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No espaço recém-aberto da minha transgressão não tive eu mesmo como escapar das armadilhas do desejo mimético, passando a reproduzir em rigorosa sincronia as imperfeições do objeto que procurava dessacrar.
Ao afastar-me da igreja institucional com o objetivo de adequadamente condená-la, tornei-me culpado de rigorosamente tudo que condenava nela. Apontei que a igreja havia se tornado irrelevante para o mundo, mas eu mesmo dirigia-me apenas à igreja. Observei que a igreja havia rejeitado sua tarefa de abraçar o mundo, mas eu mesmo passara a rejeitar a igreja, que é parte integrante do mundo. Ao falar somente à igreja e sobre a igreja, ao torná-la o precioso e circular objeto da minha obsessão, demonstrei estar rejeitando com pelo menos a mesma obstinação, com precisamente o mesmo capricho, a tarefa de abraçar o mundo – e portanto a mim mesmo.
As palavra que proferimos dão a volta ao mundo e voltam para nos qualificar, seja para o bem ou para o mal. Nossas condenações denunciam adequadamente apenas a nós mesmos, nunca os outros.
Insistindo com tamanho zelo na reforma da igreja eu passara a sugerir, de forma subconsciente, que a tarefa mais urgente e nobre da igreja permanecia sendo atrair irresistivelmente o mundo, e não – como eu sabia ser sua verdadeira vocação – desenraizar-se de si mesma, deixar-se arrastar e absorver por ele.
Eu aparentemente não me libertara da mensagem da qual afirmava estar livre, a noção de que uma igreja pura e íntegra deve cobrir com sua virtude a nudez do mundo.
O que a narrativa requer, naturalmente, é precisamente o contrário: a igreja (quem quer que sejam esses “chamados para fora”) deve despir-se diante do mundo – não para mostrar ao mundo que está nu, mas para que o mundo aprenda ele mesmo a se despir.
Meu problema está em que essa nunca foi tarefa fácil, ou isenta de riscos, para ninguém.

Nasce um homem
- Era uma vez
- Adão era
- A teoria literária
- Para mim
- Se havia improvável graça
- O conflito que anima uma história
- A primeira blasfêmia
- Eu sentia ser minha obrigação
- Como demonstrado exemplarmente por Jesus
- De todos os detalhes
- A distinção mais antiga
- O homem em pé no centro
- Quando levantei-me do lugar
- Ele tinha o mundo natural aos seus pés
- Dois ou três personagens não bastam
- A proibição extrai seu poder
- Para caracterizar uma tragédia
- Pisei no andar térreo
- Você pode comer
- Um professor errante depara-se com um homem cego
- Nenhum outro elemento da trama
- Toda história sobre transgressão
- De todos os sonhos de que me recordo
- Não devemos deixar
- A chave, obviamente
- É curioso notar
- Para começar
- Neste ponto
- Com a entrada da serpente
- Dos enigmas da serpente
- Porém quando percebo
- A serpente é astuta
- A narrativa é límpida
- A serpente permanece um enigma
- Quando olho tempo suficiente
- O silêncio da história
- Outro resultado
- Individuação
- É o momento decisivo
- A ausência divina
- É uma pista falsa
- Não se trata
- Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
- A hora é agora
- Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
- Alcançar a individuação
- Eva recua
- Deus sabe
- O motor do conflito
- A grande revelação
- Transgredir
- A obra da serpente
- Onde está a maldade
- O que me faz lembrar
- A transfiguração do conflito
- Que são a imitação e o jogo de espelhos
- O que esta história existe para mostrar
- É por isso
- É o último momento
- Quando volto à recordação
- O efeito imediato
- Como numa comédia de erros
- Minha primeira transgressão
- É só do lado de cá
- A esse princípio
- Não nos deverá
- A coisa boa
- Se o conflito é a graça
- A transgressão original
- Transgredir é escolher
- No espaço recém-aberto da minha transgressão
- Em si mesmo nada há de terrível
- O conceito teológico
- Bastaria a morte
- A ambivalência do poder
- A maldição do pó
- Há algo de terrível na autodeterminação
- Minha disciplina pessoal mais antiga
- Essa crueza
- Não é completa
- Essas histórias
- Na noite de ontem para hoje
- O outro símbolo universal
- A serpente é mentirosa
- O primeiro desdobramento
- Foi mais ou menos nessa época
- Todas as lendas
- Minha convicção




