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Como numa comédia de erros, a glória humana e a divina, que viviam olhando-se no olho, estarão a partir de agora disfarçando-se continuamente uma da outra, escapando do abraço mútuo precisamente como os protagonistas de uma comédia romântica até o último momento. A glória terá de permanecer oculta – com exceção de breves momentos de lucidez, que a Bíblia se apressará em pontuar e que farão a narrativa avançar.
A nudez que haviam revelado não era portanto a sua própria, mas a divina. Deus reconhece isso tacitamente ao institucionalizar a solução dos aventais e fazer para o primeiro casal roupas de pele com as quais possam se cobrir de forma mais eficaz.
Deus sabe suportar tudo, mas não sabe suportar soluções precárias – e as roupas são a mais precária das soluções para encobrir a nudez, da mesma forma que um templo se mostrará a mais precária solução para encobrir Deus. Tudo isso a narrativa deixará claro a seu tempo; neste momento Deus sabe suportar tudo, mas não sabe suportar ainda a sua própria nudez.
Porém nada há que esteja encoberto que não haja de ser revelado – que é o modo da narrativa explicitar que a passagem do tempo não deixará solta nenhuma ponta da trama. Em ocasião oportuna a nudez divina e a humana se encontrarão e ficará patente que são uma só.
Nasce um homem
- Era uma vez
- Adão era
- A teoria literária
- Para mim
- Se havia improvável graça
- O conflito que anima uma história
- A primeira blasfêmia
- Eu sentia ser minha obrigação
- Como demonstrado exemplarmente por Jesus
- De todos os detalhes
- A distinção mais antiga
- O homem em pé no centro
- Quando levantei-me do lugar
- Ele tinha o mundo natural aos seus pés
- Dois ou três personagens não bastam
- A proibição extrai seu poder
- Para caracterizar uma tragédia
- Pisei no andar térreo
- Você pode comer
- Um professor errante depara-se com um homem cego
- Nenhum outro elemento da trama
- Toda história sobre transgressão
- De todos os sonhos de que me recordo
- Não devemos deixar
- A chave, obviamente
- É curioso notar
- Para começar
- Neste ponto
- Com a entrada da serpente
- Dos enigmas da serpente
- Porém quando percebo
- A serpente é astuta
- A narrativa é límpida
- A serpente permanece um enigma
- Quando olho tempo suficiente
- O silêncio da história
- Outro resultado
- Individuação
- É o momento decisivo
- A ausência divina
- É uma pista falsa
- Não se trata
- Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
- A hora é agora
- Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
- Alcançar a individuação
- Eva recua
- Deus sabe
- O motor do conflito
- A grande revelação
- Transgredir
- A obra da serpente
- Onde está a maldade
- O que me faz lembrar
- A transfiguração do conflito
- Que são a imitação e o jogo de espelhos
- O que esta história existe para mostrar
- É por isso
- É o último momento
- Quando volto à recordação
- O efeito imediato
- Como numa comédia de erros
- Minha primeira transgressão
- É só do lado de cá
- A esse princípio
- Não nos deverá
- A coisa boa
- Se o conflito é a graça
- A transgressão original
- Transgredir é escolher
- No espaço recém-aberto da minha transgressão
- Em si mesmo nada há de terrível
- O conceito teológico
- Bastaria a morte
- A ambivalência do poder
- A maldição do pó
- Há algo de terrível na autodeterminação
- Minha disciplina pessoal mais antiga
- Essa crueza
- Não é completa
- Essas histórias
- Na noite de ontem para hoje
- O outro símbolo universal
- A serpente é mentirosa
- O primeiro desdobramento
- Foi mais ou menos nessa época
- Todas as lendas
- Minha convicção




