A última coisa que ele me disse foi que, se quisesse de fato esquecer o sonho, não deveria fazer como a maioria e cortá-lo em retalhos perpendiculares, como quem talha um pão de forma, pois nesse caso (entendi depois) fatias inteiras do sonho passariam por entre as barras da vigília e o sonho poderia ser reconstruído mais tarde, pelo menos em parte. Era necessário cortá-lo em fatias transversais, oblíquas, que ficariam presas em ângulo no crivo da consciência e deixariam o segredo do sonho seguro para sempre.





