Manuscritos estocados em Abril do Anno 2009 de Nosso Senhor
30 de Abril de 2009

Cidadezinha feliz

Ilustração

Tomada dois.

Escultura em papel digital: CorelDRAW, Photoshop e Corel Painter. Clique para ampliar.

29 de Abril de 2009

Clara

Manuscritos

À amiga imaginária que se derramava pela janela do quarto em ondas e partículas e quase se materializava nos grãozinhos de poeira que voavam como fadas ao longo da fatia de sol, ela diria:

– Quem nunca dançou entre os seus eletrodomésticos não sabe o que é estar viva. Eletrodomésticos não são só utilitários, são companhia. Não digo que sejam tipo família ou amigos, mas são entidades-que-estão-lá e nos fazem companhia, ainda mais do que xícaras coloridas ou panelas. Uma casa sem eletrodomésticos é uma coisa assustadora, você não acha? A coisa boa é que basta uma geladeira para salvar tudo, especialmente se for gordinha e vermelha e de cantos arredondados como a que herdei da vó Maruca.

E a amiga imaginária, que se chamaria Clara e estaria observando enquanto ela fazia as unhas na luz da janela, diria que já tinha notado a geladeira no canto do corredor e estava procurando uma oportunidade para comentar o quanto era maravilhosa, coisa de ilustração de livro infantil no bom sentido.

– Não é mesmo? – ela diria, absolutamente agradecida e fascinada.

E Clara, a imaginária, acrescentaria que gosta de eletrodomésticos porque eles lembram aqueles momentos da vida em que nada acontece e em que existir é só estar em casa e fazer coisas para a gente mesmo. Tipo fazer café numa cafeteira italiana com o pó que a gente comprou no Mercado Municipal ou mexer na caixa onde estão os retalhos para a colcha que ainda não chegou a hora de começar; assar um bolo ou sentir a pele rejuvenescendo debaixo da máscara ou, de olhos fechados, fazer o inventário mental de todas as partes do corpo que estão em contato com o colchão num dado momento. E em tudo isso os eletrodomésticos, como aqueles deuses familiares dos romanos, estão ao redor para nos proteger e para infundir na casa uma alma mesmo quando a gente não está ali. Como, tipo, o fogão de lenha com comida em cima e o monjolo que tritura sem parar a farinha de milho proferem a alma da casinha da tia Amélia entre os morros verdinhos e perfeitamente semicirculares da fazenda dela em Minas Gerais.

Ela perguntaria sobre a tia Amélia de Clara e combinariam que um dia pegariam o carro e sairiam juntas, armadas de barracas e repelentes e guarda-sóis, para uma visita de dois ou três dias à casa de madeira da tia Amélia que nunca se casou e suas broas de milho e geléias impossivelmente escuras de frutas vermelhas. Chegariam de surpresa trazendo o carro cheio de compras e presentes e a velha senhora ficaria grata e prepararia um quarto com edredons para dormirem as duas juntas e fariam colares de sementes e subiriam cada tarde um morro diferente e assistiriam o por-do-sol lá do alto até começarem a picar as estrelas e tirariam fotos uma da outra no celular para mandar pela internet e prometeriam que não ficariam solteiras como a tia Amélia mas se divertiriam muito antes e seriam amigas para sempre.

O telefone tocou e ela terminou de empurrar uma cutícula antes de atender.

– Que tá fazendo?

– Fazendo a unha e imaginando como seria ser a amiga imaginária de outra pessoa – ela respondeu, enquanto cheirava o gargalo da garrafinha brega de plástico de um Leite de Rosas.

– Clara, cê é bem doidinha – disse a amiga no telefone, entre deleitada e ofendida.

28 de Abril de 2009

Rafting

Ilustração

27 de Abril de 2009

Mas você foi amar Maria

Goiabas Roubadas

Este documento contém clipes de áudio que só podem ser ouvidos na página da Bacia na internet.

Olhe o que foi, meu bom José
Se apaixonar pela donzela
Dentre todas a mais bela
De toda sua Galiléia

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25 de Abril de 2009

Chapman’s Cheerful Chappies

Pormenor

Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na página da Bacia na internet.

Don’t say gesuntheit

Se a imagem estiver incompleta tente aqui.

Say Chapman’s Cheerful Cheese™