10 de Outubro de 2008

É o momento decisivo

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Manuscritos

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É o momento decisivo da história e Eva e a serpente, que são os dois personagens mais marginais da narrativa, estão sozinhos no palco. Adão está longe ou não está prestando atenção, e quando se aproximar as palavras definitivas já terão sido ditas. Deus está em outra parte, fiel à sua decisão de deixar o primeiro casal em paz à exceção de uma visita ocasional; quando ele chegar, as brechas derradeiras já terão sido abertas.

Neste que é o mais prenhe de conseqüências dos momentos, apenas Eva, a serpente e o leitor (isto é, eu e você) estamos presentes para testemunhar a coisa toda. Nem mesmo Deus está aqui, mas eu e você estamos, porque o narrador nos amarrou e nos arrastou até este ponto. Nem mesmo Deus sabe o que está acontecendo, mas nós sabemos, porque o narrador segura o nosso rosto e nos obriga a olhar.

No relato da queda o Narrador é mais onisciente do que o próprio Deus.



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