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O conceito teológico de “separação de Deus” como consequência da transgressão é uma artificialidade que a narrativa (que é teologicamente agnóstica) desconhece por completo. O homem não conhecerá essa inconcebível condição: Deus nunca estará longe, e todos os capítulos desta história concorrerão para demonstrá-lo.
Nem o pecado nem a transgressão (e, como se verá, nem mesmo a morte) serão capazes de separar os protagonistas um do outro. O terrível está numa realidade transversal, em que as demandas da queda os separarão da sua imagem comum, e portanto de si mesmos. Homem e Deus caminharão tropeçando um no outro pela terra, parágrafo após parágrafo, mas terão perdido a identidade comum. Olharão no olho um do outro, mas não serão capazes de se reconhecer, porque sua glória estará oculta; não puderam, cada um a seu modo e devido às exigências das suas escolhas (as exigências da narrativa), administrar a abundância.
A expulsão do Éden não serve para separar Deus e homem, A expulsão do Paraíso são as roupas de Deus.mas para ocultar dos homens a vergonha da glória divina. A transgressão humana revelara a divina nudez, e a expulsão do Paraíso são as roupas de Deus.
Como as peles que cobrem o homem e a mulher, trata-se de uma solução contingente, que traz em si mesma suas próprias ambivalência e insuficiência, sua própria punição. O inferno é onde Deus e homem não encontram espaço para revelar a sua glória comum.
A narrativa da queda não explica, portanto, que Deus e homem terão de viver separados, mas que viverão ambos em oculto, e portanto separados de si mesmos.
Até que, quem sabe, encontrem-se na nudez.

Nasce um homem
- Era uma vez
- Adão era
- A teoria literária
- Para mim
- Se havia improvável graça
- O conflito que anima uma história
- A primeira blasfêmia
- Eu sentia ser minha obrigação
- Como demonstrado exemplarmente por Jesus
- De todos os detalhes
- A distinção mais antiga
- O homem em pé no centro
- Quando levantei-me do lugar
- Ele tinha o mundo natural aos seus pés
- Dois ou três personagens não bastam
- A proibição extrai seu poder
- Para caracterizar uma tragédia
- Pisei no andar térreo
- Você pode comer
- Um professor errante depara-se com um homem cego
- Nenhum outro elemento da trama
- Toda história sobre transgressão
- De todos os sonhos de que me recordo
- Não devemos deixar
- A chave, obviamente
- É curioso notar
- Para começar
- Neste ponto
- Com a entrada da serpente
- Dos enigmas da serpente
- Porém quando percebo
- A serpente é astuta
- A narrativa é límpida
- A serpente permanece um enigma
- Quando olho tempo suficiente
- O silêncio da história
- Outro resultado
- Individuação
- É o momento decisivo
- A ausência divina
- É uma pista falsa
- Não se trata
- Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
- A hora é agora
- Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
- Alcançar a individuação
- Eva recua
- Deus sabe
- O motor do conflito
- A grande revelação
- Transgredir
- A obra da serpente
- Onde está a maldade
- O que me faz lembrar
- A transfiguração do conflito
- Que são a imitação e o jogo de espelhos
- O que esta história existe para mostrar
- É por isso
- É o último momento
- Quando volto à recordação
- O efeito imediato
- Como numa comédia de erros
- Minha primeira transgressão
- É só do lado de cá
- A esse princípio
- Não nos deverá
- A coisa boa
- Se o conflito é a graça
- A transgressão original
- Transgredir é escolher
- No espaço recém-aberto da minha transgressão
- Em si mesmo nada há de terrível
- O conceito teológico
- Bastaria a morte
- A ambivalência do poder
- A maldição do pó
- Há algo de terrível na autodeterminação
- Minha disciplina pessoal mais antiga
- Essa crueza
- Não é completa
- Essas histórias
- Na noite de ontem para hoje
- O outro símbolo universal
- A serpente é mentirosa
- O primeiro desdobramento
- Foi mais ou menos nessa época
- Todas as lendas
- Minha convicção




