Manuscritos estocados em Outubro do Anno 2010 de Nosso Senhor
31 de Outubro de 2010

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Política

30 de Outubro de 2010

-!

Goiabas Roubadas, Ilustração

Um homem não encontrava seu machado. Suspeitou que o filho de seu vizinho o houvesse pego e pôs-se a observá-lo.

Sua atitude era tipicamente a de um ladrão de machado. Seu rosto era o de um ladrão de machado. As palavras que pronunciava só podiam ser palavras de ladrão de machado. Todas as suas atitudes e comportamentos traíam o homem que roubou um machado.

Mas muito inesperadamente, revolvendo a terra, o homem reencontrou de repente seu machado. Quando, no dia seguinte, olhou novamente o filho de seu vizinho, este não apresentava nada, nem na atitude nem no comportamento, que evocasse um ladrão de machado.

Liezi, VIII





29 de Outubro de 2010

O advento do Scrivener

Recomendações

Não custa repetir: o MS Word não foi feito para escritores. Se quer escrever um livro ao invés de uma carta ou um relatório, você precisa ao mesmo tempo de muito menos e muito mais do que o MS Word foi desenhado para oferecer.

Como máquina de escrever, tenho usado o writemonkey (gratuito), e para organizar séries mais longas, o Notebox Disorganizer (gratuito). Nem mesmo o Disorganizer, no entanto, foi capaz de me ajudar a levar avante projetos mais complexos (sim, estou falando com você, Ciro).

Para levar avante projetos como esse, fiquei sonhando por mais de dois anos com o lançamento da versão para Windows do mítico Scrivener (US$ 40,00), o mais desejado dos programas desenhados para escritores, que até agora estava reservado para os usuários do Mac.

Projetado para acompanhar autores em projetos de qualquer complexidade, o Scrivener gosta de deixar que você componha o seu texto (seja poema ou odisseia) em porções menores que podem ser tão pulverizadas quanto você quiser (seja um capítulo ou um parágrafo) e rearranjadas (via outline ou cartões num quadro de cortiça) como melhor lhe parecer. Em qualquer momento as unidades que compõem o seu texto/projeto podem ser visualizadas e editadas individualmente ou em conjunto, e ainda exportadas para destinos menos nobres como o Word.

A notícia que venho dar é que a primeira versão beta/teste do Scrivener para Windows acaba de ser lançada, e pode ser baixada aqui. O programa fala inglês, mas seu grau de desajuste com a língua não deve impedi-lo de tentar.




Nem sei o que dizer.

Visite:
Scrivener for Windows

28 de Outubro de 2010

O selo da humanidade

Goiabas Roubadas

Para Paulo, isso implicava na renúncia de palavras elevadas de sabedoria e de qualquer exibição de seu próprio poder espiritual (muito embora, no seu tempo e no seu contexto, o uso desses recursos poderia ter assegurado seu conceito e impacto como verdadeiro homem de Deus). Para Paulo, a palavra de Deus é a palavra que ele só é capaz de proferir na realidade de sua própria humanidade [...] Da mesma forma, ao discutir a fala durante a adoração, ele instrui sua congregação a não entregar-se à sua própria plena possessão do Espírito, mas a falar de modo compreensível e razoável, A humanidade tornou-se o sinal e o selo da divindade da palavra.a fim de que o incrédulo a compreenda, seja confrontado e tome consciência de que o próprio Deus o está chamando, e possa confessar: “Deus está de fato entre nós!”

A palavra de Deus, portanto, deve ser entregue humanamente, e sua divindade deve ser proclamada e apreendida em sua humanidade. Precisamente por essa razão Paulo não se comportou como um dos milagreiros que naquele tempo enchiam o mundo, como alguém que tem à sua disposição poderes e revelações divinos. Ao contrário, entregou sua palavra e fez o seu trabalho de modo muito singelo, como servo de Cristo, como prisioneiro de Cristo simultaneamente liberto por Cristo, como mordomo dos mistérios de Deus que deseja ser julgado por Deus e pelos homens exclusivamente pela medida da sua fidelidade: pois a palavra de Deus não chega até nós senão na vestimenta dessa humanidade.

[...]

O segredo primário e intrínseco ao qual nos direciona a mensagem do Novo Testamento é de que a palavra de Deus tornou-se um com a palavra humana: que veio até nós e tornou-se compreensível numa palavra humana. Sob essa luz é necessário ponderar a fundo a mensagem do próprio Jesus nos evangelhos [...] A palavra de autoridade de Jesus soa sempre inteiramente humana: a palavra de Deus na mais simples das palavras humanas.

Quando se considera que todas as religiões, e em particular a religião judaica do tempo de Jesus, tinha antes de tudo que colocar em andamento um poderoso aparato de sacrifício e de culto, de ordenanças hierárquicas e tradições sagradas, de teologia e de aprendizado das escrituras, a fim de unir Deus e homem e ordenar o seu relacionamento mútuo, percebe-se com maravilha e assombro o quanto tudo é diferente nos evangelhos quando Jesus encontra os homens, entrega sua mensagem e realiza seus feitos. Sob sua palavra, toda a rígida estrutura social em que todos – judeus e gentios, religiosos e irreligiosos, fariseus e pecadores – têm seu lugar imutável, torna-se nula e sem efeito: cai por terra [...] Aqui não é necessário que sejam dadas cansativas instruções dogmáticas, que algum teste seja feito, que qualquer exame de fé seja conduzido, que quaisquer pressupostos sejam antes de tudo estabelecidos, a fim de que aquele que a ouve receba a mensagem. Ao mesmo tempo, nada há de promessas vazias, de intenções e de esperanças vagas para um futuro incerto. A palavra de Deus tornou-se uma com a mais simples das palavras humanas: é esse, na verdade, o mistério de toda a mensagem de Jesus. A humanidade tornou-se muito claramente o sinal e o selo da divindade da palavra.

Günther Bornkamm, Early Christian Experience (1957), I

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Além da submissão
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26 de Outubro de 2010

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Ilustração