As ruas do Rio de Janeiro são na maior parte compridas, tortas e estreiras, as casas quase todas baixas, sujas e edificadas em estilo vulgar, sem levar em conta questões de gosto e de comodidade da vida social, à feição da vontade no momento e da urgência.“…mas nunca elegância.” Só nas casas mais ricas se vêm tapetes, e muitas vezes o rés-do-chão não é assoalhado. Em toda parte reina arranjo barroco do material, da distribuição e dos ornamentos arquitetônicos – quando tais existem.
Na verdade, às vezes se nota uma espécie de luxo, mesmo ostentação, mas nunca elegância, simetria ou conforto no interior. O quarto das crianças fica junto do salão de visitas, o dormitório ao pé da cozinha, o boudoir junto do quarto dos criados, a estrebaria com seu estrume ao lado do belo portal, o escritório ao pé da latrina, tudo à francesa.
Carl Seidler, Dez anos no Brasil (1835)




