Manuscritos estocados em Setembro do Anno 2009 de Nosso Senhor
26 de Setembro de 2009

Loved by Mary Lane

Filmes

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A adorável Kristen Bell, de Veronica Mars, é Mary Lane na versão musical, de 2005, do cult Reefer Madness, filme “educativo” (e absolutamente trash) de 1936 sobre os supostos perigos do consumo de maconha (em que ficamos sabendo que “a marijuana causa mais dependência do que a heroína”).

Esta versão de Reefer Madness sugou a estética, o senso de humor e até a sonoridade de A Pequena Loja dos Horrores (1986), ele mesmo versão musical de um filme anterior de orçamento inexistente.

O que curto nesta sequência é que é ainda é a metade do filme e em determinado momento todos os personagens – vilões e heróis, caretas e drogados, Jesus, o diabo e Joana d’Arc – param o que estão fazendo para celebrar um amor que se mostrará efêmero, sangrento e trágico.

“Jimmy, o que você está fazendo aqui no meio da noite? São quase 21h00!”

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25 de Setembro de 2009

O primeiro desdobramento

Manuscritos

85

O primeiro desdobramento da transgressão divina – o primeiro de tantíssimos, talvez infinitos desdobramentos – é a transgressão humana, e ao final deste brevíssimo primeiro ato Deus já está em maus lençóis.

O problema da contribuição humana não reside na transgressão em si, ela mesmo embutida na narrativa e portanto esperada; desde o princípio o que estava em jogo não era se, mas com qual peso de graça o homem pisaria o terreno sagrado da transgressão. E, para embaraço de sua herança, o homem transgredira sem delicadeza, sem cavalheirismo, pela intermediação da serpente, que urdira com a má caneta da acusação a lei do pecado.

Deus transgredira sem pecar; porém o homem, a fim de transgredir, vestira a máscara da acusação e conhecera nessa transação o pecado. Nessa manobra toda Deus saíra ileso, mas no rigor da sua integridade está embutido seu novo problema.

Até aqui o pecado não tem reflexo em Deus porque Deus não acusa, mas nessa vantagem estratégica reside seu calcanhar de Aquiles e a semente de um conflito inteiramente novo. Ao rebaixar-se à acusação o homem abrira mão da singularidade divina, mas sua imprundência (como em todas as histórias) não atingira apenas sua própria esfera. Sua autonomia lançara estilhaços profundos sobre a pele incólume de Deus.

O novo dilema está em que, diante do pecado e do fato de que o homem se tornara claramente digno de reprovação, como Deus pode manter-se livre, ele mesmo, de acusar o homem? Como deixar de empunhar a máscara da acusação, que Adão deixara cair tão convenientemente aos seus pés? Se não, como empunhá-la sem conceder à acusação e ao pecado o poder de destruir todas as relações futuras entre seres autônomos, para sempre?

Ao final deste primeiro ato resta ao protagonista este formidável impasse. Ao manter-se íntegro Deus tornara-se superior e criara – mesmo que inadvertidamente e pela via torta e formidável da liberdade de outro – a injustiça e seu abismo. Seu monólogo interior diante das árvores gêmeas encontra eco no ventre das eras que estão para nascer. Será possível manter-se superior sem esmagar o inferior? Será possível restaurar sem acusar? Pela via da transgressão o homem se tornara “como um de nós”, conhecendo as complicações e ambivalências da autonomia. Seria possível reparar-lhe a honra? Seria possível restaurar a honra divina? Seria possível restaurar uma sem a outra? Se Deus encontrara ele mesmo problemas para gerenciar a sua abundância, com que recurso se poderia ensinar o homem a calibrar a sua?

Para alguém que fundara o universo e moldara o homem a fim de demonstrar que tipo de pessoa era, neste momento Deus parece sozinho e muito longe de poder alcançar a individuação.

Nasce um homem

  1. Era uma vez
  2. Adão era
  3. A teoria literária
  4. Para mim
  5. Se havia improvável graça
  6. O conflito que anima uma história
  7. A primeira blasfêmia
  8. Eu sentia ser minha obrigação
  9. Como demonstrado exemplarmente por Jesus
  10. De todos os detalhes
  11. A distinção mais antiga
  12. O homem em pé no centro
  13. Quando levantei-me do lugar
  14. Ele tinha o mundo natural aos seus pés
  15. Dois ou três personagens não bastam
  16. A proibição extrai seu poder
  17. Para caracterizar uma tragédia
  18. Pisei no andar térreo
  19. Você pode comer
  20. Um professor errante depara-se com um homem cego
  21. Nenhum outro elemento da trama
  22. Toda história sobre transgressão
  23. De todos os sonhos de que me recordo
  24. Não devemos deixar
  25. A chave, obviamente
  26. É curioso notar
  27. Para começar
  28. Neste ponto
  29. Com a entrada da serpente
  30. Dos enigmas da serpente
  31. Porém quando percebo
  32. A serpente é astuta
  33. A narrativa é límpida
  34. A serpente permanece um enigma
  35. Quando olho tempo suficiente
  36. O silêncio da história
  37. Outro resultado
  38. Individuação
  39. É o momento decisivo
  40. A ausência divina
  41. É uma pista falsa
  42. Não se trata
  43. Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
  44. A hora é agora
  45. Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
  46. Alcançar a individuação
  47. Eva recua
  48. Deus sabe
  49. O motor do conflito
  50. A grande revelação
  51. Transgredir
  52. A obra da serpente
  53. Onde está a maldade
  54. O que me faz lembrar
  55. A transfiguração do conflito
  56. Que são a imitação e o jogo de espelhos
  57. O que esta história existe para mostrar
  58. É por isso
  59. É o último momento
  60. Quando volto à recordação
  61. O efeito imediato
  62. Como numa comédia de erros
  63. Minha primeira transgressão
  64. É só do lado de cá
  65. A esse princípio
  66. Não nos deverá
  67. A coisa boa
  68. Se o conflito é a graça
  69. A transgressão original
  70. Transgredir é escolher
  71. No espaço recém-aberto da minha transgressão
  72. Em si mesmo nada há de terrível
  73. O conceito teológico
  74. Bastaria a morte
  75. A ambivalência do poder
  76. A maldição do pó
  77. Há algo de terrível na autodeterminação
  78. Minha disciplina pessoal mais antiga
  79. Essa crueza
  80. Não é completa
  81. Essas histórias
  82. Na noite de ontem para hoje
  83. O outro símbolo universal
  84. A serpente é mentirosa
  85. O primeiro desdobramento
  86. Foi mais ou menos nessa época
  87. Todas as lendas
  88. Minha convicção
24 de Setembro de 2009

Panorama do litoral do Paraná

Ilustração

Tive de fazer a toque de caixa uma amostra de ilustração para um atlas do Paraná que pode ou não sair nos próximos meses. A topografia de superfície está mais ou menos correta, mas a geologia é inteiramente arbitrária. ISTO É UM TESTE. Em hipótese nenhuma anexar ao seu trabalho de Geografia.

Clique para ampliar.

23 de Setembro de 2009

Bendita hora

Irmãos Comédia

Nos capítulos anteriores de A Bacia das Almas:

Meus editores, como eu ia dizendo, acreditaram tanto na relevância do que escrevi quanto na disposição de meus leitores efetivos e potenciais a pagarem para ter acesso ao que podem ler de graça, em sua maior parte, aqui mesmo na Bacia1. Como se vê, a fé deles é maior do que a minha.

De qualquer forma, contratos foram assinados e todos os envolvidos devem cumprir suas embaraçosas obrigações. Se você quer ser testemunha ocular dos primeiros passos dessa degradação, pode querer estar presente no lançamento de Em 6 passos o que faria Jesus pela Garimpo Editorial, nesta segunda-feira, 28 de setembro de 2009, a partir das 19h30, na pizzaria Bendita Hora do bairro de Perdizes, São Paulo2. Será sem qualquer dúvida a primeira estação no processo de sequestramento da imagem de Paulo Brabo pelos grandes conglomerados e da anulação completa de sua mensagem pela ação inclemente da dissonância cognitiva.

Se tudo der certo eu mesmo estarei lá: eu não perderia essa indignidade por nada.

 

NOTAS
  1. Na tentativa de corrigir esse deslize escrevi um capítulo inédito tanto para A Bacia das Almas quanto para Em 6 passos o que faria Jesus. Essas precauções podem, no entanto, ter se mostrado desnecessárias. Como observou recentemente Paul Graham, e ao contrário do que normalmente se pensa, o público leitor está habituado a pagar pela forma e não pelo conteúdo. É por isso que nos mostramos dispostos a pagar mais por um mau livro de capa dura do que pela brochura de um bom autor. []
  2. Bendita Hora Pizza e Arte, Rua Wanderley, 795, São Paulo, SP, [11] 3862-0622 []
21 de Setembro de 2009

De gatos e homens

Pormenor

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A pianista é Nora, celebridade no youtube; o compositor (a partir das indicações da pianista), o lituano Mindaugas Piečaitis.

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