Essa decisão mostrou-se fatal para o sentimento religioso, visto que nada destrói mais a sua sensibilidade do que a letra morta. Em outro tempo a letra não poderia ter jamais se mostrado tão danosa, tendo em vista a amplitude, a maleabilidade e a riqueza da fé católica, o caráter esotérico da Bíblia e o sacro poder dos concílios e do papa. Porém agora que esses antídotos foram destruídos e a absoluta popularidade da Bíblia afirmada, o limitado conteúdo da Biblia e seu sistema rudimentar e abstrato de religião tornaram-se mais claramente opressivos, tornando infinitamente mais difícil para o Espírito Santo exercer sua ação de avivamento, penetração e revelação.
Novalis, em A cristandade, ou a Europa (1799)




