– Por que o Espírito Santo tem de intervir?
– Ele na verdade nos faz raciocinar ao contrário. Na revelação [cristã] temos de começar no final a fim de compreender o início. É precisamente isso o que o Espírito Santo nos leva a fazer: ver a cruz através da ressurreição e, similarmente, os pecados do homem através do perdão. A condenação através da graça. É porque Deus nos perdoa que somos capazes de apreender a extensão do nosso pecado, quando para o homem o método natural seria pecar primeiro e pedir perdão a Deus depois. Para mim, isso é absolutamente aberto e absolutamente liberador. É heresia pregar sobre pecado e condenação sem antes pregar sobre liberdade e perdão.
Jacques Ellul, em entrevista a Patrick Chastenet



hernan
São Jacques.
rubens osorio
Grande Ellul… seu livro “La ciudad” (li em espanhol) teve um enorme impacto na minha visão da vida cristã. O cara realmente conseguia pensar “out of the box”, não?
Excelente!!!
Lou Mello
E tirou as palavras de minha boca, digo pena ou seria teclado? Não importa.
Bony
É interessante adentrar no pensamento “ao contrário”. Simplesmente lindo ao atentar na parte “é heresia pregar sobre pecado e condenação sem antes pregar sobre liberdade e perdão”.
Agora, eu estou “queimando fosfato” para ver se consigo pensar em quase tudo no estilo “ao contrário” de Jacques Ellul. Talvez seja mais saudável para mim falar do dolorido constrangimento de pedir perdão antes do que simplesmente falar o que penso.
Tato Egg
Eu, infelizmente, demorei a entender isso.
Mas finalmente passei a compreender que não é o nosso arrependimento que gera o perdão. Antes, a consciência do amor irrestrito por parte de Deus e do perdão gracioso que geram em nós o arrependimento.
Nós O amamos porque Ele nos amou primeiro.
Wander Morínigo Teixeira
depois de umas cinco leituras, não conseguiria explicar o que li, deve ser que se discerne espiritualmente…
maisa
A graça constrange mesmo, por isso é difícil entender e mais fácil fazer chacota.
Elienai
Curiosamente, quando Jesus fala sobre a blasfêmia contra o Espírito Santo, idéia neurotizada por tantos cristãos de um Deus amarrado, fala primeiro do perdão de todos os pecados. O perdão de Deus relativiza nossas neuroses. Um Deus livre e libertador.
Vale lembrar do belo texto publicado em língua portuguesa no ano passado do Ellul, Políticas de Deus e Políticas dos Homens.
Anderson
Pensar em arrependimento antes do perdão é reivincar mérito próprio e transformar Deus em devedor.
Wander Morínigo Teixeira
Só por curiosidade, não é ao contrário!?
Pensar em perdão antes do arrependimento é transformar Deus em devedor!!??
Anderson
Se o perdão vem após o arrependimento, quer dizer que deste é conseqüência e, portanto, Deus, quando recebe meu arrependimento, está vinculado a perdoar-me, deve-me o perdão.
Isso se parece com as idéias triunfalistas e reivindicatórias da teologia da prosperidade neopentecostal, ou com a doutrina da salvação via boas obras, pois desse modo eu compro a salvação, mas não a obtenho gratuitamente.
Bony
O texto de Jacques Ellul (no fim) trata de “PREGAR sobre pecado e condenação sem antes PREGAR sobre liberdade e perdão”.
Acho que isso já direciona magistralmente para outro prisma, sendo este bem distante do “PENSAR em perdão”.
Creio de todo o coração que pregar (viver) o perdão antes do pecado é muito mais imagem de Cristo.
Já diziam os apóstolos João e Paulo: “All You Needs Is Love!!!”
Tuco
Elienai. Onde acho esse texto do Ellul em português?
Elienai
Tuco, a editora é a Fonte Editorial. Tenha uma boa leitura.
Alessandra de Oliveira
Fonte Editorial
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Antonio Cesar
Se colocarmos esse conceito à um espirita kardecista ele irá dizer: assim é facil, pensar que haverá perdão antes mesmo de se pecar faz do homem despretencioso e com liberdae para cometer qualquer besteira, eximindo-o de responsabilidades … uma vez que haverá perdão…
Confesso que acredito que eles não estão completamente errados… e que as vezes me sinto assim… pecamos e não tratamos o nosso pecado uma vez que há perdão antecipado…