Estou cansado de ouvir gente dizendo que não reconhece a legitimidade do Deus do Antigo Testamento por considerá-lo divindade patriarcal, irascível, xenófoba e vingativa; esse Deus sanguinário, garantem-me, não tem como ter algo em comum com o Deus de Jesus, que é bondoso, compassivo e gente boa – numa palavra, é amor. Acham fácil amar Jesus, mas consideram difícil não escantear Iavé na sua qualidade de mesquinho deus tribal.
Não direi, porque seria muito fácil, que pensar assim é ignorar o testemunho mais pertinente, já que pelo que sabemos o próprio Jesus apenas asseverou a sua relação de continuidade com a postura, os porta-vozes e as palavras do Deus do Antigo Testamento.
Eu, de minha parte, estou muito mais inclinado a colocar em dúvida a inspiração daqueles que, afirmando-se seguidores do dócil Jesus e de seu amoroso Pai, fizeram apenas patrocinar ódio, preconceito, exclusão e derramamento de sangue ao longo da história do cristianismo.
E como não? Ousamos questionar o caráter de Davi, que não sentiu nos ouvidos o terrível afago das bem-aventuranças, mas respeitamos como se fossem Escritura as tradições de promotores do ódio, ensinando-os em seminários que reivindicam para si a chancela do bom Jesus.
Gente como Justino Mártir (100-165), que afirmava que Deus havia dado a circuncisão aos judeus como sinal eterno de exclusão, “para que vocês sejam separados de todas as nações e de nós [cristãos], sofrendo tudo o que merecidamente sofrem”; gente como Eusébio de Cesaréia (275-339) e João Crisóstomo (349-407), que justificavam a inclemente perseguição aos judeus porque criam que nela Deus estave se vingando da morte do seu filho; gente como os autores do Manual dos Inquisidores (1376) e do Martelo das Feiticeiras (1487), provedores do combustível que alimentava os fogos da Inquisição; gente como Martinho Lutero (1483-1546), que queria ver queimadas todas as sinagogas e bradava pelo sangue derramado de milhões de judeus; gente como os batistas norte-americanos que vestiam cheios de entusiasmo o capuz da Ku Klux Klan e justificavam a escravidão com uma interpretação rasteira de Gênesis 9; gente como os perpetradores ideológicos da Noite de São Bartolomeu e da troca de massacres entre protestantes e católicos na Irlanda; gente como os membros da Igreja Batista de Westboro, que cantam alegremente, hoje mesmo no YouTube mais próximo de você, o quanto Deus odeia o mundo; gente como eu, que sou um canalha, um ladrão e um mentiroso, que não amo a ninguém como convém, que com a boca sirvo a Jesus, com o coração sirvo a mim mesmo e com as duas mãos e os dois pés impulsiono a locomotiva de exclusão social e devastação ambiental que é o capitalismo.
Fico com Davi, Saul e o massacre dos amalequitas, mas quero alçar a coragem de desafiar a autoridade de quem, não amando, demonstra não ter qualquer relação com o Deus de amor; quem, afirmando conhecer Jesus e ser credenciado pela sua autoridade, pisoteia o seu espírito e sua reputação.
Antes de apontarmos o cisco no olho de Deus, deveríamos atentar para a tábua que está no nosso. A história da Igreja, traçada impunemente em nome de Jesus, é mais sangrenta do que a de Iavé jamais foi.



guido
Bom dia!
Então vou me calar (mais o menos) para nao te cansar mais.
Antonio Polo
Much information to my brain on Saturday morning, will read carefully later
lol
Farah
Just a moment!?
Perá lá!?
I thought that God is God and that there is no other god then God.
Eu pensei que Deus é Deus e não há outro Deus Senão Deus.
And that this is the base of the semitic religions.
E que isto é a Base das religiões semiticas.
Eu concordo que Deus tem um senso de humor e de justiça que as vezes escapa do meu alcance. Mas na minha opinião rejeitar uma fase da obra é rejeitar toda a obra (no caso de Deus quero dizer).
E no caso de Deus acho que essa coisa de tempo, fase, justiça, bom, mau, justo ou artistico é muito relativa.
Farah
Em tempo, Paulo vc acha que se eu disser que sou seu amigo eles me autorizam o BuzzWord???
Lou Mello
O meu! Cê tá bravo? Não se esqueça que, por enquanto, você é apenas Brabo. Para chegar em Bravo, terá que passar por Braco, Brado, Brafo, Brago e assim por diante, até chegar em Bravo. Entendeu? Ah! Embora insistamos em dizer, sempre, que Deus é Deus, inclusive o do AT, sei que os caras são preconceituosos com o Deus do AT. Também, não é para menos, o Deus do AT é Bravo, pra caramba.
Lou Mello
E aí, me bloqueou de novo? Pegou a doença dos reformados?
Alysson Amorim
Só penso, Paulo, que o suposto “cisco no olho de Deus” tem alguma relação com a tábua cravada no nosso.
Reconheço a legitimidade do Deus do Antigo Testamento (se é que existe “um Deus do Antigo Testamento”), o que não significa dizer que aceito a imagem de um Deus criada por homens assaltados pelo medo e desamparo, movidos por interesses mesquinhos e condicionados por estruturas de poder.
Não aceito, por exemplo, que Deus algum dia tenha dado ordens para matar. (Js. 8:2ss)
Que a história da Igreja é mais sangrenta que a de Iavé trata-se de um fato incontestável. Interessante seria encontrar as convergências entre ambas. Toda gota de sangue derramada em uma e outra tem relação com uma imagem distorcida de Deus, com um deus-ídolo, forjado como se forja uma espada.
guido
Concordo com vç Alysson, depois pq nao cansar um pouco o Paulo viu que baita pecador que è?
Filipe Liepkan
ok… mas a concepção de poder e superioridade envolve não tão somente época distintas, mas todas as eras a que se reconhece a existência de um sistema político e religioso.
vejo davi e lutero tanto políticos como religiosos. a única diferença é davi ser mencionado “segundo o coração de Deus”.
ou seria do mesmo deus sanguinário do VT? =]
Marcos
Deus é Deus e Nele não pode haver sombra de mudança. Isto está na Bíblia. Logo, Deus não mudou com a vinda de Jesus, apenas revelou mais coisas a seu respeito. Quem acha que o cristianismo veio pra condenar os judeus, se engana, basta ler os Atos dos apóstolos que já no começo Pedro explica isso à uma multidão que provavelmente eram os mesmos que gritaram Crucifica-o. Há nas cartas de Paulo também explicações a respeito deste mistério. “A salvação veio ao judeu e também ao grego”. Não vou me aprofundar aqui, não há espaço para isso. Vale lembrar que Jesus condenava aqueles que se diziam judeus e na verdade eram uma “sinagoga de Satanás” e não o judaísmo em si, que como religião apenas encontrou seu têrmo em Cristo, pois todos os rituais e leis do Velho Testamento eram apenas um símbolo do sacrifício infinito de Cristo, e que a nova lei é a do amor, coisa que eles se negavam a querer ver por serem carnais. Deus só aprova a guerra se for em defesa própria. As tribos que foram eliminadas pela velha Israel receberam um julgamento justo devido sua idolatria e costumes contrários a seu chamado inicial. Quem diz fazer guerra em nome Dele, se não é profeta, não sabe o que está dizendo ou é falso profeta.
hernan
Será que Iavé de fato ordenou mortes? Não terá sido seu santo nome usado em vão pelos guerreiros hebreus, nas suas batalhas antigas, assim como pelos guerreiros cristãos posteriormente? Só porque está escrito na Bíblia que Deus mandou matar deveríamos acreditar? Não deveríamos relativizar e contextualizar? Neste ponto sou a favor do catolicismo que nega exclusividade à Bíblia com única fonte do conhecimento de Deus. Deveríamos dar uma olhada naqueles tempos através de outros discursos além do discurso bíblico. Deveríamos conhecer o discurso histórico, por exemplo.
Quanto ao capitalismo, eu também já me desesperei de saber que sou uma das peças fundamentais de sua engrenagem. Sem mim ele certamente estaria mais fraco. Além de contumaz consumidor que sou, o que já é o bastante para merecer o inferno, sou ainda empregado de uma instituição financeira.
Zé
Se a ‘questão de Deus’ for conectada com aquilo que foi dito, é intensificada através de Auschwitz com a questão: ‘Como pôde Deus (o Deus de Israel) permitir algo tão terrível como a Shoáh?, o Deus que é na Bíblia proclamado como o benevolente.
“A nossa fé na benevolência de Deus é refutada pelas vítimas de Auschwitz” (Fr.-W. Marquardt). “Auschwitz está, após a crucificação, mais similar aos sofrimentos de Jó” (B. Klappert).
Klappert, também, reconta o que já foi relatado por Elie Wiesel:
A SS enforcou dois homens judeus e um jovem na frente do campo reunido. Os homens morreram rapidamente, a agonia do jovem durou meia hora. “Onde está Deus? Onde está?” demandou alguém atrás de mim. Quando, depois muito tempo, o jovem estava ainda sofrendo na corda, ouvi o homem perguntar outra vez: “Onde está Deus agora?” e ouvi uma voz em mim responder: “Onde está? Está aqui – Está pendurando nos galhos…”
Marc Chagall, como bem conhecido, interpretou nas suas pinturas de Cristo o Cristo crucificado como o oprimido judeu – o Crucificado veste um xale de oração como tanga. Até na magnífica pintura do Paraíso aparece a visão da Cruz de Cristo Crucificado (no Museu Chagall em Nice). O significado da Shoáh é insondável, mas mostra-nos conclusivamente que Deus é o Deus escondido’ (cf. 45,15), que não se revela, cujos julgamentos são ‘impenetráveis’ e ‘caminhos além do delinear’, cujo ‘conselheiro’ era nenhum mortal.
Assim escreve Paulo em Romanos 11,33-34 a respeito dos estranhos caminhos de Deus ao seu povo Israel.
Em Auschwitz, isso foi confirmado no modo mais terrível. Agora sabemos que Deus não é um ‘bondoso tio velho’ (S. Kierkegaard).
Deus não é para ser reduzido a uma fórmula macia, ele não pode ser definido. Os conceitos preconcebidos de Deus são negados. Não permanece senão a adoração do mistério absoluto.
Texto de Franz Mussner aqui.
Paulo Brabo
Alysson, Guido e Hernan, de nada tenho certeza, mas na minha mitologia pessoal o fato de Iavé ter mandado matar é informação tão importante quanto o fato dele ser o mesmo pai amoroso do Jesus sacrificial.
As “ordens divinas de morte” do Antigo Testamento me parecem ser parte fundamental do enigma de Deus e do funcionamento do universo (especialmente em passagens como Gênesis 2:16,17, Gênesis 22 e 1 Samuel 15). Vejo nessas coisas indicações ainda cheias de ruído sobre o que devemos esperar de um mundo que é tão sujeito à glória quanto ao embaraço e à decomposição. Entre outras coisas, essas passagens mantém Deus na qualidade de um Outro inteiramente insondável – como são, naturalmente, todos os “outros” (”Como o Hernan pode duvidar da Bíblia?” “Como o Brabo pode acreditar que Deus mandou matar?”). Em muitos sentidos, vejo a mensagem da Bíblia e de Jesus como proposição e resposta [1] ao enigma da identidade e [2] ao desafio da aceitação do Outro, e nesse caminho as perplexidades contam tanto quanto as reviravoltas.
Vivendo do outro lado volume e debaixo da luz insuportável de Jesus, prefiro morrer a crer que em quem, hoje em dia, afirma que Deus ordena ou permite a morte e a guerra. Porém creio, incrivelmente, que Deus, o mesmo que deitou o imbatível “não matarás”, mandou eventualmente matar.
Apenas ignoro, porque faz parte do enigma dele e do meu, quantas vezes ele esperava ser obedecido nisso.
Anonymous
Comentário removido a pedido da autora.
Anonymous
Comentário removido a pedido da autora.
guido
Nao tem nada a ver, mas a Grécia esta pegando fogo.
Lou Mello
Olhem aqui crianças (o cara diz isso quando quer dar uma de mais sábio que todos), as fontes do AT eram guerreiras, gente habituada a resolver as coisas no braço (ou na espada) e viam Deus em suas vidas. As fontes do NT eram subjugadas pelo domínio romano e aí veio Jesus com aquele discurso de Deus Pai (que eu recebo integralmente) então o povo viu o Deus lá do início, de Moisés que dizia: não matarás. Pena que, em nossos dias, olhamos Deus pelos óculos do povo do AT. Preferimos ver Deus em meio à guerra, nas penas de morte, nas soluções contra a violência. Mais uma vez, Jesus fica em segundo plano e o chamamos de utópico. Não sei como alguém consegue ser contra o aborto e a favor da pena de morte e das guerras, ao mesmo tempo. Aí não há lugar para nenhum Deus.
Daniel Bedhung
Muito interassante a discussão de todos!
Muito bom.
Obrigado Brabo por compartilhar seu coração. Basta de hipocrisia gospel!
Abração meu mano de Caminhada,
Alysson Amorim
Paulo,
Sua mitologia pessoal não deixa de ser coerente. Quem somos nós, pobre carne putrefável, para sondar os desígnios divinos? Penso que existe entre nós, cristãos, uma certa tendência superficial em ignorar aquilo que R. Otto chamava de Mysterium tremendum do sagrado, sua face terrível, destruidora. Tendemos, talvez por boas razões, a dar mais espaço para aquela outra face do sagrado, o Mysterium fascinosum: o sagrado que atrai, que cria.
Mas não deixo de me perguntar, no silêncio do meu quarto, qual o preço deste sacrifício, qual o preço de se vincular o bom com o santo. Não estaríamos sacrificando a possibilidade de compreender uma nesga que seja do “Outro insondável”?
Sei lá.
Pelo sim, pelo não, prefiro continuar dizendo que aquela história de mandar matar nasceu da cabeça de algum guerreiro sedento por sangue e poder.
Antonio Polo
Acho essa discussão mais que importante.
Veja o que os espiritas kardecistas espertamente fazem com isso: baseado nessas evidencias do VT, interpretam (e vendem essa interpretação) sobre o Deus do VT como um Deus mau e vingativo, e sob esse argumento pegam todo o VT e grande parte do NT e jogam na lata do lixo, pegam então boas obras de Jesus, (e o nome dele é claro pois nada vende mais que esse nome) criam um “outro evangelho” - e vendem tudo isso com muita competência, e coerencia (a grosso modo), pois como um Deus que manda matar crianças e mulheres tem a ver com Jesus Cristo que manda entregar a outra face?? Com isso, os que acreditam levam no pacote a crença em reencarnação, comunicação com espiritos, além de toda a filosofia ateista-deista, e ainda se enxergam como cristãos.
Eu olho esse Deus mau do VT por uma outra prespectiva:
Imaginemos que em 9/10, um dia antes de 9/11, um profeta tivesse se levantado dentre os americamos e tivesse dito: Deus irá castigar essa nação pela sua dureza de coração e por não se desviarem de seus maus caminhos, Deus irá mandar fogo dos céus.
O profeta anunciou em nome de Deus, e o Bin Laden entregou a profecia. A pergunta chave é será que foi Deus quem puniu os US com uma punição tão vexatória? De uma certa forma sim, de uma certa forma não. Sim e Não na medida em que o Reino de Deus estava posto e a sua Justiça anunciada, porém as ações politicas de seus governantes, eleitos em regime democrático foram responsaveis por criar um ódio endêmico contra o próprio país. Certa vez perguntei a um amigo meu que é árabe quem eles mais odeiam: Israel ou US, a resposta foi: US disparado, pois eles incitam a guerra e o ódio nos territórios do oriente médio. Quem é o culpado por toda essa crença errada e dogmatica?
Todo cristão evangélico que acredita na infalibilidade da biblia-letra, todo fundamentalista que interpreta literal e cientificamente todo e qualquer texto biblico, e ai de quem não concordar com eles que Adão se chamou Adão mesmo e não Severino… ou que Deus confundiu as linguas na torre de Babel num piscar de olhos… (ou que os 7 dias da criação foram dias literais) …
guido
Antonio Polo
Se eles se enxergam como cristãos o que nos temos a ver com isto?
Pq vç usa termos como ” vendem” ou ” “espertamente” ou “ateísta deísta”.
Eu tenho muitos bons amigos espíritas e vivem uma vida humilde e cheia de boas obras. E os amo imensamente, aos meus olhos so a Deus cabe julgar-los.
Anonymous
Comentário removido a pedido da autora.
guido
Bom ama a Deus sobre todas as coisas e o próximo teu como a ti mesmo, os meus amigos estao dentro.
Palavra de Jesus
Antonio Polo
Não tenho nada contra os amigos espiritas, também os tenho, tenho tudo contra o espiritismo que corrói a alma!!!
Anonymous
Comentário removido a pedido da autora.
Hélida
Seria a humanidade inicialmente monoteísta ou politeísta? Os que não crêem insistem na segunda opção, entretanto o fato de Deus chamar um povo para si para o bem de todo o mundo objetivou não sua supremacia sobre os outros povos, mas a ele foi confiada, de forma peculiar, a mensagem de que só o Senhor é Deus.Como o povo poderia sobreviver sem guerrear?
Mas, Deus também se revelou a outros povos como no relato bíblico sobre Melquisedeque e a outros mais….( basta ler O Fator Melquisedeque de Don Richardson), porque Seus pensamentos não são limitados como os nossos e há respostas que aqui não nos serão dadas…
Por isso, creio que é mais proveitoso descobrir o que João Crisóstomo ou Tomás de Aquino tem a nos dizer sobre os valores capitalistas que nos devoram…
Wander
Quão grande são as tábuas em nossos olhos…
Tão, que os ciscos no dos outros, parece gigante.
A ponto de não enxergarmos as nossas.
Filipe Liepkan
não há como duvidar dos desígnios e soberania de deus.
mas duvido, como homem que sou, que deus teria um ato desses. posso estar errado, mas pensar o contrário me torna um ser sedento por uma justiça sanguinária.
e sobre tal paradigma eu penso naquilo que mais me agrada e me consola.
guido
Eu nao sei pq os homens querem fazer o trabalho de Deus que è julgar pecado e pecadores.
Vamos nos preocupar conosco e com as nossas falhas que sao tantas, que uma vida inteira dedicada so a este trabalho ja è pouca.
Paulo Brabo
Antonio Polo, respeito a sua opinião, embora saiba perfeitamente que ao longo da história e mesmo hoje muitos cristãos (muitos evangélicos!) creram e crêem em coisas pelo menos tão arbitrárias quanto a reencarnação. Também estou certo de que o corrói a alma não é determinada crença religiosa incorreta, mas a convicção (essa sim arbitrária) de que uma série particular de crenças abraçadas pela mente torna um grupo de pessoas mais próximo de Deus e mais digna do favor e da tolerância dele. Este sentimento simultâneo de superioridade e de exclusão, segundo Paulo em Romanos 1:10-29, já corroeu os judeus; ironicamente, como vemos aqui, corroeu por dois mil anos e continua corroendo os cristãos que afirmam ouvir a opinião dele e de seu Jesus.
Agora, (nome removido a pedido da própria pessoa a quem me refiro aqui), não respeito a sua opinião, embora esteja vendo que serei obrigado o a ouvi-la mais do que gostaria. Num único parágrafo você conseguiu a façanha de excluir, como menos notável e digno de imitação, gente de todos os matizes religiosos, de todas as condutas sociais, cristãos evangélicos como você professa ser e gente que não tem a cabeça aberta como você por não ter grana ou oportunidade para viajar (!) e conhecer outras culturas. No que me diz respeito estamos vendo aqui uma versão pasteurizada mas igualmente venenosa do divino preconceito que estou lamentando neste mesmo documento. A impunidade continua e, como sempre, com a mais pura das intenções. Creio, (nome removido a pedido da própria pessoa a quem me refiro aqui), que a esta altura todos temos uma idéia geral sobre a sua postura sobre o assunto, bem como sobre a origem e o destino das suas opiniões. Os interessados estarão ansiosos para ler mais a respeito no seu blog, como você mesmo vem anunciando.
Aos espíritas, católicos, budistas, hinduístas, islâmicos, judeus, homossexuais, reformados e gente que não saiu do país para conhecer uma grande metrópole, peço perdão por ter de aberto mais esta brecha, que estou fechando agora. Esqueço constantemente que depois de dois mil anos disso, os cristãos não sabem mais fazer outra coisa quando se reúnem, que não seja se celebrarem melhores do que os outros.
Que Deus não nos perdoe.
Anonymous
Comentário removido a pedido da autora.