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Manuscritos estocados em Janeiro do Anno 2009 de Nosso Senhor
31 de Janeiro de 2009
ExplorePormenorEste documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na página da Bacia na internet. Se a imagem estiver incompleta tente aqui. 30 de Janeiro de 2009
Onde está a maldadeManuscritos53 Onde está a maldade da serpente, se tudo que ela tem apresentar ao homem diante da inevitável transgressão é a verdade? Se a serpente não se rebaixa a acenar com nenhuma promessa falsa, porque a tradição fará com que Jesus acuse-a de mentirosa por excelência? Se ninguém morre, porque Jesus legislará que ela é assassina “desde o princípio”? Para encontrar uma resposta satisfatória será preciso aguardar a entrada em cena do próprio Jesus. Neste meio tempo, se examinarmos a própria narrativa com o devido distanciamento poderemos encontrar indicações importantes. Para retraçar o trajeto tortuoso da serpente será preciso enfatizar a absoluta neutralidade moral da interdição original – e se retorno com tanta frequência a este ponto é porque estamos tão formidavelmente habituados a pensar o contrário. “Não coma desta árvore, caso contrário vai morrer”. A interdição original é menos moral do que mecânica: não faça A, caso contrário B será inevitável. É menos uma proibição – e é certamente menos um mandamento – do que um aviso. Transgredir pode se mostrar tremendamente imprudente, mas não é, em qualquer sentido, errado. Daqui a alguns minutos, quando o homem já tiver transgredido, mas antes de ter apontado a participação da serpente no caminho da transgressão, é preciso ouvir com atenção aquilo que Deus não dirá. Significativamente, Deus não perguntará “Adão, porque você me traiu?” ou “porque me desobedeceu?” ou “porque pecou?”. Tudo que ele irá ressaltar é a natureza mecânica da transgressão: “você comeu da árvore que eu mandei que não comesse?” Você fez A, que eu disse para não fazer? Para o próprio Deus, a transgressão é mero interruptor que não deveria ter sido acionado: não implica em traição, não implica em desobediência e não implica em pecado. Em termos narrativos, poderia ter ocasionado a Queda e a Morte, mas não precisaria ter ocasionado o pecado. Acontece que no intervalo entre a proibição e a transgressão a narrativa acolheu um novo personagem, e deverá tolerar estoicamente a sua intervenção. No intervalo entre a proibição e a transgressão o novo personagem injetará no conflito o seu veneno: isto é, no meio do caminho havia uma serpente. Seu papel não é fazer a história avançar (o que teria acontecido fatalmente sem ele), mas imprimir à narrativa um novo matiz teológico – ou, para ser mais preciso, antropológico. Quando transmite ao homem a proibição, Deus fala do alto de sua exaltada e bem-intencionada posição; a serpente, porém, falará ao homem a partir do seu próprio nível, diretamente nos seus ouvidos. Não é de modo algum por acaso que seja assim. Se toda a bondade que há no homem é divina, toda a maldade que há na serpente é humana. Nasce um homem
28 de Janeiro de 2009
A vexação de SatanásManuscritosÀ primeira vista a segunda porção do discurso de Pedro parece ser essencialmente apologética — no sentido de tentar argumentar de todas as maneiras em favor da supremacia de Cristo. O próprio Pedro, no entanto, recusa-se a endossar a nossa crença de que seus argumentos são mais importantes do que suas conclusões. Quando analisado a partir de suas próprias ênfases, esta parte do discurso demonstra ser perfeita ressonância e desconcertante complemento da primeira. No que diz respeito à sua defesa, Pedro faz duas coisas: primeiro, traz à lembrança da multidão a pessoa extraordinária Jesus foi enquanto viveu (“homem aprovado através dos milagres, prodígios e sinais miraculosos que Deus realizou entre vocês por intermédio dele”). Segundo, e de forma mais extensa, argumenta que a ressurreição de Jesus (“da qual todos nós somos testemunhas”) é cumprimento de uma profecia que Davi (de quem Jesus era descendente) teria deixado mais ou menos oculta (até agora) no texto de seus salmos.
De especial interesse para nós que buscamos traços do Jesus dos evangelhos no rastro dos apóstolos está em que, falando assim, Pedro parece estar sugerindo que a faceta mais digna de admiração do ministério de Jesus foram seus milagres — e não, por exemplo, seu caráter, seu ensino e sua originalidade. Essa ênfase soará sem qualquer dúvida estranha a nossos ouvidos sofisticados, a nós que sabemos pelos evangelhos que Jesus concedia importância quando muito secundária a seus próprios milagres, e tinha por preferência evitá-los ou mantê-los em segredo. Por que Pedro, que conheceu de perto a singularidade mais essencial do homem que está defendendo, imprimiria importância mais do que transversal aos milagres e prodígios que o perseguiram? Para entender essa contradição é preciso despir o discurso de Pedro de sua veste apologética, de modo a encontrar a pérola que cintila por trás dos argumentos. A elaborada argumentação (“quando Davi disse isso, falava na verdade disso, como fica comprovado através de etc”) pode ser com segurança ignorada, porque sua função é meramente cumulativa e seu caráter midráshico, quase estilizado. O fato é que os ouvintes do discurso (bem como nós mesmos) não precisavam acreditar na consistência dos argumentos para serem impactados pela sua atordoante conclusão. A chave do texto, a indicação da sua verdadeira ênfase, encontra-se nas bordas. A formidável revelação que Pedro quer apresentar está encapsulada na dupla referência “vocês mataram” (v.23) e “vocês crucificaram”(v. 36). Ao contrário do que possa parecer, a intenção de Pedro com essas qualificações não é fazer com que seu público se sinta culpado. Sua intenção é fazer com que seus olhos se abram para o mecanismo ao qual René Girard dá o nome de vitimização. Pedro quer que seus ouvintes sejam capazes de reconhecer que, na ânsia de aplacar as tensões que se haviam despertado na sociedade durante e através do ministério de Jesus, tinham acusado, condenado e eliminado uma vítima inocente. Como observa Girard, o mecanismo de encontrar e eliminar uma vítima inocente e unânime — um bode expiatório — na tentativa de aplacar as tensões de uma comunidade é tão antigo quanto a própria humanidade. O que o Novo Testamento faz de modo espetacular é denunciar com clareza tanto os mecanismos desse método quanto a perversidade dessa solução. Ao contrário do que normalmente acontece quando o mecanismo de vitimização é acionado numa sociedade, na Bíblia (e em especial no Novo Testamento) as vítimas não são convenientemente silenciadas pela morte. O sangue de Abel clama por justiça do seio da terra, e a mão e a voz de Jesus — efetivamente seu espírito — sobem do túmulo para dar testemunho da inocência de todas as vítimas. É por isso que os argumentos de Pedro enfatizam, logo de início, a inocência de Jesus. É por isso que ele deve lembrar que Jesus demonstrara sem qualquer dúvida ser “aprovado por Deus” através de seus milagres. O que está sendo denunciado aqui não é a culpa individual, mas a perversidade do mecanismo de vitimização, a formidável cegueira coletiva que leva uma multidão a eliminar uma vítima que todos sabem inocente e não tem qualquer relação com os crimes de que está sendo acusada. Este mecanismo, propõe Girard, é a ferramenta de Satanás e é o próprio Satanás — cujo nome quer dizer, significativamente, “acusador”. A surpresa que Pedro reserva para o final está em que, graças a Jesus, nada mais será o que era. As vítimas nunca mais serão eliminadas impunemente e a humanidade não terá mais como ceder ao mecanismo de vitimização coletiva sem saber o que está fazendo, porque em Jesus Deus denunciou Satanás e fez dele um estrado para os seus pés. O espetacular na vida e na obra de Jesus está em que a vítima foi eliminada mas o próprio Deus interviu de modo a comprovar sem equívoco a sua inocência. “O Jesus que vocês mataram Deus o fez Senhor e Messias” — e nisto está o mistério e a reviravolta diante da qual daqui a um minuto estarão se dobrando os ouvintes deste discurso. A vítima, revela Pedro, é o próprio Deus. Em Jesus, Deus se coloca do lado das vítimas. Em Jesus, a vítima é o Escolhido, o Ungido, o Messias. Em Jesus, Deus fala através das vítimas: uma vez que assume o lugar de honra à direita de Deus, a Vítima derrama “isso que vocês estão agora vendo e ouvindo”, isto é, seu Espírito, isto é, Deus falando através de mulheres de segunda classe e pescadores ignorantes. É por isso Pedro pode dar a entender, sem incorrer em erro, que todos os seus ouvintes, mesmo os que acabaram de chegar a Jerusalém, são testemunhas da ressurreição de Jesus (“do que todos nós somos testemenhas”). Sem qualquer incorreção, exagero ou metáfora, Jesus está presente por inteiro no Pentecostes, falando em várias línguas, abraçando em várias vozes, suas mãos inteiramente preparadas para lançarem-se em defesa de todas as vítimas.
Rastros dos apóstolos
26 de Janeiro de 2009
Se pedir dinheiroFé e Crença, Goiabas Roubadas11.4 Qualquer apóstolo que vier até vocês não deve permanecer mais do que um dia, até dois se for necessário; se permanecer três dias, é falso profeta. Versos avulsos do Didaquê, um dos documentos mais antigos do movimento cristão. Estima-se que o Didaquê tenha sido escrito antes das cartas de João e do livro de Apocalipse, e talvez ainda antes de outros livros do Novo Testamento.
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os arquivos dA Bacia das Almas estocados em Janeiro 2009.
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