AS DEZ GERAÇÕES: Os descendentes de Sete
As exortações das esposas de Lameque produziram efeito em Adão. Depois de cento e trinta anos de separação ele voltou para Eva, e o amor que ele nutria por ela era agora muitas vezes mais forte do que antes. Quando não estava corporeamente com ele, Eva estava presente nos seus pensamentos. O fruto de sua união foi Sete, que estava destinado a ser ancestral do Messias.
Sete nasceu formado de tal modo que não foi necessário executar nele o rito da circuncisão. Dessa forma Sete foi um dos treze homens que de algum modo nasceram perfeitos1. Adão gerou-o à sua imagem e semelhança, ao contrário de Caim, que não havia sido à sua imagem e semelhança. Sete tornou-se assim, no sentido mais genuíno, pai da raça humana, especialmente dos piedosos, enquanto que os depravados e ímpios são descendentes de Caim.
Mesmo durante o tempo de vida de Adão os descendentes de Caim tornaram-se perversos ao extremo, morrendo um após o outro, cada um mais perverso do que o anterior. Eram intoleráveis na guerra, veementes em roubalheiras, e se algum deles se mostrasse hesitante em matar gente, seria não obstante ousado em agir injustamente e promover dano visando seu próprio lucro.
Quanto a Sete, quando chegou à idade na qual foi capaz de discernir o que era bom tornou-se um homem virtuoso, e como tinha excelente caráter, deixou filhos que imitaram suas virtudes. Todos os seus filhos provaram ser de boa índole; habitaram a mesma região sem dissensões, felizes e sem que qualquer infortúnio lhes sobreviesse, até morrerem. Foram também os inventores daquela espécie singular de sabedoria que estuda os corpos celestes e sua ordem. Para que suas invenções não se perdessem antes que fossem suficientemente divulgadas, ergueram dois pilares, diante da previsão de Adão de que o mundo seria destruído numa ocasião pela força do fogo e em outra ocasião pela violência e quantidade da água. O primeiro pilar era de barro, o segundo de pedra; gravaram suas descobertas em ambos, para que caso o pilar de barro fosse destruído pela inundação restasse o pilar de pedra e exibisse suas descobertas para a humanidade, informando também que houvera outro pilar, feito de barro, erguido por eles.
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Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash (particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.
Este documento faz parte da série
Lendas dos judeus
- As primeiras coisas criadas
- O alfabeto
- O primeiro dia
- O segundo dia
- O terceiro dia
- O quarto dia
- O quinto dia
- O sexto dia
- O sexto dia, continuação
- Todas as coisas louvam ao Senhor
- O homem e o mundo
- Os anjos e a criação do homem
- A criação de Adão
- A alma do homem
- O homem ideal
- A queda de Satanás
- A mulher
- Adão e Eva no Paraíso
- A queda do homem
- A punição
- O sábado no céu
- O arrependimento de Adão
- O livro de Raziel
- A doença de Adão
- Eva narra a história da queda
- A morte de Adão
- A morte de Eva
- O nascimento de Caim
- Fratricídio
- A punição de Caim
- Os habitantes das sete terras
- Os descendentes de Caim
- Os descendentes de Adão e Lilith
- Sete e seus descendentes
- Enos
- A queda dos anjos
- Enoque, governante e mestre
- A ascensão de Enoque
- O traslado de Enoque
- Matusalém
- O nascimento de Noé
- A punição dos anjos caídos
- A geração do dilúvio
- O livro santo
- Segundo uma tradição judaica, os treze homens que teriam nascido circuncidados (e portanto perfeitos) são Adão, Sete, Enoque, Noé, Sem, Teraque, Jacó, José, Moisés, Samuel, Davi, Isaías e Jeremias. Outra tradição enumera Adão, Sete, Jó, Noé, Sem, Jacó, José, Moisés, Samuel, Davi, Jeremias, Zorobabel e Jesus (sim, esse Jesus). [↩]


