03 de Agosto de 2007

A doença de Adão

Por   Paulo Brabo

 

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ADÃO: A doença de Adão

Depois de viver novecentos e trinta anos Adão foi tomado de uma enfermidade, e sentiu que seus dias estavam chegando ao fim. Ele chamou todos os seus descendentes e reuniu-os diante da porta da casa de adoração na qual oferecia suas orações a Deus, a fim de dar-lhes sua última benção. Sua família ficou perplexa de encontrá-lo deitado em seu leito de enfermidade, pois não sabiam o que era dor e sofrimento. Sete anunciou sua disposição de ir até os portões do Paraíso e pedir a Deus que deixasse um de seus anjos trazer para Adão um de seus frutos. Adão, porém, explicou-lhes o que eram doença e dor, e que Deus os havia infligido sobre ele como punição pelo seu pecado.

Adão sofria brutalmente; a doença arrancava dele lágrimas e gemidos de dor. Chorando aos soluços, Eva disse:

– Adão, meu senhor, dê-me metade da sua enfermidade e eu a levarei sobre mim de bom grado. Não foi então por minha causa que isso lhe sobreveio? Por minha causa você sofre dor e angústia.

Adão, porém, explicou-lhes o que eram doença e dor.

Adão pediu a Eva que fosse com Sete aos portões do Paraíso implorar que Deus tivesse misericórdia dele; que mandasse seu anjo pegar um pouco do óleo que flui da árvore da sua misericórdia e entregasse aos seus mensageiros. O ungüento lhe traria descanso, e mandaria embora a dor que o consumia. No seu caminho para o Paraíso, Sete foi atacado por um animal selvagem. Eva gritou para o agressor:

– Como ousa tocar a imagem de Deus?

A resposta veio imediatamente:

– A culpa é sua! Se não tivesse aberto a sua boca para comer do fruto proibido, minha boca não estaria agora aberta para destruir um ser humano.

Porém Sete repreendeu:

– Morda a sua língua! Deixe em paz a imagem de Deus até o dia do julgamento.

O animal abriu caminho para eles, dizendo:

– Vejam, deixo passar a imagem de Deus.

E esgueirou-se de volta para o seu esconderijo.

Chegados aos portões do Paraíso, Eva e Sete começaram a chorar amargamente, e com muitas lamentações imploraram a Deus que desse a eles do óleo da árvore da sua misericórdia. Por horas eles oraram assim. Finalmente apareceu o arcanjo Miguel, e disse-lhes que vinha na qualidade de mensageiro de Deus para informar que o pedido deles não podia ser concedido. Adão morreria dali a poucos dias, e como estava sujeito à morte, assim estariam os seus descendentes. Apenas por ocasião da ressurreição, e apenas para os piedosos, o óleo da vida seria fornecido, juntamente com toda a bem-aventurança e os deleites do Paraíso.

A morte é o destino de toda a nossa raça.

Retornando a Adão eles relataram o que havia acontecido, e Adão disse a ela:

– Que grande desgraça você trouxe sobre nós ao despertar tamanha ira! Veja, a morte é o destino de toda a nossa raça! Chame os nossos filhos e os filhos de nossos filhos, e conte a eles a forma como pecamos.

E enquanto Adão jazia prostrado em seu leito de dor, Eva contou-lhes a história da queda deles.

Lendas dos Judeus é uma compilação de lendas judaicas recolhidas das fontes originais do midrash (particularmente o Talmude) pelo talmudista lituano Louis Ginzberg (1873-1953). Lendas foi publicado em 6 volumes (sendo dois volumes de notas) entre 1909 e 1928.



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Versões digitais dos manuscritos da Biblioteca do Monastério de São Brabo, nas Índias Ocidentais.
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