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É por isso, iluminados pelo desejo da serpente, que homem e mulher são capazes de ver claramente que a árvore é “boa para se comer, e agradável aos olhos, e desejável para dar entendimento”. Como se entrevê nessa descrição, a árvore era ela mesma, a seu modo, imagem e semelhança de Deus, mas uma imagem que se prestava ao consumo – e o consumo é a forma mais comum, mais imediata e instantaneamente satisfatória (e também a mais superficial) de imitação.
Porém o homem dá um passo largo em direção à transgressão, menos por acreditar que o consumo da árvore lhe conceda a semelhança almejada com Deus, mas por intuir que o exercício viril da sua própria potência, o arrojado executar de sua liberdade para transgredir, é que o tornará particularmente semelhante à divindade. Guiado pela lógica da serpente, o primeiro homem crê que é tudo um jogo de poder e dominação, e conclui que será como Deus apenas quando imitá-lo em sua potência.
Isso explica, finalmente, a razão pela qual na história o homem é criado adulto: para ser um emblema adequado de Deus – porque, ao contrário de velhos e crianças, os adultos se definem pelo que podem fazer.
Dessa forma, quando ousa imitar na transgressão a potência e a liberdade de Deus, o homem crê estar imitando de forma adequada a divindade, porque deduziu que Deus se define pela sua autonomia para transgredir. O curioso, o verdadeiramente paradoxal, é que Adão está certo, mas precisamente da forma oposta à que está pensando.

Nasce um homem
- Era uma vez
- Adão era
- A teoria literária
- Para mim
- Se havia improvável graça
- O conflito que anima uma história
- A primeira blasfêmia
- Eu sentia ser minha obrigação
- Como demonstrado exemplarmente por Jesus
- De todos os detalhes
- A distinção mais antiga
- O homem em pé no centro
- Quando levantei-me do lugar
- Ele tinha o mundo natural aos seus pés
- Dois ou três personagens não bastam
- A proibição extrai seu poder
- Para caracterizar uma tragédia
- Pisei no andar térreo
- Você pode comer
- Um professor errante depara-se com um homem cego
- Nenhum outro elemento da trama
- Toda história sobre transgressão
- De todos os sonhos de que me recordo
- Não devemos deixar
- A chave, obviamente
- É curioso notar
- Para começar
- Neste ponto
- Com a entrada da serpente
- Dos enigmas da serpente
- Porém quando percebo
- A serpente é astuta
- A narrativa é límpida
- A serpente permanece um enigma
- Quando olho tempo suficiente
- O silêncio da história
- Outro resultado
- Individuação
- É o momento decisivo
- A ausência divina
- É uma pista falsa
- Não se trata
- Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
- A hora é agora
- Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
- Alcançar a individuação
- Eva recua
- Deus sabe
- O motor do conflito
- A grande revelação
- Transgredir
- A obra da serpente
- Onde está a maldade
- O que me faz lembrar
- A transfiguração do conflito
- Que são a imitação e o jogo de espelhos
- O que esta história existe para mostrar
- É por isso
- É o último momento
- Quando volto à recordação
- O efeito imediato
- Como numa comédia de erros
- Minha primeira transgressão
- É só do lado de cá
- A esse princípio
- Não nos deverá
- A coisa boa
- Se o conflito é a graça
- A transgressão original
- Transgredir é escolher
- No espaço recém-aberto da minha transgressão
- Em si mesmo nada há de terrível
- O conceito teológico
- Bastaria a morte
- A ambivalência do poder
- A maldição do pó
- Há algo de terrível na autodeterminação
- Minha disciplina pessoal mais antiga
- Essa crueza
- Não é completa
- Essas histórias
- Na noite de ontem para hoje
- O outro símbolo universal
- A serpente é mentirosa
- O primeiro desdobramento
- Foi mais ou menos nessa época
- Todas as lendas
- Minha convicção




