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Eva recua e, explicando mais do que aprendeu, responde que os homens são livres para comer de todas as árvores do Éden, mas a árvore no terrível centro do jardim está interditada: seu fruto não devem comer nem tocar, caso contrário terão de morrer. Uma vez proferida, sua resposta é menos um recuo do que um avanço: sua explicação revela que Eva levantara insconscientemente uma regra adicional entre ela mesma e o fruto proibido, este elucidativo “não devemos tocar”. Dito de outra forma, a serpente ainda não dera início ao seu ministério, e o ser humano já imprimira seu próprio conflito ao conflito inicial provido por Deus; com isso a engrenagem da narrativa avançara mais um dente inexorável ou dois. A nova prescrição, que não consta da boca divina, revela que Eva, embora talvez não tivesse se sentido livre para considerar a possibilidade de comer, já havia se inquietado com a possibilidade de tocar.
Com isso um novo vento arrepia as folhas do Éden, porque a serpente, depois de invocar num golpe certeiro a presença de Deus, extrai do homem, em outro, uma terrível confissão.
Diante desta espantosa brecha, é o momento em que a serpente deve levantar-se e assumir o seu verdadeiro papel, o de Profeta Não-autorizado de terríveis verdades divinas.
– A Palavra do Senhor veio sobre mim – o vento crescente emoldura sua primeira revelação – e uma coisa posso garantir: vocês não vão morrer.
O restante da Bíblia existe para elucidar o mistério de se ela estava mentindo.
Nasce um homem
- Era uma vez
- Adão era
- A teoria literária
- Para mim
- Se havia improvável graça
- O conflito que anima uma história
- A primeira blasfêmia
- Eu sentia ser minha obrigação
- Como demonstrado exemplarmente por Jesus
- De todos os detalhes
- A distinção mais antiga
- O homem em pé no centro
- Quando levantei-me do lugar
- Ele tinha o mundo natural aos seus pés
- Dois ou três personagens não bastam
- A proibição extrai seu poder
- Para caracterizar uma tragédia
- Pisei no andar térreo
- Você pode comer
- Um professor errante depara-se com um homem cego
- Nenhum outro elemento da trama
- Toda história sobre transgressão
- De todos os sonhos de que me recordo
- Não devemos deixar
- A chave, obviamente
- É curioso notar
- Para começar
- Neste ponto
- Com a entrada da serpente
- Dos enigmas da serpente
- Porém quando percebo
- A serpente é astuta
- A narrativa é límpida
- A serpente permanece um enigma
- Quando olho tempo suficiente
- O silêncio da história
- Outro resultado
- Individuação
- É o momento decisivo
- A ausência divina
- É uma pista falsa
- Não se trata
- Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
- A hora é agora
- Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
- Alcançar a individuação
- Eva recua
- Deus sabe
- O motor do conflito
- A grande revelação
- Transgredir
- A obra da serpente
- Onde está a maldade
- O que me faz lembrar
- A transfiguração do conflito
- Que são a imitação e o jogo de espelhos
- O que esta história existe para mostrar
- É por isso
- É o último momento
- Quando volto à recordação
- O efeito imediato
- Como numa comédia de erros
- Minha primeira transgressão
- É só do lado de cá
- A esse princípio
- Não nos deverá
- A coisa boa
- Se o conflito é a graça
- A transgressão original
- Transgredir é escolher
- No espaço recém-aberto da minha transgressão
- Em si mesmo nada há de terrível
- O conceito teológico
- Bastaria a morte
- A ambivalência do poder
- A maldição do pó
- Há algo de terrível na autodeterminação
- Minha disciplina pessoal mais antiga
- Essa crueza
- Não é completa
- Essas histórias
- Na noite de ontem para hoje
- O outro símbolo universal
- A serpente é mentirosa
- O primeiro desdobramento
- Foi mais ou menos nessa época
- Todas as lendas
- Minha convicção




