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Foi mais ou menos nessa época, um ou dois anos antes de ser remetido para a faculdade, que fui atingido no peito por um texto implacável em forma e conteúdo: a curta novela A fera na selva, de Henry James.
O protagonista de A fera na selva é um sujeito que vive uma existência de tédio e frivolidade na expectativa de um grande evento ou fatalidade que, ele sente, irá quando ocorrer defini-lo e justificá-lo para sempre. O protagonista não sabe dizer o que será ou quando será, mas com o passar dos anos pressente cada vez mais nitidamente a aproximação desse acontecimento terrível ou redentor, essa “fera na selva” que espreita na beira do seu caminho para lançar-se sobre ele no momento oportuno.
Naturalmente, nada jamais acontece ao protagonista de A fera na selva, e eis seu aguardado evento e sua contradição. Tudo que lhe é conferido experimentar, sua única e degradante aventura, é sua própria vaidade e sua infértil expectativa.
Mesmo naqueles dias entendi que o livro servia como metáfora inversa de mim mesmo. O protagonista do livro dedicara sua vida à busca de sua fera na selva; eu sabia que gastaria a minha tentando esquivar-me dela.
Foi necessária uma vida inteira para que eu descobrisse que não há diferença.

Nasce um homem
- Era uma vez
- Adão era
- A teoria literária
- Para mim
- Se havia improvável graça
- O conflito que anima uma história
- A primeira blasfêmia
- Eu sentia ser minha obrigação
- Como demonstrado exemplarmente por Jesus
- De todos os detalhes
- A distinção mais antiga
- O homem em pé no centro
- Quando levantei-me do lugar
- Ele tinha o mundo natural aos seus pés
- Dois ou três personagens não bastam
- A proibição extrai seu poder
- Para caracterizar uma tragédia
- Pisei no andar térreo
- Você pode comer
- Um professor errante depara-se com um homem cego
- Nenhum outro elemento da trama
- Toda história sobre transgressão
- De todos os sonhos de que me recordo
- Não devemos deixar
- A chave, obviamente
- É curioso notar
- Para começar
- Neste ponto
- Com a entrada da serpente
- Dos enigmas da serpente
- Porém quando percebo
- A serpente é astuta
- A narrativa é límpida
- A serpente permanece um enigma
- Quando olho tempo suficiente
- O silêncio da história
- Outro resultado
- Individuação
- É o momento decisivo
- A ausência divina
- É uma pista falsa
- Não se trata
- Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
- A hora é agora
- Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
- Alcançar a individuação
- Eva recua
- Deus sabe
- O motor do conflito
- A grande revelação
- Transgredir
- A obra da serpente
- Onde está a maldade
- O que me faz lembrar
- A transfiguração do conflito
- Que são a imitação e o jogo de espelhos
- O que esta história existe para mostrar
- É por isso
- É o último momento
- Quando volto à recordação
- O efeito imediato
- Como numa comédia de erros
- Minha primeira transgressão
- É só do lado de cá
- A esse princípio
- Não nos deverá
- A coisa boa
- Se o conflito é a graça
- A transgressão original
- Transgredir é escolher
- No espaço recém-aberto da minha transgressão
- Em si mesmo nada há de terrível
- O conceito teológico
- Bastaria a morte
- A ambivalência do poder
- A maldição do pó
- Há algo de terrível na autodeterminação
- Minha disciplina pessoal mais antiga
- Essa crueza
- Não é completa
- Essas histórias
- Na noite de ontem para hoje
- O outro símbolo universal
- A serpente é mentirosa
- O primeiro desdobramento
- Foi mais ou menos nessa época
- Todas as lendas
- Minha convicção




