20 de Fevereiro de 2008

O conflito que anima uma história

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Manuscritos

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O conflito que anima uma história pode ser, incrivelmente, qualquer coisa.

Apesar do que sugere o nome, algumas vezes o conflito da narrativa é precipitado por uma coisa boa – uma possibilidade, um sonho, um presente, um encontro feliz, uma paixão. As histórias são de tal natureza que mesmo coisas inequivocamente propícias podem acabar gerando tensão e complicação – conflito.

É o lado negativo da situação, no entanto, que define o conflito: uma coisa boa que se perde ou que se deseja gera uma lacuna. A lacuna aperta o protagonista, que sente-se desafiado a resolver o conflito.

Um homem tinha cem ovelhas, mas uma delas se extraviou.

Um negociante que adquiria pérolas preciosas encontrou à venda uma pérola de grande valor.

Um homem tinha dois filhos. O mais jovem pediu sua parte da herança e, passados não muitos dias, partiu para uma terra distante.

As pessoas são diferentes, por isso o conflito que move o personagem de determinada história não afetaria de forma alguma o protagonista de outra. Para resolver o seu conflito particular os personagens de histórias diferentes correm atrás de coisas diferentes: a reparação da honra, uma pele dourada de carneiro, a libertação de uma princesa, um tesouro guardado por um dragão, a destruição de um anel pernicioso, a restauração de uma aldeia arrasada pela fome.

Um personagem que é sensível ao apelo do amor pode ser impermeável à oferta de riqueza que move outro. Um filho perdido pode parecer para alguém conflito menor do que uma pérola que não se pode comprar.

Cada protagonista tem o conflito que merece.



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