A linguagem da separação universal • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 20 de fevereiro de 2014

A linguagem da separação universal

Estocado em Goiabas Roubadas

A CONSUMADA SEPARAÇÃO

1
Toda a vida das sociedades em que reinam as modernas condições de produção se apresenta como uma imensa acumulação de espetáculos. Tudo que anteriormente era vivido deslocou-se em representação.

2
As imagens, separadas de todos os aspectos da vida, se fundem num fluxo comum em que a unidade da vida não pode mais ser recuperada. A realidade considerada de modo fragmentado se reagrupa numa nova unidade, um pseudomundo à parte que pode ser apenas contemplado. A especialização das imagens do mundo se revela completa no mundo da imagem autonomizada, em que o mentiroso mente a si mesmo. O espetáculo é a completa inversão da vida, um movimento autônomo daquele que-não-vive.

3
O espetáculo se apresenta simultaneamente como a própria sociedade, como parte da sociedade e como instrumento de unificação. Enquanto parte da sociedade, é o setor que concentra todo olhar e toda a consciência. Porém, justamente por tratar-se de um setor separado, é na verdade o domínio da falsa visão e de falsa consciência: a unificação que efetua não passa da linguagem da separação universal.

4
O espetáculo não é um agrupamento de imagens; é a relação social entre as pessoas mediada através de imagens.

Guy Debord, em 1967
Leia O apocalipse de Debord na Forja Universal

Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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