31 de Março de 2009

A Câmara dos Deputados

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Brasil, Ilustração, Politica

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Bem junto ao paço encontra-se a seu turno a Câmara dos Deputados, uma das raridades mais dignas de se ver nesta original capital imperial.

A tolice rude, a protérvia ignorante com que esses representantes da nação brasileira sustentam seus presumidos direitos e muitas vezes abdicam do essencial, para conquistarem ninharias sem importância; a arrogância ridícula com que se equiparam às nações européias, até em certos sentidos presumem ultrapassá-las mil vezes; os desaforos verdadeiramente bárbaros com que mutuamente se honram em seus discursos, pondo adequado arremate ao carnaval; tudo se ajunta para oferecer uma das mais degradantes cenas da vida pública do Brasil e do espírito coletivo, para o estrangeiro atônito que a princípio se julgava diante duma assembléia dos homens mais notáveis de uma grande nação.

A língua portuguesa já de si possui quantidade considerável de tão enérgicas, características galanterias do rancor e do vexame, mas os senhores deputados em seu zeloso ardor funcional não se contentam com isso, e ainda muitas vezes sublinham as palavras altamente escabrosas com uma mímica demasiado compreensível, indecente, para que nada se perca da sua grosseira produção1.

O alemão Carl Seidler, no mesmo Dez anos no Brasil (1835).
Seidler foi evidentemente um dos primeiros agentes da ANA.

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NOTAS
  1. A língua alemã, como se sabe, também não se pode dizer pobre de tais palavras e ditos tonitroantes (sic); mas a espanhola como a portuguesa excedem-na em cem por cento. Frases como “filho de uma . . .” ou “. . . que te pariu”, que me envergonho de traduzir, certamente jamais serão pronunciadas numa assembléia alemã, nem mesmo sob outra forma (Nota do Autor). []


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