Que são a imitação e o jogo de espelhos
Manuscritos
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Que são a imitação e o jogo de espelhos o vento a inflamar a tentação o texto deixa claro através de inúmeras pistas internas. Nenhuma, porém, é mais clara do que o depoimento da serpente: “[quando transgredirem] vocês serão como Deus”. A motivação do pecado é a mesma da virtude, o desejo de imitar a divindade.
Nessa sedução da serpente a narrativa deixa patente o mecanismo mais secreto e mais evidente da vontade humana. Num sentido muito fundamental (e ao contrário do que comumente se pensa), não desejamos aquilo que não temos e não temos qualquer inclinação natural a violar uma proibição. A privação e a interdição não bastam para desencadear a transgressão, porque as coisas a que não temos acesso por si mesmas não nos interessam. O que almejamos de forma irresistível é imitar o próximo. O que nos impele a desejar as coisas que não temos é a sede de ser como os outros. O primeiro homem não deseja o fruto da árvore, mas deseja ser como Deus.
Queremos em tudo imitar o próximo, pelo que nossos desejos se orientam pelo que as outras pessoas possuem, mas o que nos interessa em especial é imitar os desejos do próximo. Nosso plano-mestre é tornar nossas as ânsias dos outros, a fim de que compartilhemos vicariamente da satisfação que pertence a eles. Assim o que começa em admiração, se deixado a seus próprios recursos, termina fatalmente em rivalidade e antagonismo.
Nasce um homem
- Era uma vez
- Adão era
- A teoria literária
- Para mim
- Se havia improvável graça
- O conflito que anima uma história
- A primeira blasfêmia
- Eu sentia ser minha obrigação
- Como demonstrado exemplarmente por Jesus
- De todos os detalhes
- A distinção mais antiga
- O homem em pé no centro
- Quando levantei-me do lugar
- Ele tinha o mundo natural aos seus pés
- Dois ou três personagens não bastam
- A proibição extrai seu poder
- Para caracterizar uma tragédia
- Pisei no andar térreo
- Você pode comer
- Um professor errante depara-se com um homem cego
- Nenhum outro elemento da trama
- Toda história sobre transgressão
- De todos os sonhos de que me recordo
- Não devemos deixar
- A chave, obviamente
- É curioso notar
- Para começar
- Neste ponto
- Com a entrada da serpente
- Dos enigmas da serpente
- Porém quando percebo
- A serpente é astuta
- A narrativa é límpida
- A serpente permanece um enigma
- Quando olho tempo suficiente
- O silêncio da história
- Outro resultado
- Individuação
- É o momento decisivo
- A ausência divina
- É uma pista falsa
- Não se trata
- Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
- A hora é agora
- Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
- Alcançar a individuação
- Eva recua
- Deus sabe
- O motor do conflito
- A grande revelação
- Transgredir
- A obra da serpente
- Onde está a maldade
- O que me faz lembrar
- A transfiguração do conflito
- Que são a imitação e o jogo de espelhos
- O que esta história existe para mostrar
- É por isso
- É o último momento
- Quando volto à recordação
- O efeito imediato
- Como numa comédia de erros
- Minha primeira transgressão
- É só do lado de cá
- A esse princípio
- Não nos deverá
- A coisa boa
- Se o conflito é a graça
- A transgressão original
- Transgredir é escolher
- No espaço recém-aberto da minha transgressão
- Em si mesmo nada há de terrível
- O conceito teológico
- Bastaria a morte
- A ambivalência do poder
- A maldição do pó
- Há algo de terrível na autodeterminação
- Minha disciplina pessoal mais antiga
- Essa crueza
- Não é completa
- Essas histórias
- Na noite de ontem para hoje
- O outro símbolo universal
- A serpente é mentirosa
- O primeiro desdobramento
- Foi mais ou menos nessa época
- Todas as lendas
- Minha convicção








