04 de Agosto de 2007

O desenho e seu nome

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Manuscritos

Antes que uma pessoa nasça, Deus pega o pincel com o qual desenhou o mundo e derrama sobre o peito da pessoa, que é ainda uma página em branco, um número indeterminado de pingos aleatórios de tinta. Assim, cada pessoa que nasce traz no peito uma figura arbitrária, sempre diferente em cada indivíduo, um desenho dado por Deus mas não interpretado por ele.

No decorrer dos seis primeiros anos de vida, a partir do que sente, do que experimenta e do que entende do mundo, cada pessoa decide o que vê no misterioso desenho traçado no seu próprio peito, dando assim um nome ao que não tinha nome. Essa interpretação – independentemente do desenho em si – será o seu mito pessoal, a chave essencial que irá defini-lo como indivíduo e guiar sua história por toda a sua vida.

Quando desperta da infância a pessoa já esqueceu tanto o desenho quanto sua interpretação, e perdeu o acesso direto ao seu mito pessoal. Embora seja constantemente conduzida por ele, a pessoa recebe do seu mito apenas sinais confusos e repletos de ruído, que assombram-na em sonhos tanto no sono quanto na vigília.

A primeira tarefa no caminho rumo à maturidade é redescobrir o seu mito pessoal, isto é, recuperar o acesso à interpretação que cada um deu na infância ao desenho gravado no seu próprio peito. A pessoa descobrirá assim de que história faz parte, qual é seu papel nesta história e como mudá-lo ou apropriar-se dele. Esta é a chave que abre a porta do inconsciente, e feliz de quem vence o seu próprio mito e apropria-se do rumo da sua história; quem reconcilia-se com o mito livrando-se dele, antes de abraçá-lo. Este nasceu de novo e receberá a pedrinha branca, símbolo da individuação que ousou empreender, e na pedrinha estará gravada o desenho que já esteve gravado no seu peito, o desenho que é uma interpretação e também uma palavra e também um nome, e que Deus não ousou proferir antes de você.



5 Comentários a respeito de "O desenho e seu nome"

Lou Mello

No meu caso, funcionou tudo bem com o nome, mas meu computador interno fez leituras erradas do desenho, a caixa-preta registrou informações desconexas e deu nisso. Pior é que olhar para o resultado, diariamente, é minha tarefa compulsória.



Wander

Só percebo os sinais confusos e abstratos…



CaroL

Seria tão mais fácil se Ele disse algo a respeito antes.



Mila*

Só percebo que um dos traços distorcidos é querer destorcer esses traços distorcidos, confuso não?



ansof7

Independencia, liberdade, consciencia, maturidade, verdade é vida, é salvaçaum…

que o meu desenho naum esteja taum borrado hehehehe

pedrinha onde está vc???



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