28 de Março de 2008

A distinção mais antiga

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Manuscritos

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A distinção mais antiga da literatura, nascida no tempo em que a narrativa e a poesia ainda voavam soltas no espaço aberto da dramaturgia, permanece inconclusa. Os árbitros da questão ainda ouvem Aristóteles, um dos primeiros a propor uma teoria sobre o assunto, e ouvem Averróis e Harold Bloom, mas esses testemunhos não tornam a sua tarefa mais fácil. Mil impérios caíram desde que ocorreu a alguém estabelecer as categorias, mas ainda não sabemos definir precisamente o que separa a tragédia da comédia.

Para Aristóteles, na Poética, a diferença parece ser uma questão de temática e de tom. A tragédia, ele opina, deveria ocupar-se do destino de personagens notáveis: deuses ou nobres, gente que trafega corredores inacessíveis ao homem comum. O objetivo da tragédia seria despertar no espectador um sentimento de terror e de piedade diante de uma espetacular mudança de fortuna experimentada pelo protagonista.

Central na teoria de Aristóteles (já que ele até certo ponto respondia a Platão, que na República propunha a eliminação de toda a poesia, por não crer que possuísse alguma função social que a redimisse), é a idéia de que a tragédia tem um efeito terapêutico. O sofrimento do protagonista no palco purga, vicariamente, o espectador na platéia.

“Uma tragédia é uma imitação dramática daquilo que é admirável, completo e possui magnitude; representada por atores, e não apresentada através de narração; e que efetua através da piedade e do temor a purificação dessas emoções”.



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