Manuscritos estocados em Agosto do Anno 2009 de Nosso Senhor
31 de Agosto de 2009

Quem precisa de árvores

Pormenor

Já está circulando no twitter, então é tarde demais para não ser verdade também aqui.

Desde o início das atividades da Bacia venho explicando que “aqui aqui jazem em tormento incessante as minhas idéias que não viraram livro”.

Bem, em breve isso não vai ser exatamente verdade.

Mundo Cristão, novembro.

 

30 de Agosto de 2009

The good, the bad and the ugly

Pormenor

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Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na página da Bacia na internet.

Com a extraordinária Orquestra de Ukulele da Grã-Bretanha.

Se a imagem estiver incompleta tente aqui.

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29 de Agosto de 2009

A diferença entre um homem e uma manga verde

Filmes, Homens e Mulheres



é que a manga amadurece.

Há uma estupidez essencial embutida na alma masculina (para não dizer nas suas gônadas). Não se engane: não há homens sérios, espirituais e compenetrados. Não há um de nós que se alce ao sublime. Dizemos coisas inconsequentes, fazemos coisas fora de propósito e rimos de coisas impróprias. Essa leviandade faz parte do segredo comum que torna os homens frequentemente repugnantes e ocasionalmente irresistíveis.

Shakespeare não se considerava acima de piadas sobre sexo, mas ele era Shakespeare, amparado por uma redação impecável e uma compaixão inabalável diante de tudo que é humano. Vindo de alguém que absolutamente abominou Quem vai ficar com Mary e jamais recomendaria Borat em público: vá assistir Se beber não case (The Hangover/A ressaca, 2009).

Não se deixe enganar pelo trailer, que o levará a pensar num daqueles filmes genéricos em que homens adultos falam merda e agem como adolescentes. Acredite, os protagonistas de Se beber não case falam mais merda e agem mais como adolescentes do que sugere o trailer, talvez quase tanto quanto os homens da vida real, mas não há nada de genérico nas suas aventuras ou no humor que incitam. Por trás dessas inconsequências espreita algo que não comparece em nenhuma boa comédia que me venha à lembrança (nem mesmo as que mais gosto, que costumam ser um amontoado pouco coeso de piadas e esquetes soltas): uma história.

O complemento perfeito a Pra que servem os homens.

28 de Agosto de 2009

Essas histórias

Manuscritos

81

Essas histórias que comecei a escrever e não cheguei a concluir são a representação fiel e rigorosa da minha própria história. Por quase três décadas permaneci inteiramente enamorado pela minha incompletude.

Borges confessou uma vez que quando jovenzinho achava coisa muito importante ser tímido; a isso, que tenho em comum com ele, devo acrescentar que achava coisa muito importante ser indistinto – livre de qualquer meta, rumo ou definição que excluísse as alternativas. Concentrava os esforços em manter-me genérico, fazendo malabarismos para contornar as decisões inapeláveis. Meu único verdadeiro compasso moral era minha diretriz subconsciente de não escolher destino algum.

Tive desde sempre uma vida interior absurdamente povoada. Nos recintos fechados do arbítrio eu reconhecia e perseguia a vocação de escritor, mas isso sentido estrito de quem escreve livros. Nunca me ocorreria, evidentemente, ceder ao incômodo ou à indignidade de publicá-los. Escrevia febrilmente, de quatro a cinco horas por dia, mas não mostrava os resultados a quem quer que seja.

Criava incessantemente histórias, personagens e tramas. Desenhava histórias em quadrinhos, dava início a romances de ficção científica, fantasia e aventura, esboçava contos de terror e novelas de detetive; escrevia música para orquestra e fazia mixagens (precárias) de trilhas sonoras; compunha o libreto, registrava a história e dava forma a árias de óperas perdidas que nunca existiram.

Isso tudo antes dos dezessete anos, e disso ninguém ficou sabendo.

Em retrospecto, vejo claramente que a outra pessoa teria ocorrido repartir esses esforços (ou pelo menos mencionar esses planos) diante de amigos e familiares.

Não a mim. Minha timidez e minha diretriz de indefinição exigiam de mim esses rigores. Ninguém podia saber o que eu estava fazendo, ninguém podia tocar o meu mundo, ninguém podia ler as minhas coisas – e os que tentaram contemplaram o dia da ira.

Ninguém podia conhecer os meus planos, porque meus planos eram concluí-los sem que ninguém ficasse sabendo.

Essa era, no meu modo de ver as coisas, uma dureza necessária. Se eu não defendesse a minha precariedade, ninguém mais o faria por mim. Ao contrário: o mundo era mau, e me pressionava a ceder a escolhas. Com inclemência cada vez maior, os outros exigiam que eu desse a mim mesmo o que jamais daria voluntariamente a ninguém: limites que me definissem.

Nasce um homem

  1. Era uma vez
  2. Adão era
  3. A teoria literária
  4. Para mim
  5. Se havia improvável graça
  6. O conflito que anima uma história
  7. A primeira blasfêmia
  8. Eu sentia ser minha obrigação
  9. Como demonstrado exemplarmente por Jesus
  10. De todos os detalhes
  11. A distinção mais antiga
  12. O homem em pé no centro
  13. Quando levantei-me do lugar
  14. Ele tinha o mundo natural aos seus pés
  15. Dois ou três personagens não bastam
  16. A proibição extrai seu poder
  17. Para caracterizar uma tragédia
  18. Pisei no andar térreo
  19. Você pode comer
  20. Um professor errante depara-se com um homem cego
  21. Nenhum outro elemento da trama
  22. Toda história sobre transgressão
  23. De todos os sonhos de que me recordo
  24. Não devemos deixar
  25. A chave, obviamente
  26. É curioso notar
  27. Para começar
  28. Neste ponto
  29. Com a entrada da serpente
  30. Dos enigmas da serpente
  31. Porém quando percebo
  32. A serpente é astuta
  33. A narrativa é límpida
  34. A serpente permanece um enigma
  35. Quando olho tempo suficiente
  36. O silêncio da história
  37. Outro resultado
  38. Individuação
  39. É o momento decisivo
  40. A ausência divina
  41. É uma pista falsa
  42. Não se trata
  43. Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
  44. A hora é agora
  45. Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
  46. Alcançar a individuação
  47. Eva recua
  48. Deus sabe
  49. O motor do conflito
  50. A grande revelação
  51. Transgredir
  52. A obra da serpente
  53. Onde está a maldade
  54. O que me faz lembrar
  55. A transfiguração do conflito
  56. Que são a imitação e o jogo de espelhos
  57. O que esta história existe para mostrar
  58. É por isso
  59. É o último momento
  60. Quando volto à recordação
  61. O efeito imediato
  62. Como numa comédia de erros
  63. Minha primeira transgressão
  64. É só do lado de cá
  65. A esse princípio
  66. Não nos deverá
  67. A coisa boa
  68. Se o conflito é a graça
  69. A transgressão original
  70. Transgredir é escolher
  71. No espaço recém-aberto da minha transgressão
  72. Em si mesmo nada há de terrível
  73. O conceito teológico
  74. Bastaria a morte
  75. A ambivalência do poder
  76. A maldição do pó
  77. Há algo de terrível na autodeterminação
  78. Minha disciplina pessoal mais antiga
  79. Essa crueza
  80. Não é completa
  81. Essas histórias
  82. Na noite de ontem para hoje
  83. O outro símbolo universal
  84. A serpente é mentirosa
  85. O primeiro desdobramento
  86. Foi mais ou menos nessa época
  87. Todas as lendas
  88. Minha convicção
27 de Agosto de 2009

A vitória do empreendedorismo

Ilustração

Capa para uma cartilha sobre o funcionamento da lei do Empreendedor Individual. Clique na imagem para ampliar.