De um cínico e um pessimista nunca se deveria pedir para deixar uma mensagem de Natal, sob o risco de arruinar, por assim dizer, o espírito da coisa. E desses, sinto revelar, sou o maior; os outros pessimistas que conheço são, na melhor das hipóteses, amadores, cabalmente insuficientes em sua análise, e, na pior e mais desprezível das hipóteses, otimistas em pele de lobo (estou falando com você, Luiz Henrique).
Sou tão implacavelmente pessimista que prefiro em geral até mesmo me abster de mencionar o quanto as coisas estão indo mal, pelo mero receio de produzir inadvertidamente em alguém, pelo contraste, a ilusória esperança de que alguma coisa possa ainda ser consertada.
Tudo que posso tentar fazer neste mais saturado e irreconhecível dos dias, num esforço concentrado e inteiramente não-natural, é reunir a força de vontade necessária para me abster de dizer o que precisa ser dito. Deixo-vos então este custosíssimo presente: meu silêncio.
Feliz Natal.



