A esperança desse mundo • A Bacia das Almas

 

Paulo Brabo, 06 de janeiro de 2014

A esperança desse mundo

Estocado em Goiabas Roubadas

Aqueles que se angustiam diante da imagem de uma humanidade morrendo de fome, com base no fácil pressuposto de que simplesmente não há terra e recursos suficientes para alimentar os famintos, fariam bem em fazer uma visita muito deliberada ao seu supermercado local. Não para comprar, mas para observar e meditar no que estão vendo e naquilo que aceitam desde sempre como coisa natural.

Quanto da terra e da mão de obra deste mundo foi desperdiçada na produção do tabaco, do café, dos açúcares refinados de cana, do arroz polido, dos sorvetes, dos doces, dos biscoitos, dos refrigerantes, das frutas e vegetais que perderam todo seu valor nutricional no processo de serem envasados em latas e vidros cheios de xaropes e condimentos, das batatas e do milho que viraram todo tipo de salgadinhos, crocantes, petiscos e aperitivos, dos cereais que se tornaram confeitos menos nutrientes (o que está cientificamente provado) do que as caixas em que vêm embalados, do trigo que tornou-se pão branco e farinhas de confeiteiro? Quantas florestas pereceram para se embalar esses não-alimentos? Quantos recursos foram utilizados no seu transporte e processamento (e quanto menor o valor nutritivo maior o processamento)? Quanta energia qualificada foi empregada nos esforços de promoção e de divulgação deles?

Ei-los agora em nossos supermercados, fileira após fileira, prateleira após prateleira de valor nutricional zero, alegremente encaixotados e embalados, e custam os valores extravagantes dos quais nos queixamos associando-os ao alto custo de vida.

É a partir dessa rotina de extravagância que a tecnocracia submete-nos ao seu feitiço… e assegura-nos em seguida de que somos a esperança deste mundo.

Theodore Roszak, escrevendo em 1972, via Matt Cardin

 

 

 

* * *

Submeta-se agora à deliberada subversão do meu amigo e fazendeiro urbano Claudio Oliver.

Pense no fundo do seu quintal – samba, 300m2 e 3 toneladas de comida por ano:


TOME UM CAFEZINHO ANTES DE SAIR
Quinta da Videira: uma resposta não condicionada à questão ambiental


Paulo Brabo @saobrabo

Escrevo livros, faço desenhos e desenho letras. A Bacia das Almas é repositório final de ideias condenadas à reformulação eterna.

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