22 de Novembro de 2007

Os habitantes das sete terras

Por   Paulo Brabo

 

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AS DEZ GERAÇÕES: Os habitantes das sete terras

Quando foi expulso do Paraíso, Adão chegou primeiro à mais inferior das sete terras, Erez, que é escura, sem um raio de luz, e inteiramente vazia. Ele ficou apavorado, especialmente diante das chamas da espada que se revolve incessantemente, e que está nesta terra.

Depois que Adão efetuou penitência Deus conduziu-o à segunda terra, Adamah, onde há luz refletida do seu próprio céu e de suas estrelas e constelações semelhantes a espectros. Aqui habitam os seres semelhantes a espectros frutos da união de Adão com os espíritos. Vivem perpetuamente tristes; a emoção da alegria é desconhecida para eles. Deixam sua própria terra e dirigem-se à terra habitada pelos homens, onde transformam-se em espíritos malignos; depois retornam para sempre para sua residência, arrependem-se de seus feitos perversos e cultivam o solo, que no entanto não lhes produz trigo ou qualquer outra das sete espécies.

Nesta Adamah nasceram Caim, Abel e Sete. Depois do assassinato de Abel, Caim foi mandado de volta para Erez, onde foi conduzido ao arrependimento pelo terror diante da escuridão e das chamas da espada que revolve incessantemente. Aceitando a sua penitência, Deus permitiu que ele ascendesse até a terceira terra, Arka, que recebe alguma luz do sol. A Arka foi cedida aos cainitas para sempre, como seu domínio perpétuo. Eles cultivam o solo e plantam árvores, mas não tem nem trigo nem qualquer outra das sete espécies.

Estão em perpétuo desacordo consigo mesmos.

Alguns dos cainitas são gigantes, alguns são anões. Eles têm duas cabeças, pelo que jamais são capaz de chegar a uma decisão. Estão em perpétuo desacordo consigo mesmos: se estão piedosos agora, podem estar inclinados para a maldade no momento seguinte.

Em Ge, a quarta terra, vive a geração da Torre de Babel e seus descendentes. Deus baniu-os para lá porque a quarta terra não fica longe do Gehenna, e portanto do fogo ardente. Os habitantes de Ge são talentosos em todas as artes e hábeis em todos os departamentos da ciência e do conhecimento, e suas residências transbordam de riquezas. Quando visitados por um habitante da terra eles lhe dão a coisa mais preciosa que possuem, mas conduzem-no em seguida a Neshiah, a quinta terra, onde ele se esquece de sua origem e de seu lar. Neshiah é habitado por anões desprovidos de narizes, que respiram através de dois orifícios. Eles não tem memória; logo que algo acontece eles se esquecem imediatamente do que ocorreu, pelo que sua terra é chamada de Neshiah, “esquecimento”. A quarta e a quinta terra são como Arka; têm árvores, mas não trigo ou qualquer outra das sete espécies.

A sexta terra, Ziah, é habitada por homens bonitos que são donos de riqueza abundante e vivem em suntuosas residências, mas carecem de água, como indica o nome do seu território, Ziah/seca. Devido a isso a vegetação é esparsa entre eles, e seu cultivo de árvores alcança pouco sucesso. Eles precipitam-se sobre qualquer nascente que encontram, e por vezes conseguem deslizar através delas para a nossa terra, onde satisfazem seu acentuado apetite pela comida consumida pelos habitantes da nossa terra. Quanto ao mais, são homens de fé firme, mais do que qualquer outra estirpe de humanidade.

Adão permaneceu em Adamah até o nascimento de Sete. Em seguida, tendo passado pela terceira terra, Arka, habitação dos cainitas, e pelas três terras seguintes, Ge, Neshiah e Ziah, Deus transportou-o a Tebel, a sétima terra, a terra habitada pelos homens.

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Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash (particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.



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