Devo estar despreparado, ou antes preparado para estar despreparado, para a chegada inesperada de qualquer outro. Será isso possível? Não sei dizer. Porém se existe uma pura hospitalidade, ou uma pura graça, ela consiste nessa abertura sem horizonte, sem horizonte de expectativa, uma abertura com relação ao recém-chegado não importa quem seja. Isso pode ser algo terrível, porque o recém-chegado pode ser uma pessoa boa ou pode ser o diabo; porém se você exclui a possibilidade de que o recém-chegado esteja vindo para destruir a sua casa – se você quer estar no controle disso e excluir de antemão essa possibilidade – não existe hospitalidade.
Jacques Derrida, Hospitality, Justice and Responsability, em Questioning Ethics: Contemporary Debates in Philosophy (London: Routledge, 1999).





