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O menor dos acontecimentos pressupõe o inconcebível universo e,
inversamente, o universo necessita do menor dos acontecimentos.
Jorge Luis Borges
– Deus sabe que no momento em que comerem desse fruto os olhos de vocês se abrirão, e ficarão conhecendo o bem e o mal.
E, como se verá, Deus de fato sabe. Ele sabe.
O Profeta Não-autorizado levanta-se no palco e revela aquilo que Deus não ousara confessar: que a transgressão não implica apenas em prejuízo, mas também em aquisição. Estão bem divididos os papéis: Deus enfatiza apenas o prejuízo, a serpente apenas o ganho. E o ser humano, do inconcebível lado de cá da transgressão, posta-se de pé diante de uma ameaça que não sabe avaliar e de uma promessa que não tem como compreender.
É inevitável, na narrativa, que ele tome o terrível passo seguinte.
A narrativa não esconde, e de fato enfatiza, que Deus, embora tivesse construído o universo de forma tão deliberada, deixara na sua obra esta ponta tão formidavelmente solta. Como se verá, Deus de fato sabia que com a transgressão os olhos dos homens seriam abertos e conheceriam o bem e o mal; era esse destino terrível que ele procurava aparentemente evitar. Deus não queria premiar o homem com a morte: queria poupá-lo do horror do autoconhecimento.
Mas em alguns universos determinadas transgressões são inevitáveis, estão entretecidas na própria trama da realidade, e este é o universo de Deus. Esta é a sua história. O que o protagonista semear, isso ele colherá, e as transgressões dos pais perseguirão as escolhas dos filhos.
Nasce um homem
- Era uma vez
- Adão era
- A teoria literária
- Para mim
- Se havia improvável graça
- O conflito que anima uma história
- A primeira blasfêmia
- Eu sentia ser minha obrigação
- Como demonstrado exemplarmente por Jesus
- De todos os detalhes
- A distinção mais antiga
- O homem em pé no centro
- Quando levantei-me do lugar
- Ele tinha o mundo natural aos seus pés
- Dois ou três personagens não bastam
- A proibição extrai seu poder
- Para caracterizar uma tragédia
- Pisei no andar térreo
- Você pode comer
- Um professor errante depara-se com um homem cego
- Nenhum outro elemento da trama
- Toda história sobre transgressão
- De todos os sonhos de que me recordo
- Não devemos deixar
- A chave, obviamente
- É curioso notar
- Para começar
- Neste ponto
- Com a entrada da serpente
- Dos enigmas da serpente
- Porém quando percebo
- A serpente é astuta
- A narrativa é límpida
- A serpente permanece um enigma
- Quando olho tempo suficiente
- O silêncio da história
- Outro resultado
- Individuação
- É o momento decisivo
- A ausência divina
- É uma pista falsa
- Não se trata
- Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
- A hora é agora
- Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
- Alcançar a individuação
- Eva recua
- Deus sabe
- O motor do conflito
- A grande revelação
- Transgredir
- A obra da serpente
- Onde está a maldade
- O que me faz lembrar
- A transfiguração do conflito
- Que são a imitação e o jogo de espelhos
- O que esta história existe para mostrar
- É por isso
- É o último momento
- Quando volto à recordação
- O efeito imediato
- Como numa comédia de erros
- Minha primeira transgressão
- É só do lado de cá
- A esse princípio
- Não nos deverá
- A coisa boa
- Se o conflito é a graça
- A transgressão original
- Transgredir é escolher
- No espaço recém-aberto da minha transgressão
- Em si mesmo nada há de terrível
- O conceito teológico
- Bastaria a morte
- A ambivalência do poder
- A maldição do pó
- Há algo de terrível na autodeterminação
- Minha disciplina pessoal mais antiga
- Essa crueza
- Não é completa
- Essas histórias
- Na noite de ontem para hoje
- O outro símbolo universal
- A serpente é mentirosa
- O primeiro desdobramento
- Foi mais ou menos nessa época
- Todas as lendas
- Minha convicção


