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Não devemos deixar que nos cegue o cisco da proibição, como terá cegado nesta mesma página os nossos protagonistas – pois o que particulariza a condição de Adão e Eva não é a falsa eloquência do que não devem fazer, mas a formidável extensão de suas liberdades.
Pelo que sabemos o homem podia pular de penhascos, comer manga com leite, fazer xixi de porta aberta, engendrar enxertos inéditos nas plantas do jardim. Era livre para fazer esculturas na areia, dormir reclinado no peito de tigres, cavalgar rinocerontes, receber a massagem de todas as cascatas.
Podia cuidar do jardim sob o sol da manhã, cantar na chuva à tarde, dar nome às estrelas na noite e amar sobre a relva em todos os intervalos. Todas as florestas eram virgens, todos os oceanos inexplorados e mesmo os picos mais baixos aguardavam serem escalados.
Não ouçamos portanto a mentirosa sedução da proibição, porque nesta história o ser humano é, incrivelmente, livre para fazer qualquer coisa. Num certo sentido o conflito singular desta trama não reside na arbitrária proibição que imprime aos protagonistas, mas no embaraço da liberdade de que desfrutam.
A narrativa dos primórdios em Gênesis não é uma parábola sobre os perigos da tentação; é uma história sobre os percalços do gerenciamento da abundância.
Nasce um homem
- Era uma vez
- Adão era
- A teoria literária
- Para mim
- Se havia improvável graça
- O conflito que anima uma história
- A primeira blasfêmia
- Eu sentia ser minha obrigação
- Como demonstrado exemplarmente por Jesus
- De todos os detalhes
- A distinção mais antiga
- O homem em pé no centro
- Quando levantei-me do lugar
- Ele tinha o mundo natural aos seus pés
- Dois ou três personagens não bastam
- A proibição extrai seu poder
- Para caracterizar uma tragédia
- Pisei no andar térreo
- Você pode comer
- Um professor errante depara-se com um homem cego
- Nenhum outro elemento da trama
- Toda história sobre transgressão
- De todos os sonhos de que me recordo
- Não devemos deixar
- A chave, obviamente
- É curioso notar
- Para começar
- Neste ponto
- Com a entrada da serpente
- Dos enigmas da serpente
- Porém quando percebo
- A serpente é astuta
- A narrativa é límpida
- A serpente permanece um enigma
- Quando olho tempo suficiente
- O silêncio da história
- Outro resultado
- Individuação
- É o momento decisivo
- A ausência divina
- É uma pista falsa
- Não se trata
- Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
- A hora é agora
- Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
- Alcançar a individuação
- Eva recua
- Deus sabe
- O motor do conflito
- A grande revelação
- Transgredir
- A obra da serpente
- Onde está a maldade
- O que me faz lembrar
- A transfiguração do conflito
- Que são a imitação e o jogo de espelhos
- O que esta história existe para mostrar
- É por isso
- É o último momento
- Quando volto à recordação
- O efeito imediato
- Como numa comédia de erros
- Minha primeira transgressão
- É só do lado de cá
- A esse princípio
- Não nos deverá
- A coisa boa
- Se o conflito é a graça
- A transgressão original
- Transgredir é escolher
- No espaço recém-aberto da minha transgressão
- Em si mesmo nada há de terrível
- O conceito teológico
- Bastaria a morte
- A ambivalência do poder
- A maldição do pó
- Há algo de terrível na autodeterminação
- Minha disciplina pessoal mais antiga
- Essa crueza
- Não é completa
- Essas histórias
- Na noite de ontem para hoje
- O outro símbolo universal
- A serpente é mentirosa
- O primeiro desdobramento
- Foi mais ou menos nessa época
- Todas as lendas
- Minha convicção




