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Bastaria a morte e tudo estaria resolvido, mas Deus escolhe uma solução mais complicada e exigente. Na expulsão do Paraíso o Protagonista ao mesmo tempo adia a resolução do conflito e o reconhece, porém permanece impulsionado por ele.
O protagonista não precisava de nada, mas agora precisa conviver com o conflito. A fim de ao mesmo tempo proteger-se dele e mantê-lo heroicamente diante dos seus olhos, Deus transforma seu conflito numa instituição.
A expulsão significa que Deus não quer mais mostrar a sua glória, porque a transgressão humana, reflexo da divina, deixou inteiramente manifestas as complicações da autonomia. Em regime paralelo, o homem terá de ocultar sua própria glória, até que encontre um modo de administrar a sua autonomia.
O problema com o poder é que ele tem duas faces; uma é ensolarada e generosa e boa, outra é mesquinha e cruel e perversa. Diante da abundância da escolha, Deus escolhe algo criativo e bom; diante da abundância da escolha, o Homem escolhe algo injusto e prejudicial. Porém o nó está em que a liberdade humana permanece fruto rigoroso da liberdade divina: no devido tempo, em três parágrafos ou trinta anos, o poder acaba gerando a morte e a esterilidade. Isso deve-se menos às escolhas que fazemos do que à natureza corruptora do poder em si; é por isso que a glória deve ser escondida de imediato, em regime de absoluta emergência.
Na raiz mais essencial desta história, então, está o pressuposto de que toda manifestação de poder, todo exercício de autonomia, por mais bem intencionado que seja e mesmo que parta do mais iluminado dos empreendedores, envolve perigos terríveis e aparentemente incontornáveis. O poder torna-se motivo de embaraço tanto para quem faz escolhas generosas quanto para quem as faz perversas.
O coração do problema não está na diferença entre escolhas, mas na natureza ambivalente do poder.

Nasce um homem
- Era uma vez
- Adão era
- A teoria literária
- Para mim
- Se havia improvável graça
- O conflito que anima uma história
- A primeira blasfêmia
- Eu sentia ser minha obrigação
- Como demonstrado exemplarmente por Jesus
- De todos os detalhes
- A distinção mais antiga
- O homem em pé no centro
- Quando levantei-me do lugar
- Ele tinha o mundo natural aos seus pés
- Dois ou três personagens não bastam
- A proibição extrai seu poder
- Para caracterizar uma tragédia
- Pisei no andar térreo
- Você pode comer
- Um professor errante depara-se com um homem cego
- Nenhum outro elemento da trama
- Toda história sobre transgressão
- De todos os sonhos de que me recordo
- Não devemos deixar
- A chave, obviamente
- É curioso notar
- Para começar
- Neste ponto
- Com a entrada da serpente
- Dos enigmas da serpente
- Porém quando percebo
- A serpente é astuta
- A narrativa é límpida
- A serpente permanece um enigma
- Quando olho tempo suficiente
- O silêncio da história
- Outro resultado
- Individuação
- É o momento decisivo
- A ausência divina
- É uma pista falsa
- Não se trata
- Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
- A hora é agora
- Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
- Alcançar a individuação
- Eva recua
- Deus sabe
- O motor do conflito
- A grande revelação
- Transgredir
- A obra da serpente
- Onde está a maldade
- O que me faz lembrar
- A transfiguração do conflito
- Que são a imitação e o jogo de espelhos
- O que esta história existe para mostrar
- É por isso
- É o último momento
- Quando volto à recordação
- O efeito imediato
- Como numa comédia de erros
- Minha primeira transgressão
- É só do lado de cá
- A esse princípio
- Não nos deverá
- A coisa boa
- Se o conflito é a graça
- A transgressão original
- Transgredir é escolher
- No espaço recém-aberto da minha transgressão
- Em si mesmo nada há de terrível
- O conceito teológico
- Bastaria a morte
- A ambivalência do poder
- A maldição do pó
- Há algo de terrível na autodeterminação
- Minha disciplina pessoal mais antiga
- Essa crueza
- Não é completa
- Essas histórias
- Na noite de ontem para hoje
- O outro símbolo universal
- A serpente é mentirosa
- O primeiro desdobramento
- Foi mais ou menos nessa época
- Todas as lendas
- Minha convicção

