Manuscritos estocados em Setembro do Anno 2008 de Nosso Senhor
30 de Setembro de 2008

Tipia Timberland

Ilustração

Exemplo da tipia grunge que usei no lettering da série de anúncios “Quatro designers estrangeiros no Brasil” da Timberland/Alpargatas. A agência é a Talent; o art buyer, Mario Coelho.

29 de Setembro de 2008

Genuína mundanidade

Goiabas Roubadas

As ideologias descarregam sua fúria sobre os seres humanos e depois deixam-nos da mesma forma que um pesadelo deixa a pessoa que desperta dele. Sua lembrança é amarga. Não tornaram a pessoa mais forte ou mais madura, apenas mais pobre e mais desconfiada.

* * *

Minhas atividades recentes, que têm se desenrolado predominantemente na esfera secular, dão-me muito que pensar. Impressiona-me o fato de viver, e poder viver, por dias sem a Bíblia; se me obrigasse a lê-la sentiria estar fazendo isso por auto-sugestão, não por obediência [...] Sei que basta abrir meus próprios livros para ouvir o que pode ser dito contra essa postura. E não quero também me justificar, porque sei que “espiritualmente” já experimentei períodos muito mais ricos. Porém sinto apenas crescer minha resistência contra tudo que é “religioso” [...] Vida, autenticidade, liberdade e compaixão significam muito para mim; apenas suas manifestações religiosas é que são tremendamente sem atrativos.

* * *

A cruz de expiação é a liberação para uma vida diante de Deus em meio a um mundo sem deus; é a liberação para uma vida de genuína mundanidade/identificação com o mundo.

 

Dietrich Bonhoeffer, citado por Eberhard Bethge em A Biography. O manuscrito com esta última citação estava sobre a escrivaninha de Bonhoeffer na Marienburger Allee quando ele foi preso em abril de 1943 por seu envolvimento numa conspiração para eliminar Hitler.

Leia também:
Viva inteiramente inserido no seu mundo

27 de Setembro de 2008

Dois minutos de Saule, Pērkons, Daugava

Família

Este documento contém clipes de vídeo que só podem ser visualizados na página da Bacia na internet.

“O sol, o trovão e o [rio] Daugava”, no encerramento do Festival de Música da Letônia, em julho deste ano. O compositor (e tecladista) é Martins Braunš; a regência é de Sigvards Klava.

Absolutamente, por tudo que é mais sagrado, assista até o final.

Pode ser conveniente aumentar o som no seu computador.

26 de Setembro de 2008

Outro resultado

Manuscritos

37

Outro resultado do recato da narrativa está em que, embora a queda traga consequências terríveis para todos os envolvidos (inclusive, é preciso lembrar, para a serpente), não temos pela letra do texto como saber se a trama se encaixa no molde clássico da tragédia.

Para Aristóteles, o que caracteriza a tragédia está em que o reverso de fortuna que desaba sobre o protagonista deve ser desencadeado por um erro de julgamento, e na história da queda simplesmente não sabemos o bastante para concluir que houve algum erro de julgamento – e, se houve, de quem foi.

O erro de julgamento poderia ter ocorrido da parte de Deus, por ter confidenciado demais à serpente (de outra forma, como a serpente poderia saber da natureza da árvore e das consequências do seu consumo?). Poderia ter sido de Adão, por não ter enfatizado o bastante os perigos da Árvore diante de Eva (de outra forma, não teria Eva se mostrado mais firmemente preparada para resistir ao seu esplendor?). Poderia ter sido de Eva, por não ter visto motivo para considerar a opinião da serpente menos digna de confiança do que a de Deus (num mundo sem maldade, como suspeitar do mal? Num mundo sem limites, como entender a única proibição?). E poderia ter sido da serpente, por ter compreendido mal uma benevolente ou inofensiva intenção divina (de outra forma, por que iria desejar a queda do homem?).

Porém, como sabemos pouco da história prévia de todos, em especial da serpente, não há como decidir. E, pela mesma razão, não há como determinar, de todos, qual é o protagonista da história.

Pelo menos ainda não.

Nasce um homem

  1. Era uma vez
  2. Adão era
  3. A teoria literária
  4. Para mim
  5. Se havia improvável graça
  6. O conflito que anima uma história
  7. A primeira blasfêmia
  8. Eu sentia ser minha obrigação
  9. Como demonstrado exemplarmente por Jesus
  10. De todos os detalhes
  11. A distinção mais antiga
  12. O homem em pé no centro
  13. Quando levantei-me do lugar
  14. Ele tinha o mundo natural aos seus pés
  15. Dois ou três personagens não bastam
  16. A proibição extrai seu poder
  17. Para caracterizar uma tragédia
  18. Pisei no andar térreo
  19. Você pode comer
  20. Um professor errante depara-se com um homem cego
  21. Nenhum outro elemento da trama
  22. Toda história sobre transgressão
  23. De todos os sonhos de que me recordo
  24. Não devemos deixar
  25. A chave, obviamente
  26. É curioso notar
  27. Para começar
  28. Neste ponto
  29. Com a entrada da serpente
  30. Dos enigmas da serpente
  31. Porém quando percebo
  32. A serpente é astuta
  33. A narrativa é límpida
  34. A serpente permanece um enigma
  35. Quando olho tempo suficiente
  36. O silêncio da história
  37. Outro resultado
  38. Individuação
  39. É o momento decisivo
  40. A ausência divina
  41. É uma pista falsa
  42. Não se trata
  43. Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
  44. A hora é agora
  45. Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
  46. Alcançar a individuação
  47. Eva recua
  48. Deus sabe
  49. O motor do conflito
  50. A grande revelação
  51. Transgredir
  52. A obra da serpente
  53. Onde está a maldade
  54. O que me faz lembrar
  55. A transfiguração do conflito
  56. Que são a imitação e o jogo de espelhos
  57. O que esta história existe para mostrar
  58. É por isso
  59. É o último momento
  60. Quando volto à recordação
  61. O efeito imediato
  62. Como numa comédia de erros
  63. Minha primeira transgressão
  64. É só do lado de cá
  65. A esse princípio
  66. Não nos deverá
  67. A coisa boa
  68. Se o conflito é a graça
  69. A transgressão original
  70. Transgredir é escolher
  71. No espaço recém-aberto da minha transgressão
  72. Em si mesmo nada há de terrível
  73. O conceito teológico
  74. Bastaria a morte
  75. A ambivalência do poder
  76. A maldição do pó
  77. Há algo de terrível na autodeterminação
  78. Minha disciplina pessoal mais antiga
  79. Essa crueza
  80. Não é completa
  81. Essas histórias
  82. Na noite de ontem para hoje
  83. O outro símbolo universal
  84. A serpente é mentirosa
  85. O primeiro desdobramento
  86. Foi mais ou menos nessa época
  87. Todas as lendas
  88. Minha convicção
23 de Setembro de 2008

Matoso dá um passo

Ilustração

Neste fim de semana fiz avançar alguns pixels minha história Matoso e sua tempestade.