30 de Maio de 2008

Um professor errante depara-se com um homem cego

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Manuscritos

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Um professor errante depara-se com um homem cego, e seus discípulos exigem imediatamente: “Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” (João 9:2). A pergunta e sua denúncia mostram que os discípulos raciocinam em termos teológicos; pensam em categorias de trangressão e punição, crime e castigo, dívida e restituição. Sua ortodoxia requer uma lógica, pelo que crêem que todo conflito tem uma causa moral, que todo sofrimento é em algum sentido justificado e que todos acabam recebendo o que merecem, mesmo que seja a graça. Interpretam o mundo pela perspectiva da teologia, e são obcecados com o problema do pecado.

Jesus vê o mundo em termos narrativos. “Nem ele pecou nem seus pais” ele esclarece, “mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus” (v.3). No que deve ter soado como blasfêmia, Jesus propõe que a adversidade não é punição pela transgressão. O conflito é oportunidade de fazer avançar a trama – e fazê-la avançar rumo a um desenlace que se mostre satisfatório para todos. A iniciativa divina não está em rastrear e punir o pecado, mas em retificar a condição do pecador. Fazer “as obras de Deus” é redimir a narrativa de um homem: é mudar a sua história de modo a resgatá-la. O que a narrativa requer – o que Deus requer, nas palavras de Jesus – é uma intervenção que resolva o problema do pecador.



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