentando determinar porquê. À primeira vista pode parecer que as coisas são assim porque religiões lineares como o judaísmo, o cristianismo e o islamismo tendem à ordenação e ao controle, e em seu processo civilizatório sentem-se impelidas a produzir mecanismos que refreiem o poder socialmente disruptivo do sexo. Desde o primeiro momento, afinal de contas, Deus aparece Continue lendo →

A diferença entre um homem e uma manga verde



é que a manga amadurece.

Há uma estupidez essencial embutida na alma masculina (para não dizer nas suas gônadas). Não se engane: não há homens sérios, espirituais e compenetrados. Não há um de nós que se alce ao sublime. Dizemos coisas inconsequentes, fazemos coisas fora de propósito e rimos de coisas impróprias. Essa leviandade faz parte do segredo comum que torna os homens frequentemente repugnantes e ocasionalmente irresistíveis.

Shakespeare não se considerava acima de piadas sobre sexo, mas ele era Shakespeare, amparado por uma redação impecável e uma compaixão inabalável diante de tudo que é humano. Vindo de Continue lendo →

Pra que servem os homens

Uma pesquisa recente compilou dados sobre os estereótipos que as pessoas desenvolvem a respeito de homens e mulheres, revelando uma tendência que recebeu o nome de efeito MSM (“Mulheres São Maravilhosas”): tanto homens quanto mulheres tem uma visão mais favorável a respeito das mulheres do que a respeito dos homens. Quase todo mundo gosta mais de mulheres do que de homens. Eu sem dúvida sou um desses.

Porém, ao invés de ver a cultura como um patriarcado, isto é, uma conspiração de homens para explorar as mulheres, creio que é mais acurado dizer que uma cultura (por exemplo, um país ou uma religião) Continue lendo →


Depositado em juízo por Paulo Brabo · Desde 2004 · Sobre o autor e esta Bacia · Receba por email · Leia um livro · Olhe desenhos · Vasculhe os arquivos · A amizade continua a mesma no twitter, no Instagram, no Flickr e até no Google+ · Mas não no Facebook · Assine com RSS · Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo nas Índias Ocidentais · Fale comigo · A Bacia das Almas não substitui uma alimentação saudável e exercícios regulares