Um impenitente abriu em meu nome uma conta no twitter – estou lá, como brabo_sp (sp?), com fotografia, endereço e tudo – e já tenho seguidores sem que seja eu mesmo a estar guiando.
Não me incomoda tanto a apropriação da imagem, porque eu mesmo me aproprio constantemente da minha e da de alguns outros, mas é no mínimo curioso ver alguém fazendo em meu nome o que eu jamais faria e me apresentando como eu jamais me apresentaria. Aparentemente não há escapatória: o que eu não quero, isso faço, e o infortúnio dessa contradição se infiltra na realidade mesmo quando tomo todas as providências para evitá-lo.
Deixe-me atestar, então, muito candidamente, que não sou eu. Não sei quem está falando e não sei quem está ouvindo. Como já disse a quem perguntou, minha religião não me permite ter uma conta no twitter, e sinto-me grandemente bem-aventurado por essa graça, além de manter-me inteiramente disposto a dividi-la.
Portanto, se você quiser não me seguir ao mesmo tempo em que dá ao mundo e a si mesmo a impressão de que está me seguindo, vai encontrar um simulacro de mim no twitter, dizendo coisas que eu aparentemente já disse. Para efetivamente me seguir, basta não me seguir – em grande parte porque não sou eu quem você pensa que está seguindo.
Deve haver alguma lição nisso tudo.

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