Manuscritos estocados em Outubro do Anno 2011 de Nosso Senhor
31 de Outubro de 2011

Afrasíabe e o rio amarelo

Manuscritos

Afrasíabe despertou aterrorizada, num sobressalto, e estava num barco cheio de demônios adormecidos.

Nenhum ruído, nenhum movimento, alterava a paisagem enquanto o barco descia o grosso rio ao sabor da corrente. As nuvens delgadas quedavam imóveis no céu cor-de-rosa, em cuja expansão o único movimento era a transição para um alaranjado profundo na orla do horizonte. A vegetação baixa da margem, intocada por qualquer vento, tocava os olhos com o violeta e com o púrpura, e a água do rio era da cor inocente da lazurita.

Três ou quatro dúzias de demônios amontoavam-se inconscientes no bojo do barco, sem qualquer ordem ou conforto, como se tivessem sido despejados ali. Estavam inteiramente nus, tinham os cabelos negros e a pele de um imaculado carmim. Da massa indistinta de carne subia aqui um braço, ali uma perna, mais além o contorno encurvado de um torso musculoso, um peito que se erguia como uma fonte, uma cabeça escondida sob uma coxa, a flor contorcida de uma genitália.

Afrasíabe acordou meio submersa no emaranhado de corpos adormecidos, um pé descalço apertado contra o rosto. Seu braço direito estava preso sob a curva de um ombro que se apoiava contra a borda do barco – o braço do demônio pendurado para fora, pousado serenamente contra o costado, os dedos escuros singrando a superfície da água.

Pensar naquela água trouxe-lhe tudo de volta à lembrança: os acordos e ajustes que havia feito, os subornos que havia dispensado, as burocracias que havia contornado, as divindades tutelares que tinha tido de apaziguar, as esperanças que havia escondido em cantos da alma e em orifícios do corpo.

Nas planícies crestadas de Orcia, no verão depois da guerra, Afrasíabe tinha se apaixonado por um demônio, e ela e seu amado tinham sonhado juntos arranjar um modo de transportá-la em segurança ao coração do inferno, o único lugar em que seu amor poderia se consumado.

O projeto havia se mostrado formidavelmente ambicioso e arriscado, não só pelo número de sacrifícios e de contravenções que requeria, mas porque exigia que num dado momento os dois apaixonados se esquecessem do próprio projeto – que esquecessem, em plena trajetória um em direção ao outro, o amor que os impulsionara em primeiro lugar.

Antes de passar pelos arcos dos portões em espiral de Ut, que levariam seu regimento de volta ao inferno, o demônio teve de dormir pendurado de cabeça para baixo no galho de uma castanheira morta, de modo a poder destruir por completo a lembrança de que conhecera e amara um ser humano.

Ela, por sua vez, tivera de beber o vinho amargo das lágrimas de uma rã a fim de esquecer o nome e o rosto de seu amado, de modo a não ter o que dizer aos torturadores no passo de Yhdeksan. Consequentemente, Afrasíabe tivera de atravessar as vinte aduanas do inferno e percorrer suas nove nações sem ter a mais remota lembrança do verdadeiro motivo da sua jornada. Guiaram-na as notas crípticas que havia tatuado com uma agulha microscópica na parede interna do útero, e que apareciam gravadas na pele dos filhos que lhe nasciam pelo caminho.

Mas agora, no barco entre os demônios adormecidos, os fumos da água do Ocs lhe trouxeram tudo de volta num único vagalhão de arrebatamento. Ela lembrou inclusive o que haviam decidido em primeiro lugar e que haviam discutido por mais tempo: que por razões de segurança o seu esquecimento mútuo deveria permanecer até o final estanque e simétrico, de modo a permanecer completo. Quando se encontrassem, ela não deveria ser capaz de reconhecê-lo entre os outros demônios, embora retivesse a lembrança de ter amado um deles; ele, por sua vez, não deveria seria capaz de lembrar-se de tê-la amado, embora retivesse a lembrança do seu rosto.

Sua presente tarefa era adivinhar e acordar, da multidão adormecida no barco, um único demônio, aquele que havia sido na terra o seu amado. Se acabasse despertando, por engano ou por deslize, o demônio errado, seria imediatamente desmembrada e devorada sem misericórdia, e de seus ossos se fariam esteiras sobre as quais as diabas dançariam pela eternidade. E mesmo se soubesse despertar o demônio certo e apenas ele, nada garantia que se reacenderia nele, a tempo de suster o golpe fatal, o amor que havia nutrido por ela debaixo de outro céu.

Afrasíabe olhou ao redor e avaliou longamente o corpo adormecido de seus companheiros de viagem antes de fazer a sua escolha. Ela rejeitou as tentações óbvias de escolher o mais bonito, o mais forte ou o mais feio; estava convicta de que podia reter a tranquilidade de que seu amado não seria qualquer um desses. Ela por fim desvencilhou-se com todo cuidado dos corpos que a prendiam no lugar, rastejou com cuidado sobre a superfície oleosa de três ou quatro demônios inertes, estendeu resolutamente a mão e apertou um braço carmim.

O demônio que Afrasíabe despertou demorou um instante para olhá-la nos olhos. Nesse instante as águas turquesa do Ocs se encontraram com as do rio Amarelo, e Afrasíabe teve a súbita certeza de que sua história, por um erro monumental de julgamento que talvez não fosse nem ao mesmo seu, seria acometida por uma fatalidade cuja natureza ela não tinha como prever.

26 de Outubro de 2011

A casa

Fotografia

24 de Outubro de 2011

A aplicação dos méritos

Manuscritos

Uma das coisas que separou católicos de protestantes desde o início é que os católicos têm um complexo sistema teológico e litúrgico construído ao redor da questão de mérito pessoal, enquanto os protestantes rejeitam a ideia por completo. Para um católico, o mérito é um lastro de merecimento que o cristão vai angariando através da acumulação de sacrifícios, de orações, de esmolas, de abstinências e de atos de caridade. Esse depósito espiritual pode ser contabilizado, acumulado, armazenado e eventualmente aplicado; é pessoal, mas transferível.

Este é um componente fundamental da noção católica de purgatório: a ideia de que os méritos dos cristãos vivos podem ser aplicados na compensação dos pecados não ressarcidos dos cristãos mortos, de modo a acelerar a sua entrada no Paraíso. Isso se faz oferecendo-se missas, ofertas e orações – não aos mortos, mas em favor deles.

Essa aplicação dos méritos é a transação que faz a fila do purgatório andar. Se não contarem com a intervenção indenizadora dos vivos, as almas do purgatório terão de purgar suas dívidas através de seus próprios sofrimentos, processo que é tão dolorido quanto demorado. Nessas horas vale mais ter um amigo na terra do que um no céu. Santa Teresa de Ávila1:

Recebi a notícia da morte de um religioso que havia sido padre provincial naquela província, mais tarde também em outra. Embora esse homem fosse louvável por muitas virtudes, fiquei apreensiva pela salvação da sua alma, pois ele havia sido Superior pelo espaço de vinte anos, e sempre temo muito pelos encarregados com o cuidado de almas. Muito aflita, fui até um oratório, onde supliquei que nosso Divino Senhor aplicasse em favor desse religioso o pouco bem que eu havia praticado durante a minha vida, suprindo o restante por seus infinitos méritos, a fim de que essa alma pudesse ser liberta do purgatório. Enquanto buscava essa graça com todo o fervor de que era capaz vi à minha direita essa alma surgir das profundezas da terra e ascender ao céu num arrebatamento de júbilo.

Tirando de lado por um momento a própria ideia de purgatório, que requer tratamento mais generoso do que o que podemos dar aqui, para nós de herança protestante parece haver algo de inerentemente perverso e inaceitável na lógica do acúmulo e da aplicação de méritos pessoais. Algo de, para dizer o mínimo, pouco neo-testamentário. Então o Novo Testamento não ensina que não há um justo sequer? Não ensina que as obras são mortas, inteiramente incapazes de produzir qualquer crédito em nosso favor? Não ensina que o único mérito pelo qual acessamos a salvação é o de Jesus, creditado em nosso favor mediante a fé nele? Não foi essa própria sacada, a da salvação pela fé e pela graça, que impulsionou a Reforma?

Não há aqui espaço para retraçar de que modo a igreja católica desenvolveu a sua teologia do mérito, ou de que modo a Reforma a demoliu. O certo é que essas duas ortodoxias produziram culturas e visões de mundo muito diversas.

Do nosso lado, a ênfase da Reforma na salvação pela graça acabou meio que banindo as boas obras do ideário protestante. Lembramos constantemente que “pela graça sois salvos, por meio da fé; isto não vem das obras, para que ninguém se glorie”, mas esquecemos com facilidade que o verso seguinte explica que “fomos criados para boas obras, as quais Deus preparou de antemão para que andássemos nelas”. Criados para as boas obras talvez nos pareça exigente demais; por certo nos parece legalista demais. Preferimos parar em “salvos por meio da fé”.

A teologia reformada, que gerou a seu modo protestantes e evangélicos, deixou-nos como herança a constrangedora hesitação que temos diante de fazer a coisa certa. Não queremos usurpar em nada a divina primazia nessa área, pelo que tomamos a humilde resolução de sequer desejar para nós mesmos uma bondade ativa e positiva. Nos casos mais extremos, a mera possibilidade de fazer atos meritórios nos causa repulsa e indignação. Como estamos convictos de que nada há de verdadeiramente meritório nas boas obras, fazer o bem não apenas nos interessa: em certo sentido enxergamos a coisa como verdadeira tentação.

Historicamente, esse banimento teológico da generosidade gerou a proverbial vacilação calvinista em ajudar os pobres e envolver-se em projetos assistenciais – tarefas que preferimos deixar a católicos que não sabem o mal que estão fazendo. Não é de admirar, diante desse cenário, que o reformado sinta-se teologicamente constrangido a permanecer politicamente de direita. Qualquer tentativa de mudar o mundo pela via das boas obras e da distribuição de renda é interpretada como usurpação de uma bondade e de um mérito que cabem apenas a Deus. Quem somos nós, meros humanos e pecadores, para nos arvorarmos a fazer a coisa certa?

Essa postura, ao mesmo tempo, não é mera curiosidade histórica. Há nos nossos dias pensadores reformados que defendem seriamente a tese de que a generosidade para com os pobres, quer exercida em nível pessoal ou institucional, representa na realidade uma perversa usurpação da autoridade divina. Nenhum rico deve sentir-se culpado pela sua opulência ou constrangido a dividi-la, porque foi a divina soberania quem decidiu em favor do rico e contra o pobre. Não devemos absolutamente deixar que a tentação da generosidade nos leve a desafiar ou alterar a justa ordem daquilo que Deus predeterminou.

Evangélicos e pentecostais, que são em geral menos ricos do que os reformados e não podem contar com o refrigério econômico de sua teologia, preferem investir o dinheiro que lhes resta em campanhas institucionais de prosperidade – enchendo o bolso de pastores que lhes oferecem, incessantemente, a promessa de ser tornarem tão ricos e bem sucedidos quanto sonham.

Em resumo, as chances de que protestantes e evangélicos sejam apanhados fazendo alguma obra meritória são pequenas. A bondade cristã é um serviço sujo que, se alguém tem de fazer, que sejam em sua cegueira e idolatria os católicos.

Por outro lado, apesar de nossa hesitação ideológica em angariar méritos pela acumulação de boas obras, a verdade é estamos longe de rejeitar a prática da aplicação de méritos em favor de uma causa específica.

A primeira diferença está em que, ao contrário de Teresa de Ávila e dos católicos em geral, os créditos que pedimos que Deus aplique para a realização de nossas súplicas não são os que nós mesmos acumulamos (porque, como vimos, não nos rebaixaríamos a tanto), mas os de Jesus. A mecânica subjacente é a mesma da oração de Teresa, mas não requer esforço nenhum de nossa parte. Quando a questão é mérito, com Jesus não dá pra competir, por isso decidimos nem tentar.

A segunda diferença (e esta talvez seja ainda mais reveladora) está em que Teresa pedia em favor de outra pessoa, alguém que ela cria estar precisando de mais auxílio do que ela mesma – e nós em geral suplicamos em favor de nós mesmos e de nossos próprios interesses. Nossas orações são saques que fazemos de uma conta celestial com fundos inesgotáveis (quem ousaria encontrar um fim para os méritos do Filho!), e esses cheques saem mundo afora, milhões deles, todos assinados em nome de Jesus. O curioso é que, embora creiamos ter toda essa formidável riqueza a nosso dispor, é muito raramente que nos ocorre pedir a Deus que aplique esses recursos em favor dos outros. Que Deus não esqueça de proteger a minha casa, de abençoar a minha família, de dar a mim um bom emprego, de conservar-me com saúde, de conceder-me prosperidade e de aumentar a minha fé.

Se é tão raro que peçamos a Deus em favor dos outros também é porque, no mero ato de enumerar as necessidades dos outros correríamos o risco de trazer ao nível da consciência aquilo que nós mesmos poderíamos fazer por eles; poderíamos nos ver até mesmo tentados a cometer um ato meritório ou dois, e Deus nos livre de sujar as mãos com a virtude. Queremos manter a nossa integridade.

Os católicos, portanto, ousam pedir a Deus em favor dos outros com o lastro de méritos que eles mesmos acumularam. Mais humildes e mais cristãos, preferimos pedir a Deus em nosso próprio favor com o lastro do mérito dos outros. Quem poderia nos condenar?

Não ousamos sequer acompanhar a nossa súplica de uma promessa, como por vezes fazem os católicos – porque, veja bem, fazer o bem em reposta à bondade comprovada de Deus seria muita arrogância da nossa parte.

NOTAS
  1. Citada por F. X. Schouppe em seu Purgatório. []
22 de Outubro de 2011

Quatro vozes

Goiabas Roubadas

Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na página da Bacia na internet.

Uma antiga tradição mística insiste que Deus criou o mundo através da música. Não é de admirar que a metáfora da música como criadora nos pareça tão convincente, visto que novos mundos são criados a cada harmonia que ouvimos.

 

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21 de Outubro de 2011

Deus, unplugged

Fé e Crença, Goiabas Roubadas

Perto do final da vida o teólogo e ativista Dietrich Bonhoeffer começou a preocupar-se com o fato de que a compreensão cristã de Deus havia sido em grande parte reduzida ao status de uma muleta psicológica. Ele descreveu essa compreensão como um “Deus ex machina”.

A expressão, que significa “deus proveniente de uma máquina”, refere-se originalmente a uma técnica usada na Grécia antiga, pela qual uma pessoa era descida ao palco através de um mecanismo, a fim de representar a entrada em cena de um ser sobrenatural. O processo, no entanto, ganhou uma má reputação quando muitos dramaturgos de segunda categoria começaram a usar esse artifício de modo indolente e arbitrário. Quando queriam matar um personagem, criar um novo desafio para o protagonista ou resolver um conflito do enredo, essas caras simplesmente arriavam um deus história adentro. Desse modo, o ser sobrenatural não era parte orgânica da história, mas uma presença intrusiva empregada unicamente para fazer o enredo avançar ou resolver alguma questão.

A expressão deus ex machina passou a significar a introdução de um elemento que não faz parte da lógica interna do desdobramento de uma história, mas que é na verdade um artifício deselegante despejado na narrativa só para desempenhar um papel específico.

Para Bonhoeffer, a igreja encara Deus como um deus ex machina. Deus é só uma ideia toscamente despejada no nosso mundo a fim de cumprir uma tarefa. Ele é inserido no mundo em nossos próprios termos a fim de resolver um problema, em vez de expressar uma realidade vivida. O resultado disso é um Deus que simplesmente justifica nossas crenças e nos ajuda a dormir tranquilos. Deus é trazido em cena apenas quando enfrentamos um problema que não se presta a ser resolvido por outros meios. Na visão de Bonhoeffer, esse Deus desempenha o mesmo papel medíocre dos seres sobrenaturais nas peças gregas de terceira categoria.

O resultado é uma fé que só existe nas margens da nossa vida, uma fé que só tem algo a oferecer quando nos sentimos deprimidos, assustados ou diante da morte. Mas e aquela pessoa que gosta de viver e abraça a vida? O Deus que é uma muleta psicológica não parece ter-lhe algo a oferecer. A única opção que resta ao apologista que é confrontado com alguém que de fato aprecia a vida é tentar demonstrar que essa pessoa se recusa a enfrentar a realidade e está na verdade clamando por Deus pela via de sua negação. Se não conseguir convencer essa pessoa feliz de que ela é na realidade infeliz, fica sem outra opção não rejeitá-la como alguém aferrado à rebelião, ao engano e à desobediência.

Embora Bonhoeffer acreditasse que o Deus da religião já havia chegado ao fim de sua carreira no nosso mundo, a realidade parece discordar. Algumas das maiores organizações do mundo são religiosas, e parece não haver um fim para a fila de gente disposta e encher os pratos de coleta daqueles que afirmam ter a solução. Há todo um exército de indivíduos que apoia entusiasticamente os seus ministérios, compra os seus livros e senta-se nos seus bancos. Levar as pessoas a crer em alguma forma de deus ex machina é fácil como levar crianças a acreditar em Papai Noel.

Em contraste, convidar gente a abrir-se para experimentar a dúvida e o desconhecido é muito mais complicado: o Deus da religião nos provê com tamanha estabilidade que a experiência de perdê-lo envolve nada menos do que a aterrorizante experiência de ser abandonado. Tal jornada escuridão adentro pode ser tão pouco natural e tão assustadora que evitamos a todo custo esse caminho estreito, usando até mesmo de violência contra quem nos encoraja a fazê-lo.

Aquele que se compromete com a tarefa de ajudar gente a realmente adentrar o domínio da dúvida, do desconhecido e da ambiguidade precisa ser dez, vinte ou cem vezes melhor do que os que vendem certeza. Se quer convidar pessoas a entrar nesse mundo sombrio e incerto, tem de estar preparado para caminhar ele mesmo por um caminho difícil e por vezes perigoso, pois no processo acaba trazendo à superfície toda uma multidão de ansiedades que gastamos muito tempo e muitos recursos reprimindo.

É compreensível que determinados pastores encham estádios com gente que anseia por solidificar desejos já estabelecidos, reconvertendo gente à aquilo a que já se converteram tantas vezes antes. Levar as pessoas a acreditar é fácil precisamente porque é tão natural em nós. Qualquer pessoa persuasiva pode fazê-lo, e ainda ganhar algum dinheiro no processo. Mas para de fato puxar da tomada o Deus da religião, com toda a ansiedade e angústia que o processo envolve, requer-se coragem.

Pode-se na verdade dizer que requer-se Deus.

Peter Rollins, em sua Insurreição

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