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Para mim o inferno sempre foi estar na companhia de pessoas tendo ao mesmo tempo alguma autoridade sobre elas. Para mim o céu sempre foi estar na companhia de pessoas.
Era de tarde e estávamos – eu e mais um grupo heterogêneo de homens, mulheres, jovens, velhos e crianças – numa fazenda ou casa de retiros. O edifício principal, de dois ou três pavimentos, ligava-se a outras construções, talvez alojamentos, por passagens cobertas ladeadas de treliças e trepadeiras.
Naquela hora eu estava com um grupo menor, composto de jovens e adolescentes, numa reunião informal numa sala arejada do primeiro andar. Não havia cadeiras nem qualquer espécie de decoração no aposento de paredes brancas, mas pela porta aberta víamos gente caminhando e conversando pelo corredor, e a luz vinha de alguma janela. Ignoro se estávamos jogando algum jogo ou discutindo algum assunto, mas sei que a conversa e a atividade não eram centralizadas. Alguns apenas observavam, muitos sorriam, todos pareciam estar à vontade.
Sentávamos no chão. Eu estava descalço e de bermudas, em silêncio, minhas costas contra a parede e os braços apoiados sobre os joelhos. Do meu lado direito sentava um amigo cuja identidade não sei precisar. Eu estava feliz.
Mas então me sobrassaltei, porque notei que havia uma cobra ali no aposento, uma serpente verde-acizentada passeando entre as pessoas com o pescoço erguido e a língua projetando-se de vez em quando para fora.
O mais curioso, e o que me mais perturbou desde o início, é que meus amigos não demonstravam ter medo algum da serpente; sequer davam sinal de perceber que ela estava ali.
Nasce um homem
- Era uma vez
- Adão era
- A teoria literária
- Para mim
- Se havia improvável graça
- O conflito que anima uma história
- A primeira blasfêmia
- Eu sentia ser minha obrigação
- Como demonstrado exemplarmente por Jesus
- De todos os detalhes
- A distinção mais antiga
- O homem em pé no centro
- Quando levantei-me do lugar
- Ele tinha o mundo natural aos seus pés
- Dois ou três personagens não bastam
- A proibição extrai seu poder
- Para caracterizar uma tragédia
- Pisei no andar térreo
- Você pode comer
- Um professor errante depara-se com um homem cego
- Nenhum outro elemento da trama
- Toda história sobre transgressão
- De todos os sonhos de que me recordo
- Não devemos deixar
- A chave, obviamente
- É curioso notar
- Para começar
- Neste ponto
- Com a entrada da serpente
- Dos enigmas da serpente
- Porém quando percebo
- A serpente é astuta
- A narrativa é límpida
- A serpente permanece um enigma
- Quando olho tempo suficiente
- O silêncio da história
- Outro resultado
- Individuação
- É o momento decisivo
- A ausência divina
- É uma pista falsa
- Não se trata
- Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
- A hora é agora
- Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
- Alcançar a individuação
- Eva recua
- Deus sabe
- O motor do conflito
- A grande revelação
- Transgredir
- A obra da serpente
- Onde está a maldade
- O que me faz lembrar
- A transfiguração do conflito
- Que são a imitação e o jogo de espelhos
- O que esta história existe para mostrar
- É por isso
- É o último momento
- Quando volto à recordação
- O efeito imediato
- Como numa comédia de erros
- Minha primeira transgressão
- É só do lado de cá
- A esse princípio
- Não nos deverá
- A coisa boa
- Se o conflito é a graça
- A transgressão original
- Transgredir é escolher
- No espaço recém-aberto da minha transgressão
- Em si mesmo nada há de terrível
- O conceito teológico
- Bastaria a morte
- A ambivalência do poder
- A maldição do pó
- Há algo de terrível na autodeterminação
- Minha disciplina pessoal mais antiga
- Essa crueza
- Não é completa
- Essas histórias
- Na noite de ontem para hoje
- O outro símbolo universal
- A serpente é mentirosa
- O primeiro desdobramento
- Foi mais ou menos nessa época
- Todas as lendas
- Minha convicção




