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Um professor errante depara-se com um homem cego, e seus discípulos exigem imediatamente: “Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” (João 9:2). A pergunta e sua denúncia mostram que os discípulos raciocinam em termos teológicos; pensam em categorias de trangressão e punição, crime e castigo, dívida e restituição. Sua ortodoxia requer uma lógica, pelo que crêem que todo conflito tem uma causa moral, que todo sofrimento é em algum sentido justificado e que todos acabam recebendo o que merecem, mesmo que seja a graça. Interpretam o mundo pela perspectiva da teologia, e são obcecados com o problema do pecado.
Jesus vê o mundo em termos narrativos. “Nem ele pecou nem seus pais” ele esclarece, “mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus” (v.3). No que deve ter soado como blasfêmia, Jesus propõe que a adversidade não é punição pela transgressão. O conflito é oportunidade de fazer avançar a trama – e fazê-la avançar rumo a um desenlace que se mostre satisfatório para todos. A iniciativa divina não está em rastrear e punir o pecado, mas em retificar a condição do pecador. Fazer “as obras de Deus” é redimir a narrativa de um homem: é mudar a sua história de modo a resgatá-la. O que a narrativa requer – o que Deus requer, nas palavras de Jesus – é uma intervenção que resolva o problema do pecador.
Nasce um homem
- Era uma vez
- Adão era
- A teoria literária
- Para mim
- Se havia improvável graça
- O conflito que anima uma história
- A primeira blasfêmia
- Eu sentia ser minha obrigação
- Como demonstrado exemplarmente por Jesus
- De todos os detalhes
- A distinção mais antiga
- O homem em pé no centro
- Quando levantei-me do lugar
- Ele tinha o mundo natural aos seus pés
- Dois ou três personagens não bastam
- A proibição extrai seu poder
- Para caracterizar uma tragédia
- Pisei no andar térreo
- Você pode comer
- Um professor errante depara-se com um homem cego
- Nenhum outro elemento da trama
- Toda história sobre transgressão
- De todos os sonhos de que me recordo
- Não devemos deixar
- A chave, obviamente
- É curioso notar
- Para começar
- Neste ponto
- Com a entrada da serpente
- Dos enigmas da serpente
- Porém quando percebo
- A serpente é astuta
- A narrativa é límpida
- A serpente permanece um enigma
- Quando olho tempo suficiente
- O silêncio da história
- Outro resultado
- Individuação
- É o momento decisivo
- A ausência divina
- É uma pista falsa
- Não se trata
- Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
- A hora é agora
- Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
- Alcançar a individuação
- Eva recua
- Deus sabe
- O motor do conflito
- A grande revelação
- Transgredir
- A obra da serpente
- Onde está a maldade
- O que me faz lembrar
- A transfiguração do conflito
- Que são a imitação e o jogo de espelhos
- O que esta história existe para mostrar
- É por isso
- É o último momento
- Quando volto à recordação
- O efeito imediato
- Como numa comédia de erros
- Minha primeira transgressão
- É só do lado de cá
- A esse princípio
- Não nos deverá
- A coisa boa
- Se o conflito é a graça
- A transgressão original
- Transgredir é escolher
- No espaço recém-aberto da minha transgressão
- Em si mesmo nada há de terrível
- O conceito teológico
- Bastaria a morte
- A ambivalência do poder
- A maldição do pó
- Há algo de terrível na autodeterminação
- Minha disciplina pessoal mais antiga
- Essa crueza
- Não é completa
- Essas histórias
- Na noite de ontem para hoje
- O outro símbolo universal
- A serpente é mentirosa
- O primeiro desdobramento
- Foi mais ou menos nessa época
- Todas as lendas
- Minha convicção


