Antes de ser deposta pela fotografia e finalmente pela televisão, a ilustração reinava absoluta no campo da comunicação visual.
Na imprensa e na publicidade cabia à ilustração transmitir todo o drama, o impacto e o movimento que associamos hoje à imagem “ao vivo”.
O Brasil teve revistas notáveis movidas basicamente à ilustração, publicações como a Revista da Globo (quando eu imaginaria ver uma ilustração de Érico Veríssimo?) e o “Magazine Mensal Ilustrado” Eu Sei Tudo. Porém quero hoje recomendar a exposição virtual de uma curiosa publicação italiana, La Domenica del Corriere (1899-1989), encarte dominical do Corriere della Sera (Correio da Tarde) de Milão.
Precisando de um pouco de drama na sua segunda-feira? Você pode começar o dia visitando as seções de animais (que dizer desta hiena roubando um bebê, deste gorila à solta na Bélgica ou deste cachorro salvando uma menina de um atropelamento?) e de acidentes da Domenica – e isso só para começar.
Nos arquivos virtuais da revista encontrei seis capas dedicadas ao Brasile. Selecionei quatro para colocar aqui: pancadaria no futebol, perigo no Rio de Janeiro, monstros marinhos e discos voadores – reminiscências de um tempo em que o Brasil era interessante.
Clique como sempre para ampliar.
A PATADA DO VELHO LEÃO
22 de julho de 1951
“Em São Paulo, Brasil, durante a partida de futebol entre Juventus e Stella Rossa, o ex-campeão europeu de peso-pesado Erminio Spalla, ao ouvir frases de expectadores ofensivas aos italianos, faz voar arquibancada abaixo, ao som de murros, quatro dos insolentes. Detido pela polícia, é solto na mesma tarde.”
RESGATE SOBRE O ABISMO
Março de 1951
“No teleférico do Pão de Açúcar, sobre o Rio de Janeiro, uma cabine fica presa a 300 metros do chão. Os vinte passageiros são trazidos à segurança em várias levas, através de acrobática manobra, por meio de um bondinho de serviço preso a um cabo secundário.”
O MONSTRO DO RIO
23 de fevereiro de 1958
“Os pescadores da baía defronte a capital do Brasil viram um estranho e gigantesco monstro de cerca de vinte metros de comprimento, com um pescoço de girafa coroado por uma cabeça de serpente. A existência do monstro é colocada em dúvida por outros pescadores, que sustentam tratar-se de uma alucinação. Alucinação ou não, o fato é que muitos não ousam enfrentar as águas da baía com medo de um encontro com a fabulosa criatura.”
RAPTADO PELO DISCO VOADOR
30 de setembro de 1962
“Raimundo Aleluia Mafra, um menino de nove anos, conta que seu pai, Rivalino Mafra, foi raptado por um disco voador em Duas Pontas, junto a Belo Horizonte. ‘O disco – conta o pequeno Raimundo – pousou na frente da nossa casa quando estávamos tomanda a fresca [da tarde] e “sugou” meu pai para dentro dele. Depois desapareceu’. O garoto está sob observação. Vítima de uma alucinação? Certo é que seu pai está realmente desaparecido.”
REFERÊNCIA:
La Domenica del Corriere
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Tuco
Que legal. Não só o Brasil, mas o mundo todo deveria ser mais interessante nessa época. Fico imaginando a pobreza que seria as mesmas matérias ilustradas com fotografias.
Anderson
Eu teria muito mais prazer em ler jornais assim, misturando notícia com quadrinhos.
Lou Mello
A vantagem da ilustração é que ela é uma obra aberta. Ater-se aos fatos pode ser um detalhe. É como escrever sobre um fato, você diz eu vi um rato, ou pode dizer: eu vi um rato horrendo, enorme e nojento. Não há termos para comparações. Na verdade, acabam sendo coisas bem distintas, as ilustrações e as fotos.
Noemi Ribeiro
A ilustração brasileira já ia muito avançada antes mesmo da data que você apresenta nesta página maravilhosa. Gostaria de sugerir uma visita ao site que coordeno e que conta a história, mostra a obra e documenta a vida de um dos maiores ilustradores que tivemos, e isto na década de 30. As ilustrações para as revistas: Paratodos, O Malho, Ilustração Brasileira e os livros da José Olympio com os romances de Dostoiévski, publicados em 1941, são alguns dos exemplos que podem ser consultados no site – http://www.centrovirtualgoeldi.com. O Brasil produziu grandes ilustradores e Oswaldo Goeldi é um deles. O Jornal A Manhã trazia aos domingos um suplemento de autores importantes, e os textos eram complementados genialmente com xilogravuras ou desenhos a bico-de-pena, tanto de Goeldi quanto de Santa Rosa, entre outros artistas. A arte da ilustração é milenar – se vocês tiverem interesse no assunto sugiro uma visita ao site do Museu Britânico, nele verão o “Sutra de Diamante” (Diamond Sutra, em inglês), o mais antigo livro ilustrado que se conhece, datado de 10 séculos AC, o livro foi todo ilustrado com xilogravuras e colorido a mão. A xilogravura, a primeira técnica de reprodução visual de idéias é a mãe da nossa ilustração, seja ela a que fazemos com lápis, papel e tinta, ou com um belo programa de ilustração num PC.