6
O conflito que anima uma história pode ser, incrivelmente, qualquer coisa.
Apesar do que sugere o nome, algumas vezes o conflito da narrativa é precipitado por uma coisa boa – uma possibilidade, um sonho, um presente, um encontro feliz, uma paixão. As histórias são de tal natureza que mesmo coisas inequivocamente propícias podem acabar gerando tensão e complicação – conflito.
É o lado negativo da situação, no entanto, que define o conflito: uma coisa boa que se perde ou que se deseja gera uma lacuna. A lacuna aperta o protagonista, que sente-se desafiado a resolver o conflito.
Um homem tinha cem ovelhas, mas uma delas se extraviou.
Um negociante que adquiria pérolas preciosas encontrou à venda uma pérola de grande valor.
Um homem tinha dois filhos. O mais jovem pediu sua parte da herança e, passados não muitos dias, partiu para uma terra distante.
As pessoas são diferentes, por isso o conflito que move o personagem de determinada história não afetaria de forma alguma o protagonista de outra. Para resolver o seu conflito particular os personagens de histórias diferentes correm atrás de coisas diferentes: a reparação da honra, uma pele dourada de carneiro, a libertação de uma princesa, um tesouro guardado por um dragão, a destruição de um anel pernicioso, a restauração de uma aldeia arrasada pela fome.
Um personagem que é sensível ao apelo do amor pode ser impermeável à oferta de riqueza que move outro. Um filho perdido pode parecer para alguém conflito menor do que uma pérola que não se pode comprar.
Cada protagonista tem o conflito que merece.
Nasce um homem
- Era uma vez
- Adão era
- A teoria literária
- Para mim
- Se havia improvável graça
- O conflito que anima uma história
- A primeira blasfêmia
- Eu sentia ser minha obrigação
- Como demonstrado exemplarmente por Jesus
- De todos os detalhes
- A distinção mais antiga
- O homem em pé no centro
- Quando levantei-me do lugar
- Ele tinha o mundo natural aos seus pés
- Dois ou três personagens não bastam
- A proibição extrai seu poder
- Para caracterizar uma tragédia
- Pisei no andar térreo
- Você pode comer
- Um professor errante depara-se com um homem cego
- Nenhum outro elemento da trama
- Toda história sobre transgressão
- De todos os sonhos de que me recordo
- Não devemos deixar
- A chave, obviamente
- É curioso notar
- Para começar
- Neste ponto
- Com a entrada da serpente
- Dos enigmas da serpente
- Porém quando percebo
- A serpente é astuta
- A narrativa é límpida
- A serpente permanece um enigma
- Quando olho tempo suficiente
- O silêncio da história
- Outro resultado
- Individuação
- É o momento decisivo
- A ausência divina
- É uma pista falsa
- Não se trata
- Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
- A hora é agora
- Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
- Alcançar a individuação
- Eva recua
- Deus sabe
- O motor do conflito
- A grande revelação
- Transgredir
- A obra da serpente
- Onde está a maldade
- O que me faz lembrar
- A transfiguração do conflito
- Que são a imitação e o jogo de espelhos
- O que esta história existe para mostrar
- É por isso
- É o último momento
- Quando volto à recordação
- O efeito imediato
- Como numa comédia de erros
- Minha primeira transgressão
- É só do lado de cá
- A esse princípio
- Não nos deverá
- A coisa boa
- Se o conflito é a graça
- A transgressão original
- Transgredir é escolher
- No espaço recém-aberto da minha transgressão
- Em si mesmo nada há de terrível
- O conceito teológico
- Bastaria a morte
- A ambivalência do poder
- A maldição do pó
- Há algo de terrível na autodeterminação
- Minha disciplina pessoal mais antiga
- Essa crueza
- Não é completa
- Essas histórias
- Na noite de ontem para hoje
- O outro símbolo universal
- A serpente é mentirosa
- O primeiro desdobramento
- Foi mais ou menos nessa época
- Todas as lendas
- Minha convicção


