28 de Outubro de 2009

Da universalidade das generalizações

Incorporado por   Paulo Brabo

 

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De todas as ressalvas e desqualificações levantadas contra o que escrevo, nenhuma pode ser mais frequente do que esta: a de que sou culpado de generalizações. “Neste trecho [ou neste texto]“, observam consistentemente meus observadores, “o Brabo está fazendo uma generalização”. Alguns, mais atentos e redundantes, chegaram a constatar que não escrevo senão por generalizações.

Não me incomodaria se os que procuram me contradizer fizessem o mais fácil, que seria denunciar a invariável imprecisão dos meus argumentos; porém não tenho como esconder minha irritação quando um detratorNão existem generalizações. se satisfaz em me acusar de estar “generalizando”.

Este não tem como não ser o mais raso e rasteiro dos contra-argumentos. Os que explicam que estou generalizando estão pedindo, muito literalmente, que se reconheça que aquilo que estou dizendo não se aplica a 100% dos casos; exigem que eu me dobre à evidência de que há exceções numerosas ou notáveis àquilo que minha afirmação restringe tão categoricamente. Numa palavra, não abalam ou atingem o meu argumento, do qual na verdade não se ocupam; limitam-se a negar o seu alcance, como se isso alterasse por completo ou produzisse a perfeita negação do que estou dizendo. Reconhecem que estou certo, mas insistem que são incapazes de reconhecê-lo.

O fato primordial é que não há nível de detalhamento que não dependa de generalizações ou não recorra a elas. A mais pulverizada das análises não independe de simplificações e da estilização de tendências. Na verdade, como já foi amplamente observado, provavelmente só somos capaz de pensar graças à nossa capacidade de entabular generalizações, e de cometê-las quando parecem mais improváveis.

A maior generalização a que todos nos submetemos será, sem qualquer dúvida, a de darmos nomes às coisas e nos rebaixarmos à linguagem. Dito de outra forma, não existem generalizações, só frases, palavras e – na melhor das hipóteses – idéias.

E, como alguém não demorará a opinar, devemos celebrar que não existam generalizações, porque todas as generalizações são relativistas.

Tudo que existe são generalizações.E nada é mais tendencioso do que uma opinião.

Ou, se você prefere assim: tudo que existe são generalizações. Faria mais sentido, e me causaria maior constrangimento, acusar-me de insistir em falar através de palavras.

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