16 de Outubro de 2007

A urgência de uma reforma no vestuário oficial da República

Por   Paulo Brabo

 

Estocado em Brasil, Sociedade

O que os nativos brasileiros sabiam e os portugueses ignoravam? Que é simultânea insensatez e imoralidade usar gravata, paletó, meia preta e sapato fechado numa terra tropical como esta de Santa Cruz. Muitas vezes mais pertinente do que uma reforma ortográfica seria uma reforma no guarda-roupa oficial do país.

A crise é de graves proporções. O rei de Sião andava descalço no seu palácio, os líderes africanos caminham pelo saguão das Nações Unidas em arejadas roupas coloridas, e aqui, no Brasil dos índios, o rei não está nu.

Tudo bem, não exijo a nudez diplomática compulsória, pelo menos não ainda – me dê cinco minutos – mas devo insistir no saneamento mais básico:

1. Todos os cidadãos que recebem dinheiro público, de escriturários a presidentes da república, deverão andar descalços em seus ambientes de trabalho.

1.1 Pessoas com necessidades especiais (tipo bombeiros, policiais e capitães do BOPE) poderão usar alpercatas de couro cru, havaianas ou – em casos extremos e com porte de arma – tênis.

2. Gravatas, sapatos fechados e colarinhos fechados de qualquer natureza são símbolos decadentes do imperialismo e relíquias dos regimes monárquicos antidemocráticos; serão banidos sob multa de extradição.

2.1 Paletós serão permitidos, desde que usados sobre camisetas ou camisas de colarinho aberto.

3. Para homens, calções e bermudas terão preferência sobre calças, e camisetas sobre camisas.

4. Para mulheres, saias, vestidos e calções terão preferência sobre calças.

5. Para todos, tecidos crus terão preferência sobre tecidos tingidos, tecidos naturais terão preferência sobre tecidos sintéticos e tecidos estampados terão preferência sobre tecidos lisos.

6. Toda nudez não é obrigatória, mas nenhuma será castigada.

7. Revogam-se as disposições em contrário.

Photo by mr oji



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