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O homem em pé no centro da criação é um campeão e um palerma.
É um campeão porque é belíssimo e forte e arrojado e esperto e nada teme. O primeiro homem, como todos, é bem-intencionado e generoso e suas intenções são puras e nada se interpõe no caminho dos seus sonhos. Está pronto para deslizar em cataratas, saltar de penhascos, domar as nuvens e fazer rodopiar as estrelas com a ponta dos dedos. É um campeão porque a primeira palavra que ouve é menos uma ordem do que uma premiação e uma glória: a vertigem e a perspectiva de encher de fertilidade esta terra e de sujeitá-la ao domínio de sua mão de carne. É um campeão porque desde o primeiro instante nada pode detê-lo além de si mesmo; por alguma façanha da geometria divina tanto animais da terra quanto peixes do abismo e aves do céu tremem por antecipação, em devoção submissa, debaixo do seu pé descalço.
É também um palerma, por tudo que não sabe. O primeiro homem desconhece em primeiro lugar de que material é feito, isto é, de onde veio e para onde pode voltar. Desconhece que está nu, e a tremenda honra que isso implica, e desconhece se há alguma distinção entre ele mesmo e a vertiginosa imagem de Deus que fala com ele. Desconhece se tem umbigo, e se o tem, não sabe que essa curiosidade é uma citação de um livro que ainda não foi lido. Desconhece um número espantoso de coisas que seu leitor, que é menos poderoso e íntegro do que ele, está cansado de saber, e isso torna sua posição imediatamente trágica e enche-nos de simpatia por ele. Adão não tem como saber que seu primeiro antagonista é a criança invisível que ele nunca foi e que observa em silêncio o poder do homem que precisará dela, balançando cheia de compaixão a cabeça. Adão desconhece as mais elementares relações de causa e efeito, desconhece a sua própria singularidade. Desconhece, incrivelmente, a distinção entre o bem e o mal, e não sabe que a própria glória da sua condição o tornará incapaz de fazer a escolha quando ela se mostrar necessária.
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Nasce um homem
- Era uma vez
- Adão era
- A teoria literária
- Para mim
- Se havia improvável graça
- O conflito que anima uma história
- A primeira blasfêmia
- Eu sentia ser minha obrigação
- Como demonstrado exemplarmente por Jesus
- De todos os detalhes
- A distinção mais antiga
- O homem em pé no centro
- Quando levantei-me do lugar
- Ele tinha o mundo natural aos seus pés
- Dois ou três personagens não bastam
- A proibição extrai seu poder
- Para caracterizar uma tragédia
- Pisei no andar térreo
- Você pode comer
- Um professor errante depara-se com um homem cego
- Nenhum outro elemento da trama
- Toda história sobre transgressão
- De todos os sonhos de que me recordo
- Não devemos deixar
- A chave, obviamente
- É curioso notar
- Para começar
- Neste ponto
- Com a entrada da serpente
- Dos enigmas da serpente
- Porém quando percebo
- A serpente é astuta
- A narrativa é límpida
- A serpente permanece um enigma

