No princípio, quando eram pouco numerosos, os cristãos eram de uma única opinião; porém quando se espalharam em multidão passaram a dividir-se vez após outra em inúmeras facções, cada qual desejando para si um sistema que lhe fosse peculiar – pois era isso o que intentavam desde o início.
Quando já estavam amplamente dispersos, uma facção passou a opor-se à outra, não restando nada comum entre elas exceto o nome de “cristãos”. Essa denominação comum eles tiveram vergonha de abandonar, mas quanto às outras coisas, eram ordenanças de homens de diferente persuasão.
O que é ainda mais admirável é que a doutrina cristã pode ser refutada com facilidade, sendo que não está fundada em qualquer hipótese digna de crédito. Porém a dissensão existente entre eles mesmos, as vantagens que derivam dela e seu terror pelos que não professam a mesma crença, imprimem estabilidade à sua fé.
O romano Celso, dissecando o sectarismo cristão e seus mecanismos, meros 180 anos depois de Cristo


