“A popularidade desse escritor insignificante se fundamenta:
- Na universalidade de assuntos de que trata e na flexibilidade de seu gênio, que, sem chegar à perfeição em nada, alcança em tudo uma média mais do que tolerável;
- Em ter unido o amor às antiguidades pagã e cristã, «Aquele contínuo falar de si mesmo com soberba modéstia.»contribuindo para a restauração de uma e outra;
- No caráter moderno, digamos assim, de seu talento e do estilo de seus opúsculos, que é brincalhão, incisivo e mordaz. Isto não quer dizer que sua sátira seja um modelo seguro; seus gracejos grosseiros são talvez mais numerosos do que os sofisticados. Ele nunca é sobrio, e repete usque ad satietatem os mesmos conceitos;
- Em sua destreza e habilidade polêmica;
- No excessivo amor próprio e naquele contínuo falar de si mesmo com soberba modéstia;
- E, acima de tudo, em ter atacado com todo arsenal de armas satíricas e envenenadas o que ele chama de abusos, vícios e relaxamentos da igreja, e juntamente com ela muitas instituições, cerimônias e ritos respeitados, maltratando a disciplina sem chegar a respeitar o dogma; e de ter feito essa perniciosa propaganda em livros breves, de formas amenas, salpicados de gracejos e historinhas contra padres e freiras, papas e cardeais.”
Marcelino Menéndez y Pelayo (1856-1912),
escrevendo sobre Erasmo de Roterdã (1466-1536)
na Historia de los heterodoxos españoles

Leia também:
Como escrever como o Paulo Brabo




