06 de Março de 2011

O monoteísmo do coração e o politeísmo da imaginação

Depositado por   Paulo Brabo

 

Estocado em Goiabas Roubadas

Deste modo a poesia ganhará a mais elevada dignidade, e será mais uma vez no final o que foi no princípio: a professora da humanidade. Pois não há mais filosofia, não mais história: apenas a poesia restará quando tiverem desaparecido todas as ciências e todas as artes.

Ao mesmo tempo dizem-nos com tanta frequência que a grande multidão deveria ter uma religião que apele para a sensibilidade. Porém, não é só a grande multidão que precisa dela, mas também o filósofo. Eis do que precisamos: um monoteísmo da razão e do coração e um politeísmo da imaginação.

Quero em primeiro lugar apresentar uma ideia que, até onde eu saiba, não ocorreu ainda a ninguém. Precisamos de uma nova mitologia, mas uma mitologia que esteja a serviço das ideias; deve ser uma mitologia da razão.

Antes que tornemos as ideias estéticas, isto é, mitológicas, elas não terão qualquer atração para as pessoas. Do mesmo modo, se sua mitologia não é racional o filósofo deve envergonhar-se dela. Portanto o iluminado e o não-iluminado poderão finalmente dar as mãos: a mitologia deve ser filosófica para tornar as pessoas racionais e a filosofia deve ser mitológica para tornar os filósofos gente sensível. Então a eterna unidade reinará entre nós. Não mais haverá o olhar de desprezo, não mais o cego tremor das pessoas diante de seus sábios e sacerdotes. Só então poderemos esperar o desenvolvimento igualitário de todas as potencialidades, de cade indivíduo e de todos os indivíduos. Nenhuma potencialidade será mais reprimida, e portanto reinarão universais liberdade e igualdade para todos os espíritos. Um espírito elevado enviado do céu deve estabelecer essa religião entre nós: será a última e maior obra da humanidade.

Hegel (ou quem sabe Schelling, a autoria é controversa),
em Das älteste Systemprogramm des deutschen Idealismus (cerca de 1797)



Inquisição


Arquivos


Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo, nas Índias Ocidentais.
Lista de entrega

Clique aqui para receber o conteúdo da Bacia por e-mail