Manuscritos estocados em Janeiro do Anno 2008 de Nosso Senhor
31 de Janeiro de 2008

O cara que quer aparecer no meu livro

Ilustração

Estou com uma idéia para um livro infantil, e este sujeitinho insuportável está querendo se candidatar ao papel principal. Vamos ver; para ganhar o papel ele vai ter que fazer melhor do que isso.

CorelDRAW com acabamento de Painter e Photoshop. Clique na imagem para ver o desenho completo.

30 de Janeiro de 2008

Para mim

Manuscritos

4

Para mim o inferno sempre foi estar na companhia de pessoas tendo ao mesmo tempo alguma autoridade sobre elas. Para mim o céu sempre foi estar na companhia de pessoas.

Era de tarde e estávamos – eu e mais um grupo heterogêneo de homens, mulheres, jovens, velhos e crianças – numa fazenda ou casa de retiros. O edifício principal, de dois ou três pavimentos, ligava-se a outras construções, talvez alojamentos, por passagens cobertas ladeadas de treliças e trepadeiras.

Naquela hora eu estava com um grupo menor, composto de jovens e adolescentes, numa reunião informal numa sala arejada do primeiro andar. Não havia cadeiras nem qualquer espécie de decoração no aposento de paredes brancas, mas pela porta aberta víamos gente caminhando e conversando pelo corredor, e a luz vinha de alguma janela. Ignoro se estávamos jogando algum jogo ou discutindo algum assunto, mas sei que a conversa e a atividade não eram centralizadas. Alguns apenas observavam, muitos sorriam, todos pareciam estar à vontade.

Sentávamos no chão. Eu estava descalço e de bermudas, em silêncio, minhas costas contra a parede e os braços apoiados sobre os joelhos. Do meu lado direito sentava um amigo cuja identidade não sei precisar. Eu estava feliz.

Mas então me sobrassaltei, porque notei que havia uma cobra ali no aposento, uma serpente verde-acizentada passeando entre as pessoas com o pescoço erguido e a língua projetando-se de vez em quando para fora.

O mais curioso, e o que me mais perturbou desde o início, é que meus amigos não demonstravam ter medo algum da serpente; sequer davam sinal de perceber que ela estava ali.

Nasce um homem

  1. Era uma vez
  2. Adão era
  3. A teoria literária
  4. Para mim
  5. Se havia improvável graça
  6. O conflito que anima uma história
  7. A primeira blasfêmia
  8. Eu sentia ser minha obrigação
  9. Como demonstrado exemplarmente por Jesus
  10. De todos os detalhes
  11. A distinção mais antiga
  12. O homem em pé no centro
  13. Quando levantei-me do lugar
  14. Ele tinha o mundo natural aos seus pés
  15. Dois ou três personagens não bastam
  16. A proibição extrai seu poder
  17. Para caracterizar uma tragédia
  18. Pisei no andar térreo
  19. Você pode comer
  20. Um professor errante depara-se com um homem cego
  21. Nenhum outro elemento da trama
  22. Toda história sobre transgressão
  23. De todos os sonhos de que me recordo
  24. Não devemos deixar
  25. A chave, obviamente
  26. É curioso notar
  27. Para começar
  28. Neste ponto
  29. Com a entrada da serpente
  30. Dos enigmas da serpente
  31. Porém quando percebo
  32. A serpente é astuta
  33. A narrativa é límpida
  34. A serpente permanece um enigma
  35. Quando olho tempo suficiente
  36. O silêncio da história
  37. Outro resultado
  38. Individuação
  39. É o momento decisivo
  40. A ausência divina
  41. É uma pista falsa
  42. Não se trata
  43. Uma donzela encontra na floresta uma perigosa serpente
  44. A hora é agora
  45. Porque – e ignoro quantas vezes terei de voltar
  46. Alcançar a individuação
  47. Eva recua
  48. Deus sabe
  49. O motor do conflito
  50. A grande revelação
  51. Transgredir
  52. A obra da serpente
  53. Onde está a maldade
  54. O que me faz lembrar
  55. A transfiguração do conflito
  56. Que são a imitação e o jogo de espelhos
  57. O que esta história existe para mostrar
  58. É por isso
  59. É o último momento
  60. Quando volto à recordação
  61. O efeito imediato
  62. Como numa comédia de erros
  63. Minha primeira transgressão
  64. É só do lado de cá
  65. A esse princípio
  66. Não nos deverá
  67. A coisa boa
  68. Se o conflito é a graça
  69. A transgressão original
  70. Transgredir é escolher
  71. No espaço recém-aberto da minha transgressão
  72. Em si mesmo nada há de terrível
  73. O conceito teológico
  74. Bastaria a morte
  75. A ambivalência do poder
  76. A maldição do pó
  77. Há algo de terrível na autodeterminação
  78. Minha disciplina pessoal mais antiga
  79. Essa crueza
  80. Não é completa
  81. Essas histórias
  82. Na noite de ontem para hoje
  83. O outro símbolo universal
  84. A serpente é mentirosa
  85. O primeiro desdobramento
  86. Foi mais ou menos nessa época
  87. Todas as lendas
  88. Minha convicção
29 de Janeiro de 2008

Férias feridas [8]

Irmãos Comédia

28 de Janeiro de 2008

Sete e seus descendentes

Goiabas Roubadas

AS DEZ GERAÇÕES: Os descendentes de Sete

As exortações das esposas de Lameque produziram efeito em Adão. Depois de cento e trinta anos de separação ele voltou para Eva, e o amor que ele nutria por ela era agora muitas vezes mais forte do que antes. Quando não estava corporeamente com ele, Eva estava presente nos seus pensamentos. O fruto de sua união foi Sete, que estava destinado a ser ancestral do Messias.

Sete nasceu formado de tal modo que não foi necessário executar nele o rito da circuncisão. Dessa forma Sete foi um dos treze homens que de algum modo nasceram perfeitos1. Adão gerou-o à sua imagem e semelhança, ao contrário de Caim, que não havia sido à sua imagem e semelhança. Sete tornou-se assim, no sentido mais genuíno, pai da raça humana, especialmente dos piedosos, enquanto que os depravados e ímpios são descendentes de Caim.

Mesmo durante o tempo de vida de Adão os descendentes de Caim tornaram-se perversos ao extremo, morrendo um após o outro, cada um mais perverso do que o anterior. Eram intoleráveis na guerra, veementes em roubalheiras, e se algum deles se mostrasse hesitante em matar gente, seria não obstante ousado em agir injustamente e promover dano visando seu próprio lucro.

Quanto a Sete, quando chegou à idade na qual foi capaz de discernir o que era bom tornou-se um homem virtuoso, e como tinha excelente caráter, deixou filhos que imitaram suas virtudes. Todos os seus filhos provaram ser de boa índole; habitaram a mesma região sem dissensões, felizes e sem que qualquer infortúnio lhes sobreviesse, até morrerem. Foram também os inventores daquela espécie singular de sabedoria que estuda os corpos celestes e sua ordem. Para que suas invenções não se perdessem antes que fossem suficientemente divulgadas, ergueram dois pilares, diante da previsão de Adão de que o mundo seria destruído numa ocasião pela força do fogo e em outra ocasião pela violência e quantidade da água. O primeiro pilar era de barro, o segundo de pedra; gravaram suas descobertas em ambos, para que caso o pilar de barro fosse destruído pela inundação restasse o pilar de pedra e exibisse suas descobertas para a humanidade, informando também que houvera outro pilar, feito de barro, erguido por eles.

* * *

Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash (particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.

NOTAS
  1. Segundo uma tradição judaica, os treze homens que teriam nascido circuncidados (e portanto perfeitos) são Adão, Sete, Enoque, Noé, Sem, Teraque, Jacó, José, Moisés, Samuel, Davi, Isaías e Jeremias. Outra tradição enumera Adão, Sete, Jó, Noé, Sem, Jacó, José, Moisés, Samuel, Davi, Jeremias, Zorobabel e Jesus (sim, esse Jesus). []
25 de Janeiro de 2008

Férias feridas [7]

Irmãos Comédia